Itália quer suspender espaço Schengen com Espanha após crise migratória em Ceuta
A entrada de mais de 20 mil migrantes em Ceuta levou Itália a admitir a suspensão do espaço Schengen com Espanha, alegando que a vaga migratória é uma ameaça à segurança das fronteiras europeias.
Milhares de pessoas de origem magrebina atravessaram esta quinta-feira a fronteira entre Marrocos e Ceuta, na maior crise migratória na cidade autónoma espanhola desde 2021. Segundo o presidente ceutí, Juan Jesús Vivas, mais de 20 mil migrantes terão entrado no território apenas neste dia, somando-se aos cerca de 1.500 a 2.000 que já tinham cruzado a fronteira nos dez dias anteriores. Até ao momento, pelo menos, nove corpos foram recuperados depois de tentarem entrar no exclave espanhol em África.
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A crise migratória parece já ter cruzado a fronteira espanhola e despoletado uma dura reação de Itália. O governo de Giorgia Meloni está a avaliar a suspensão do espaço Schengen com Espanha. Nas redes sociais, a primeira-ministra italiana afirmou que as imagens vindas de Ceuta demonstram que a imigração clandestina descontrolada representa “uma ameaça concreta à segurança das fronteiras europeias” e garantiu estar disposta a recorrer a “instrumentos extraordinários” para defender fronteiras e cidadãos, incluindo a suspensão do espaço Schengen. “Não recuaremos um centímetro sequer no combate à imigração ilegal”, sublinhou.
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O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, foi ainda mais direto, declarando-se favorável ao encerramento do espaço Schengen com Espanha e manifestando “plena confiança” na atuação do ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Tajani classificou a imigração irregular e descontrolada como “um perigo para a segurança nacional” e acusou o Governo de Madrid de ter cometido um erro “profundo” ao conceder cidadania espanhola e, por extensão europeia, a mais de 500 mil imigrantes irregulares.
Em resposta, o chefe da diplomacia espanhola, José Manuel Albares, convocou o embaixador de Itália em Espanha depois da mensagem “imprópria” de Tajani. O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, tem viagem marcada para Ceuta amanhã.
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Bruxelas está também a monitorizar a crise e ofereceu o “aumento do apoio a Espanha”, através por exemplo da Frontex, a agência europeia de Fronteiras. O comissário para os Assuntos Internos, Magnus Brunner, está também em contacto com as “autoridades marroquinas para garantir que se realizam todos os esforços necessários para prevenir estas passagens perigosas”.
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A crise gerou também reações fora da Europa. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, recordou a necessidade de serem respeitados “os direitos e a dignidade” de todas as pessoas que chegam a Ceuta, citado por o El País.
Já a Casa Branca atribuiu a situação às políticas de “extrema-esquerda” de Espanha: “Trump tem vindo, há muito tempo, a alertar a Europa para as consequências de continuar a implementar políticas globalistas de extrema-esquerda, como a facilitação da migração em massa. Espanha e outros países que adotaram esta filosofia destrutiva devem corrigir o rumo de imediato ou arriscam-se ao seu próprio desaparecimento”, afirmou à agência EFE Anna Kelly, subsecretária de Imprensa da Casa Branca.
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