Assembleia despede-se de Soares, a personalidade que marcou a Democracia

  • Leonor Rodrigues
  • 11 Janeiro 2017

A Assembleia da República lembrou hoje Mário Soares e aprovou por unanimidade o voto de pesar. A sessão contou com a intervenção de todos os partidos políticos presentes no Parlamento.

Fotografia: Paula Nunes
Fotografia: Paula Nunes

No terceiro e último dia de luto nacional realizou-se esta tarde a sessão evocativa a Mário Soares, na Assembleia da República, onde todos os partidos com representação no Parlamento prestaram homenagem ao socialista que morreu no sábado, dia 7 de janeiro, aos 92 anos de idade.

Augusto Santos Silva, o ministro dos Negócios Estrangeiros, falou em representação do Governo e afirmou que “para desenvolver Portugal é preciso conhecer a sua história”, da qual faz parte Soares, que combateu o isolamento do país. “Devemos muito a Mário Soares. Do fundo do coração, obrigado Mário Soares”, acrescentou.

"Devemos muito a Mário Soares. Do fundo do coração, obrigado Mário Soares.”

Augusto Santos Silva

André Silva, do PAN, também afirmou que Soares foi “uma das figuras políticas mais marcantes dos séculos XX e XXI”, e “uma figura ímpar em Portugal e na Europa”. O deputado lembrou ainda que “independentemente das imperfeições que tinha e dos erros que cometeu […], Soares ensinou-nos que desistir não é o caminho e que o futuro existe desde que não deixemos de sonhar”. André Silva lamentou a perda do socialista, que considerou uma das vozes incontornáveis da Democracia portuguesa.

José Luís Ferreira, dos Verdes, foi outro dos intervenientes da sessão. Quer se concorde com os ideais de Soares ou não, na opinião do ecologista “estamos a falar de um homem que marcou incontornavelmente o nosso país […], que lutou conta o regime fascista e a ditadura” e que, por essa razão, “merece o nosso respeito”.

João Oliveira, do PCP, lembrou o socialista como um homem de convicções profundas e que lutou contra o fascismo mas não deixou de recordar as divergências que o seu partido teve com Mário Soares, nomeadamente na adesão à União Europeia – na altura Comunidade Económica Europeia (CEE).

Fotografia: Paula Nunes
Fotografia: Paula Nunes

“[Mário Soares] foi um homem de convicções que marcou a História de Portugal”, afirmou Nuno Magalhães (CDS). O líder parlamentar do partido recordou a oposição “corajosa ao Estado Novo”, a combatividade e a frontalidade do número um do PS. “Não esquecemos a importância de Mário Soares na abertura de Portugal ao mundo”, afirmou, ainda que considere que ainda existem objetivos por cumprir. Magalhães não deixou ainda de relembrar a “discordância [do CDS] com o projeto de descolonização”, que considera ter sido “apressado e que trouxe sofrimento a muitos portugueses”. No entanto, reiterou que Soares “sempre defendeu os valores da Democracia”.

Fotografia: Paula Nunes
Fotografia: Paula NunesPaula Nunes/ ECO

Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, relembrou os tempos de exílio de Mário Soares mas que marcou presença nos “momentos fundamentais” de Portugal, dando o exemplo da candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República. No entanto, o bloquista também não deixou de parte as lembranças das “duras medidas de austeridade” na altura do Governo de bloco central (PS/PSD), em 1983, e a adesão de Portugal à CEE.

Luís Montenegro (PSD) voltou a falar da importância que Soares teve no combate ao fascismo, à ditadura e ao isolacionismo do país. “Mais do que qualquer vitória eleitoral, a grande vitória de Mário Soares foi nunca ter desistido de lutar pelo primeiro artigo da Constituição Portuguesa” (o artigo 1º diz que “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária”) e pela Democracia. “Divergimos de Mário Soares muitas vezes […] mas nunca nos separámos dele num ponto fulcral, defender a Democracia […]. Por isso estivemos com ele em 74 e 75 e na década seguinte e no processo de integração à União Europeia”, disse o social-democrata.

"Mais do que o militante número um do PS, Mário Soares foi o militante número um da Democracia.”

Carlos César

Fotografia: Paula Nunes

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Carlos César (PS) foi o último interveniente da sessão evocativa. O socialista lembrou que Soares lutou pelos seus direitos desde a juventude. “Sem o Mário Soares antifascista […] não teríamos o Mário Soares que viria a ser o maior agente da consolidação da nossa Democracia […] que a todos reúne neste casa”, disse Carlos César que afirmou ainda que os portugueses devem a Soares “a projeção universal de Portugal” e que “mais do que o militante número um do PS, Mário Soares foi o militante número um da Democracia”.

Fotografia: Paula Nunes
Fotografia: Paula Nunes

No final da sessão, Eduardo Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, anunciou o voto de pesar por unanimidade. Seguiu-se um minuto de silêncio em memória de Mário Soares e ouviu-se o Hino Nacional no Parlamento.

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