Garantia para o Novo Banco? Lone Star é “criativo”

As garantias estão a travar o processo de venda do banco liderado por António Ramalho. O Lone Star diz que está a trabalhar incansavelmente para encontrar uma solução. A chave está na criatividade.

O processo de venda do Novo Banco está preso num pormenor que não é nada pequeno: a garantia estatal. O Lone Star, tal como o consórcio Apollo/Centerbrige, exige um aval público para se salvaguardar perante eventuais surpresas com o “side bank”. E o Estado? Centeno diz que não dá. O fundo norte-americano, o eleito pelo Banco de Portugal, já disse que está disposto a negociar. Retirar a exigência? A chave está na criatividade.

“Sempre fomos criativos” a encontrar soluções, diz uma fonte próxima do Lone Star. E esta criatividade também se pode aplicar no processo de venda do Novo Banco, uma vez que o fundo norte-americano — o candidato principal à compra do banco que resultou da falência do Banco Espírito Santo — parece estar disposto a negociar politicamente as garantias que exige, mas que o Estado não quer dar. Poderá mesmo deixar cair estas exigências, estando disposto a “trabalhar incansavelmente” com as autoridades para garantir que consegue comprar um banco que “tem um enorme potencial por explorar”, de acordo com um comunicado do fundo.

Para além da oferta de 750 milhões de euros pelo Novo Banco — e uma injeção de 750 milhões — o fundo Lone Star exige garantias ao Estado na ordem dos 2,5 mil milhões. Um valor de que o fundo nunca ouviu falar. Estas garantias servem para cobrir o risco associado ao chamado “side bank” do Novo Banco, ou seja os ativos não rentáveis que estão no balanço por cerca de nove mil milhões de euros.

Os ativos que estão no “side bank” – nomeadamente os imobiliários – valerão menos do que o que está “nos livros”, mas existem colaterais para os garantir. Ora, o que o Lone Star e o Apollo/Centerbrige — os dois candidatos que exigem garantias — querem assegurar é que a diferença entre o valor de mercado do ativo – imobiliário ou outro – e o colateral que serve de garantia ao empréstimo concedido. As garantias existirão sobre a totalidade do “side bank”, o que fica em risco para os contribuintes é a diferenças entre aqueles dois valores.

Qual é o problema com a garantia? As contas públicas. É que essa garantia pode ameaçar o défice, daí que Mário Centeno tenha vindo afirmar que não está disposto a vender o banco com condicionantes como é a existência desse “seguro” para os fundos que é um risco elevado para Portugal. Essa posição é vincada pelas declarações do ministro das Finanças que perante as garantias deixa em aberto a porta da nacionalização do Novo Banco.

Compromisso com a venda é grande

Caso o Lone Star ceda às exigência do Estado — que já deixou claro que não vai aceitar estas garantias — o preço deverá baixar, uma vez que o fundo vai ter de suportar os riscos sozinho… se bem que também não terá de partilhar eventuais ganhos com o Fundo de Resolução, o acionista do banco liderado por António Ramalho. O processo de venda está a ser levado a cabo de forma “muito profissional”. E o Lone Star está pronto para assinar rapidamente o acordo. Falta resolver as garantias.

O Executivo terá assumido um papel “ativo” no processo de venda do Novo Banco, tendo-se já sentado à mesa pelo menos com o Lone Star. O objetivo será a melhoria das propostas que estão em cima da mesa. A informação é avançada pelo jornal Público (acesso gratuito) que refere que o Ministério das Finanças estará a tentar que os candidatos na corrida ao Novo Banco prescindam das ajudas estatais, o que não terá ainda acontecido.

Uma fonte conhecedora do processo afirmou ao ECO que “se não houvesse esta linha vermelha, o Lone Star estaria em condições de assinar o contrato de venda no dia seguinte ao fecho da negociação”, isto para provar que em simultâneo com as negociações financeiras, correm também as discussões jurídicas e contratuais, sempre complexas nestes contratos.

Fundo “abutre”? Não, fundo “Lázaro”

Ao longo do processo de venda do Novo Banco, já foram chamados vários nomes ao fundo Lone Star. Francisco Louçã chegou mesmo a dizer que os “potenciais compradores são flibusteiros, ou aventureiros provados no mar alto da finança”. E mais: “O seu negócio é a dívida e a destruição de empresas ou a sua venda a curto prazo”. Portanto, como muitos chamam: fundo “abutre”.

Fonte próxima do processo diz que o “termo abutre é totalmente errado”, porque os abutres alimentam-se de seres mortos. “Nós trazemos as coisas de volta à vida. Portanto, somos um fundo ‘Lázaro'”. Ou seja, um fundo que ressuscita e dá vida, numa referência à personagem bíblica de Lázaro de Betânia, descrito como um amigo que Jesus teria ressuscitado.

O ECO também já tinha avançado que o objetivo do fundo texano não é o desmantelamento do Novo Banco. Nem a venda a curto prazo. “Estes processos demoram e não pretendemos uma venda rápida”, explica a mesma fonte. Prova disso estão dois bancos alemães adquiridos pelo fundo, que foram mantidos e recuperados — um deles já foi vendido e outro, o IKB, continua na esfera do fundo desde 2008. O fundo que tem o empreendimento de Vilamoura e centros comerciais em Portugal, diz que os bancos são “preciosos. São pilares da economia. Percebemos isso”.

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