UAVision quer transformar validação da EDA em novos contratos europeus de defesa
Empresa portuguesa foi uma das cinco selecionadas pela Agência Europeia de Defesa para testar o seu drone de ataque em ambiente operacional no exercício OPEX26, no Campo Militar de Santa Margarida.
Depois de ter sido selecionada pela Agência Europeia de Defesa (EDA) para a fase de testes do “Sentinel Strike Challenge” durante o OPEX26, a realizar no Campo Militar de Santa Margarida, a portuguesa UAVision acredita que isso poderá acelerar novas oportunidades comerciais no mercado europeu de defesa.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“Estamos confiantes de que esta participação contribuirá para abrir portas a novos contratos, programas de aquisição e parcerias industriais na Europa, consolidando o posicionamento da UAVision no mercado europeu da defesa”, afirma Nuno Simões, CEO da UAVision, ao ECO/eRadar.
Entre mais de 140 candidaturas provenientes de toda a Europa, a empresa portuguesa foi uma das cinco selecionadas para testar o drone ELANUS durante o exercício OPEX26, que decorrerá no Campo Militar de Santa Margarida, em Portugal. A iniciativa da EDA pretende avaliar drones de ataque (loitering munitions) em cenários operacionais realistas antes de eventuais decisões de aquisição por parte dos países europeus.
O conceito de “test before invest” da Agência Europeia de Defesa proporciona uma oportunidade única para demonstrar o desempenho do ELANUS em ambiente operacional perante potenciais utilizadores e decisores. Estamos confiantes de que esta participação contribuirá para abrir portas a novos contratos, programas de aquisição e parcerias industriais na Europa, consolidando o posicionamento da UAVision no mercado europeu da defesa.
A escolha representa mais do que uma distinção tecnológica. “A seleção pela Agência Europeia de Defesa, entre mais de 140 candidaturas, confirma que o ELANUS responde aos exigentes requisitos de um dos mais relevantes programas europeus na área dos sistemas não tripulados e das capacidades de ataque de precisão”, vinca o CEO da empresa portuguesa.
A empresa nacional junta-se à alemã Helsing, à neerlandesa Destinus, à eslovena C-Astral e à grega Spirit Aeronautical Systems, tendo cada empresa recebido um prémio de 30 mil euros. Em setembro, vai disputar um prémio global de 1,8 milhões de euros, atribuído após a campanha de ensaios em Portugal.
Ao contrário de um concurso tradicional, o “Sentinel Strike Challenge” coloca todos os sistemas a operar nas mesmas condições, permitindo às Forças Armadas europeias comparar o seu desempenho em ambiente operacional. Para a UAVision, essa validação independente poderá facilitar futuras decisões de compra.
“O processo de avaliação foi conduzido por cerca de 20 especialistas de vários Estados-membros da União Europeia, o que constitui uma validação independente da qualidade e relevância operacional da tecnologia da UAVision”, explica o responsável. Essa avaliação “reforça a credibilidade da empresa e aumenta a confiança do mercado”.

O CEO considera que o conceito da EDA — “test before invest” — representa uma oportunidade para demonstrar o desempenho do ELANUS perante potenciais utilizadores militares. “Estamos confiantes de que esta participação contribuirá para abrir portas a novos contratos, programas de aquisição e parcerias industriais na Europa“, sublinha ao ECO/eRadar.
Apesar disso, admite que o impacto financeiro direto deverá ser gradual. “Nesta fase, o impacto é sobretudo estratégico e reputacional, embora não excluamos algum efeito nas vendas já este ano, uma vez que muitas decisões de compra acontecem no final do ano”. Quanto às receitas de 2027, considera ainda “cedo para estabelecer uma relação direta”, mas acredita que a validação obtida junto da EDA poderá acelerar futuras oportunidades comerciais.
Europa será principal motor de crescimento
A empresa vê no atual contexto geopolítico uma oportunidade para acelerar a internacionalização. A UAVision já desenvolve atividade na Europa, Médio Oriente, África e Ásia, mas considera que o mercado europeu será o principal motor de crescimento nos próximos anos.
Acreditamos que esta distinção poderá acelerar oportunidades comerciais, facilitar o acesso a novos concursos e reforçar o nosso posicionamento num mercado de loitering munitions que continua a crescer de forma muito significativa.
“O atual contexto geopolítico está a impulsionar o investimento europeu em capacidades de defesa, nomeadamente em sistemas não tripulados”, afirma o CEO.
A estratégia passa por consolidar a presença na Europa sem abandonar outras geografias onde já mantém clientes e parceiros, numa lógica de diversificação internacional. “Atualmente, a UAVision tem uma presença internacional significativa, com atividade na Europa, Médio Oriente, África e Ásia, fornecendo soluções para clientes de defesa, segurança e vigilância. Portugal continua a ser um mercado importante, mas, desde a sua origem, a estratégia da empresa tem sido fortemente orientada para a exportação e internacionalização“, sublinha o CEO da empresa portuguesa ao ECO/eRadar.
Perante o crescimento da procura por sistemas não tripulados, a empresa garante estar preparada para aumentar a capacidade industrial. Segundo Nuno Simões, a fabricante de drones multiplicou entre dez e vinte vezes a capacidade de produção de alguns dos sistemas desenvolvidos durante o último ano, combinando produção própria com uma rede de parceiros industriais.

“Este crescimento é uma tendência estrutural que já antecipávamos e para a qual temos vindo a preparar a empresa. Estamos, por isso, bem posicionados para acompanhar a evolução do mercado e responder às oportunidades que possam surgir, tanto em Portugal como internacionalmente”, sublinha.
Além do reforço industrial, a empresa continua também a recrutar perfis altamente especializados em engenharia e desenvolvimento tecnológico, privilegiando profissionais com experiência prática e capacidade de inovação.
Aposta em rapidez de lançamento e autonomia
O sistema que a UAVision levará ao OPEX26 é o ELANUS, sistema não tripulado com vertente ofensiva (loitering munition) desenvolvido integralmente pela empresa portuguesa.
Uma das principais características diferenciadoras é a rapidez de lançamento. “O ELANUS oferece uma capacidade de resposta muito rápida, estando pronto para lançamento em menos de dois segundos graças ao seu sistema de lançamento em tubo pressurizado e à sua configuração metamórfica, que lhe permite passar de uma configuração compacta para uma aeronave de asa fixa imediatamente após o lançamento”, explica o líder da fabricante de drones portuguesa ao ECO/eRadar.
A UAVision desenvolve internamente as tecnologias críticas do sistema, desde o piloto automático e software de comando e controlo às comunicações e sensores, assegurando maior independência tecnológica, segurança e capacidade de adaptação. Esta abordagem, permitiu apresentar à EDA um sistema completo, maduro e preparado para operar em ambientes militares exigentes.
“A elevada velocidade, autonomia e alcance operacional, entre 50 e 100 km, são complementados por sistemas avançados de deteção e seguimento de alvos com recurso a inteligência artificial e capacidade de navegação em ambientes sem GNSS [Global Navigation Satellite System/Sistema Global de Navegação por Satélite]. Estas características em aliadas à forma de lançamento através de um tubo pressurizado, permitem a sua integração em plataformas terrestres, navais e aéreas, garantindo grande flexibilidade operacional”, acrescenta.
A UAVision desenvolve internamente as principais tecnologias do sistema — do piloto automático ao software de comando e controlo, comunicações e sensores — reduzindo dependências externas e permitindo adaptar rapidamente o produto aos requisitos dos clientes. “Esta abordagem, permitiu apresentar à EDA um sistema completo, maduro e preparado para operar em ambientes militares exigentes”, defende Nuno Simões.
Futuro cluster nacional de drones
A expansão da empresa passa igualmente pelo Oeiras Valley Innovation Lab. “A UAVision já integra o Oeiras Valley Innovation Lab, onde irá instalar uma área de cerca de 2.500 metros quadrados dedicada ao desenvolvimento de sistemas não tripulados, incluindo soluções aéreas, terrestres e subaquáticas, bem como tecnologias Counter UAV”, assinala Nuno Simões.
A empresa considera que o futuro cluster poderá contribuir para reforçar a capacidade tecnológica portuguesa na área da defesa e criar um ecossistema capaz de aproximar empresas, universidades, centros de investigação e utilizadores militares.
“A nossa participação será ativa, trazendo a experiência acumulada da UAVision no desenvolvimento, engenharia, produção e operação de sistemas não tripulados”, afirma o gestor, defendendo que o projeto poderá ajudar Portugal a afirmar-se como um polo europeu de referência neste setor”, diz Nuno Simões, ao ECO/eRadar.
“Pretendemos contribuir para a criação de uma plataforma de inovação capaz de atrair talento, acelerar o desenvolvimento tecnológico e reforçar a competitividade internacional do setor da defesa português”, afere.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
UAVision quer transformar validação da EDA em novos contratos europeus de defesa
{{ noCommentsLabel }}