Rui Rio contra a corrente, defende nacionalização temporária do Novo Banco

  • ECO
  • 12 Janeiro 2017

O ex-autarca do norte e possível candidato à liderança do PSD não se opõe a uma nacionalização temporária do Novo Banco se isso defender os interesses do país. Vai, assim, contra a posição do partido.

Rui Rio, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto e possível candidato à presidência do Partido Social-Democrata (PSD), é a favor de uma nacionalização temporária do Novo Banco. Numa texto enviado ao jornal Público, o antigo autarca defende que a manutenção deste banco de transição na esfera pública pode fazer sentido se se conseguir “rendibilizar” a instituição para, mais tarde, “ter o retorno de todo o capital nele investido e, se possível, com alguma compensação para o Estado”.

Como sublinha o jornal, a opinião de Rui Rio vai contra a posição já assumida pela direção do PSD, que considera que uma nacionalização terá custos para os contribuintes. Mas, para o antigo autarca do norte, a nacionalização temporária “seria a forma de, em termos de médio prazo, se evitar ainda mais despesa pública com o setor bancário e, até, de se aliviar a carga que os outros bancos já estão a suportar com este escândalo nacional”, refere.

Ainda assim, Rui Rio não deixa de alertar que “é necessário saber” quanto é que essa operação custaria “no imediato” e se “é possível desenhar um plano de rentabilização credível e prudente do banco”. Estima, desde logo, que “custará mais 750 milhões de euros de reforço do capital próprio, no sentido de assegurar o cumprimento dos rácios impostos pelo BCE”.

Rio nota ainda que “se os atuais concorrentes estão a pedir garantias ao Estado” é porque “não têm plena confiança no valor dos ativos constantes do balanço”. Por outras palavras, “acham que ainda há imparidades por contabilizar”. “Se assim for, temos aqui um custo adicional da nacionalização, o que teremos de considerar”, diz.

Por fim, o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto espera que, se o Estado optar pela via da nacionalização, isso seja aprovado pela Comissão Europeia: “Espero bem que, se esta for a via que melhor defende o interesse público nacional, a burocracia de Bruxelas não nos venha a prejudicar de forma inaceitável, tal como aconteceu recentemente com o Banif”, frisa.

O social-democrata junta-se assim ao coro de vozes que tem vindo a defender a nacionalização, temporária ou definitiva, do banco que teve origem no processo de resolução do Banco Espírito Santo em agosto de 2014, após a queda do grupo. Há nomes na direita, como Manuela Ferreira Leite, mas é na esquerda que se concentram os apoiantes desta alternativa. Entre eles, o do socialista João Galamba e o da bloquista Mariana Mortágua, esta última a defender num artigo de opinião uma nacionalização permanente e definitiva.

Recorde-se ainda que o processo de tentativa de venda do Novo Banco entrou já na fase final, com o fundo norte-americano de private equity Lone Star a ser o mais bem posicionado para a compra da instituição. No entanto, o facto de exigir uma garantia estatal tem vindo a pôr em causa a continuidade da venda, uma vez que ultrapassa uma das linhas vermelhas já traçadas por Mário Centeno, ministro das Finanças.

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