Jet fuel castiga lucro operacional da Lufthansa no segundo trimestre e obriga a corte de meta
Na corrida à privatização da TAP, companhia alemã viu lucro líquido tombar para 123 milhões no trimestre, de mil milhões há um ano. Ações tombam 10% para mínimos de junho.
A Lufthansa, que na passada quarta-feira confirmou a apresentação de uma oferta vinculativa para uma participação de até 49,9% na TAP, anunciou que o lucro líquido caiu para 123 milhões de euros no segundo trimestre, face a mil milhões no mesmo período do ano passado, penalizado pelo aumento do custo do jet fuel devido à guerra no Irão.
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A empresa, que vai concorrer com o grupo Air France-KLM na corrida à TAP, informou esta terça-feira que aumentou as suas receitas no segundo trimestre em 8%, em termos homólogos para 11,1 mil milhões de euros. No entanto, a empresa registou um resultado operacional (EBIT ajustado) de 383 milhões de euros, o que representa uma “queda significativa” em comparação aos 870 milhões do segundo trimestre de 2025. O resultado ficou também abaixo da previsão média dos analistas, de 401 milhões de euros, segundo um consenso elaborado pela empresa.
Em reação aos resultados , as aç
“Hoje, refletimos sobre um segundo trimestre desafiante, que foi mais uma vez marcado por múltiplas crises geopolíticas e incertezas“, afirmou o CEO, Carsten Spohr, citado em comunicado. “Apesar da melhoria adicional na taxa de ocupação e de um aumento significativo no rendimento, não conseguimos compensar totalmente o aumento considerável dos custos com combustível”
Os principais fatores responsáveis pela queda nos resultados foram os custos com combustível, que ficaram aproximadamente 750 milhões de euros acima do nível do ano anterior, bem como os encargos financeiros de, pelo menos, 150 milhões de euros causados por greves, explicou a empresa.
A compensar estes fatores estiveram os rendimentos melhorados, que ficaram mais de 13 % acima do nível do ano anterior nas rotas asiáticas. A margem do EBIT ajustado contraiu-se para 3,4%, face a 8,4% em 2025.
A pressão nos resultados obrigou a Lufthansa a cortar a meta anual para o lucro operacional prevendo agora um EBIT ajustado entre 1,7 e 2,2 mil milhões de euros para o exercício de 2026, face à anterior projeção de 1,96 mil milhões de euros.
“O limite superior deste intervalo continua a representar um resultado significativamente superior ao do ano anterior, mantendo-se assim em linha com a ambição de resultados anteriormente definida”, referiu a companhia aérea alemã. “Este intervalo reflete a maior incerteza decorrente da elevada volatilidade dos preços do querosene e da redução dos ciclos de reserva no setor de passageiros“, sublinhou.
A Lufthansa anunciou que pretende retirar de serviço ou imobilizar temporariamente várias aeronaves para otimizar as operações, reduzir o consumo de combustível e limitar a exposição aos custos de combustível não cobertos por contratos de cobertura, indicando que tal incluiria a retirada antecipada de serviço de aeronaves de longo curso com elevado consumo de combustível, como o Airbus A340-600, e a imobilização temporária de dois Boeing 747-400 a partir do início do horário de voos de inverno.
A empresa acrescentou que 86 % das suas necessidades de combustível para este ano estão cobertas por contratos de cobertura, adiantando que prevê agora que os custos com combustível em 2026 ascenderão a 8,66 mil milhões de euros, em comparação com uma previsão anterior de 8,9 mil milhões de euros.
Corrida contra Air France-KLM
Na passada quarta-feira a Lufthansa confirmou a entrega da proposta firme pela transportadora portuguesa, dizendo que a aquisição de uma participação minoritária inicial tem como objetivo estabelecer uma parceria de longo prazo entre o Grupo Lufthansa e a TAP Air Portugal, de forma a assegurar, de forma sustentável, o futuro de sucesso da TAP enquanto companhia aérea nacional de Portugal.
Adiantou na altura que pretende reforçar a companhia aérea nacional portuguesa como parte do Grupo Lufthansa e como a principal companhia aérea para o Atlântico Sul, tendo Lisboa como hub estratégico, explicando que com a SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways, já demonstrou como a integração europeia no grupo garante perspetivas de crescimento e desenvolvimento para os mercados e hubs de origem, mantendo ao mesmo tempo a a identidade nacional de cada uma delas.
A proposta vinculativa já inclui uma proposta financeira firme com o valor a pagar por 44,5% da companhia aérea, percentagem que pode subir caso os 5% destinados aos trabalhadores não sejam inteiramente subscritos.
A Parpública terá agora 30 dias para avaliar a documentação e entregar um relatório ao Governo, podendo pedir esclarecimentos adicionais às companhias. Neste caso, o prazo é suspenso até serem enviadas as informações solicitadas. Depois de ter o relatório da Parpública, o Executivo poderá optar ainda por convidar um ou os dos candidatos a apresentar uma oferta final melhorada. O ministro das Infraestruturas já afirmou que quer fechar a escolha do futuro parceiro da TAP em setembro.
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