CTT voltam a afundar para mínimo histórico nos 5 euros

"Profit warning" dos Correios continua a ser altamente penalizado pelo mercado. Ações voltam afundar 3% esta quarta-feira para os cinco euros.

O aviso dos CTT de que o final do ano passado foi pior do que o esperado para os resultados da cotada está a ser levado à séria pelo mercado, que continua a castigar as ações pela quarta sessão seguida. Os títulos dos Correios perdem mais de um quinto do seu valor só este ano e chegam esta quarta-feira a cotar nos cinco euros.

A empresa lidera por Francisco Lacerda anunciou na passada sexta-feira que o negócio da distribuição de cartas quebrou no último trimestre de 2016. Com isso, o EBITDA — lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — deverá ter recuado entre 4% e 7% naquele período — sem contar com o Banco CTT. Mantém o dividendo de 0,48 euros, o que não está, ainda assim, a convencer os investidores.

As ações estão a cair esta quarta-feira 3% para os cinco euros, uma barreira psicológica que marca um novo mínimo histórico para a empresa que chegou à bolsa no dia 5 de dezembro de 2013 a valer 5,52 euros. Chegaram a valer 10,64 euros em abril de 2015. Atualmente, a preços de mercado, os CTT estão avaliados em 750 milhões de euros.

CTT perdem 22% desde o início do ano

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Fonte: Bloomberg (valores em euros)

Este mau momento para a cotada liderada por Francisco Lacerda surge num momento de transformação do negócio. O Banco CTT, lançado em março do ano passado, deverá continuar a pressionar os resultados. Em nove meses de atividade, o banco postal havia captado mais de 250 milhões de euros em depósitos dos seus mais de 100 mil clientes que conquistou neste período. E no final do mês passado lançou-se no competitivo mercado do crédito à habitação, com uma taxa de spread ligeiramente acima do que está a ser praticado pelos restantes bancos a operar no mercado nacional: 1,75%.

Em relação à sua atividade principal, a queda de tráfego postal na reta final do ano foi justificada com o “impacto relevante dos feriados naquele período (menos três dias úteis do que no quatro trimestre de 2015)”. Esta diminuição do volume de correspondência distribuída surge depois de um dos seus principais clientes, o Estado, ter anunciado em novembro que vai prescindir das cartas para notificar os cidadãos por via eletrónica.

“Acreditamos que mais do que o efeito negativo do aviso, o principal problema dos investidores tem mais a ver com a credibilidade da gestão depois de três “profit warnings” consecutivos”, referiram os analistas do Haitong, que mantêm algum otimismo e uma recomendação de compra sobre os títulos do CTT, com um preço alvo de 7,10 euros.

“As nossas razões para continuarmos positivos nos CTT, apesar do fraco momento, são: i) pensamos que a empresa consegue manter o EBITDA do seu negócio, excluindo o banco postal; ii) mantemos a visão do dividendo como sustentável aos níveis atuais; iii) potenciais operações de fusões e aquisições para consolidar a atividade de E&P (Expresso e encomendas), que poderia ser valorizado; iii) balanço rico em numerário e capacidade para gerar fluxo de caixa no negócio tradicional; iv) potencial do banco postal”, enumera o banco de investimento.

Os analistas concluem: “A gestão dos CTT precisa agora de focar-se na execução das suas medidas de aumento das receitas, no turnaround do E&P e com isso reconquistar a confiança dos investidores”.

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