Espanha garante a Portugal que vai “reverter fluxo” de migrantes em Ceuta. Governo assume “grande preocupação”

Espanha garantiu a Portugal que, em coordenação com Marrocos, vai "reverter o fluxo" de migrantes em Ceuta. Governo português diz estar a acompanhar a situação com "grande preocupação".

O Governo português assegurou esta sexta-feira que acompanha com “grande preocupação” a crise migratória em Ceuta e revelou ter recebido garantias do Governo espanhol de que irá “reverter o fluxo” de milhares de migrantes que tentaram entrar no enclave, em articulação com as autoridades marroquinas.

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Migrantes chegam a território espanhol depois de nadarem de Marrocos até Ceuta, um enclave espanhol no Norte de África, a 30 de julho de 2026. Centenas de migrantes — sobretudo marroquinos e argelinos — atravessaram a nado a fronteira com Ceuta nos últimos nove dias. As autoridades de Ceuta solicitaram ao governo espanhol que declarasse “emergência nacional”.EPA/Reduan Dris

“Desde a primeira hora, tem sido informado pelo Governo espanhol, que tem dado garantias de que, em estreita coordenação e cooperação com as autoridades marroquinas, fará reverter o fluxo de milhares de pessoas nestas semanas e, em especial, nos últimos dois dias”, refere um comunicado do Executivo liderado por Luís Montenegro.

O Governo lamenta “uma vez mais, as vítimas mortais” registadas na sequência desta crise migratória e reafirma que “a integridade do sistema Schengen depende de um rigoroso controlo de fronteiras e do combate determinado a todas as formas de imigração ilegal”.

Lisboa mantém-se ainda em contacto permanente com os Governos de Espanha e Marrocos. O Executivo acrescenta que, “nesse âmbito, a GNR e a Polícia Marítima estão articuladas com as autoridades espanholas e a atuar em concertação”.

Segundo os últimos dados avançados esta sexta-feira pelo governo autónomo de Ceuta, entraram na cidade espanhola de forma irregular nas últimas 24 horas 60 mil pessoas e foram confirmadas 34 mortes nesta crise.

Migrantes junto a um autocarro incendiado no local de confrontos na passagem fronteiriça de Bab Sebta, perto de Fnideq, Marrocos, a 31 de julho de 2026. Os distúrbios eclodiram quando milhares de migrantes tentaram atravessar para Ceuta e entraram em confronto com as forças de segurança marroquinas.EPA/JALAL MORCHIDI

Sánchez fala em “violação da integridade territorial de Espanha” em Ceuta e culpa máfias

Já o primeiro-ministro espanhol disse esta sexta-feira que houve uma “violação da integridade territorial de Espanha” nas últimas horas em Ceuta e culpou as máfias que traficam seres humanos.

Pedro Sánchez, que falava em Ceuta, numa conferência de imprensa, destacou uma “violação da integridade territorial de Espanha”, sobretudo na quinta-feira, quando milhares de pessoas cruzaram a fronteira do enclave espanhol em Marrocos, no norte de África, a nado, a pé ou saltando vedações.

 

Sánchez culpou as “máfias que traficam com seres humanos” e “enganam muitos jovens”, através de “uma leitura interessada” de uma sentença recente do Tribunal Supremo de Espanha sobre repatriamentos, que “correu como a pólvora” nos últimos dias em Marrocos e “produziu uma avalanche com as características e dimensão” que se viu na fronteira de Ceuta na quinta-feira.

O primeiro-ministro garantiu que o Governo espanhol mobilizou meios e recursos para Ceuta, incluindo militares, para repor a normalidade e a segurança na cidade.

Jovens que regressaram de Espanha reúnem-se na passagem fronteiriça de Bab Sebta, perto de Fnideq, Marrocos, a 31 de julho de 2026. Os distúrbios eclodiram quando milhares de pessoas se concentraram perto da fronteira; algumas tentaram atravessar para Ceuta e entraram em confronto com as forças de segurança marroquinas.EPA/JALAL MORCHIDI

A entrada de milhares de migrantes em Ceuta levou Itália a admitir a suspensão do espaço Schengen com Espanha, alegando que a vaga migratória é uma ameaça à segurança das fronteiras europeias.

(Notícia atualizada às 13h17 com mais informação)

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