Entrada da Mota-Engil? “A atração de um sócio estratégico integra o plano de negócios”, afirma Odebrecht
Construtora brasileira não comenta possível entrada da Mota-Engil no capital mas lembra que "há um histórico de parcerias entre as duas empresas ao longo de décadas".
A construtora brasileira Odebrecht admite que a entrada de um sócio estratégico no seu capital está nos seus planos desde há muito, mas afirma que, neste momento, não há nada a comunicar no que toca a uma possível entrada da Mota-Engil no seu capital, que foi noticiada pela imprensa brasileira nos últimos dias.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“A atração de um sócio estratégico integra o plano de negócios apresentado pela Odebrecht Engenharia & Construção na sequência de sua reestruturação financeira, já concluída. Havendo fato a comunicar neste sentido, será divulgado pelos canais oficiais”, afirmou ao ECO fonte oficial do grupo brasileiro, que opera debaixo da holding Novonor. Para já, segundo a empresa, uma operação em concreto não merece comentário por se tratar de “especulações de mercado”.
Ainda assim, a mesma fonte oficial lembra que a Mota-Engil não é apenas um concorrente ou uma construtora qualquer, tendo uma relação sólida com a Odebrecht e um conhecimento mútuo.
Há um histórico de parcerias entre as duas empresas ao longo de décadas e a participação, atualmente, como consorciadas em importantes projetos de infraestrutura no Brasil e África
“Em relação à construtora portuguesa Mota-Engil, há um histórico de parcerias entre as duas empresas ao longo de décadas e a participação, atualmente, como consorciadas em importantes projetos de infraestrutura no Brasil e África”, afirma.
Surgiu recentemente na imprensa brasileira a informação de que a Mota-Engil estaria a discutir a compra de uma participação de 40% na Odebrecht, mas nenhuma das entidades confirmou esse processo. Segundo o que o ECO apurou, o que há para já é um início de conversa, muito preliminar, e que não existe sequer um processo de due dilligence iniciado, nem a garantia de que o dossiê avance.
A Odebrecht atravessou um período difícil depois de ter sido uma das protagonistas no processo judicial que ficou conhecido como operação Lava Jato. A empresa pediu recuperação judicial em 17 de junho de 2019, para reestruturar uma dívida superior a 65 mil milhões de reais. O plano foi aprovado pelos credores em abril de 2020 e a empresa mudou o nome para Novonor. No ano passado, a área de construção e engenharia – aquela que seria o alvo da Mota, neste cenário – reassumiu o nome Odebrecht.
O grupo saiu da recuperação judicial em março. A área de construção e engenharia teve uma receita bruta de 5,2 mil milhões de reais em 2024, o equivalente a 900 milhões de euros ao câmbio atual.
A Mota-Engil e a Odebrecht já têm negócios conjuntos no Brasil. As duas empresas integram o consórcio que venceu o leilão para explorar por 30 anos a Rota dos Sertões, uma das principais ligações rodoviárias do interior do Nordeste brasileiro, com 502 quilómetros.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Entrada da Mota-Engil? “A atração de um sócio estratégico integra o plano de negócios”, afirma Odebrecht
{{ noCommentsLabel }}