Lagarde rejeita cenário de estagflação na Europa. “É um conceito dos anos 70, associado a circunstâncias que hoje não se verificam”
Presidente do BCE considerou que os riscos em torno da inflação, em alta, e do crescimento, em baixa, estão atualmente mais equilibrados do que estavam há "algumas semanas".
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) considerou esta quinta-feira que o conceito de estagflação, geralmente entendido como a combinação de baixo crescimento e alta inflação, está ultrapassado, recusando ser o cenário a que se assiste na Europa. Christine Lagarde justificou a sua posição com o facto do mercado de trabalho continuar dinâmico e garantiu mais uma vez que o banco central tomará as medidas necessárias para controlar a inflação.
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“A estagflação é um conceito dos anos 70, associado a circunstâncias que hoje não se verificam. Atualmente, estamos perto dos níveis historicamente mais baixos de desemprego”, disse Christine Lagarde durante o painel de governadores, no qual participou no último dia do Fórum do BCE, em Sintra, ao lado do presidente da Reserva Federal norte-americana, Kevin Warsh, do governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, e do governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem.
A responsável do BCE realçou que a taxa de participação no mercado de trabalho continua a aumentar. “Haverá empregos diferentes, mas o emprego continua a crescer. E estamos a tomar todas as medidas necessárias para garantir a estabilidade dos preços“, argumentou.
A estagflação é um conceito dos anos 70, associado a circunstâncias que hoje não se verificam. Atualmente, estamos perto dos níveis historicamente mais baixos de desemprego.
Na mesma linha, garantiu a compromisso com a redução da inflação em direção à meta de 2%. “Não vamos permitir que a inflação saia do controlo ou que o génio saia da lâmpada, fazendo a inflação disparar”, acrescentou.
Numa altura em que governadores em que o otimismo de governadores dos bancos centrais da Zona Euro continua contido, a presidente do BCE considerou que “os riscos em torno da inflação, em alta, e do crescimento, em baixa, estão hoje mais equilibrados do que estavam há apenas algumas semanas, em resultado da rapidez com que os acontecimentos evoluem”.
Como exemplo apontou a velocidade com que o preço do petróleo caiu para cerca de 72 dólares por barril, depois de ter atingido 120 dólares em março.
Na última reunião, o BCE subiu as três taxas de juro em 25 pontos base, devido à escalada da inflação na sequência da guerra no Irão.

Arrependimento de ficar vinculada ao forward guidance
A presidente do BCE admitiu esta quarta-feira sentir-se arrependida de se ter sentido presa ao forward guidance, utilizado como instrumento de comunicação de política monetária, defendendo a opção de “enquadramento de orientação” recentemente adotado pela instituição.
“Se tenho um arrependimento é o de me ter sentido limitada e vinculada ao forward guidance“, disse ainda Christine Lagarde durante o painel de governadores.
O forward guidance (orientação futura) é um instrumento de política monetária não convencional de comunicação utilizado pelo BCE e pela Reserva Federal norte-americana nos últimos anos, para sinalizar as suas intenções futuras em matéria de política monetária. Deste modo, o banco central dava indicações ao mercado sobre a trajetória esperada das taxas de juro, com o objetivo de apoiar a estabilização do mercado.
Durante o debate, Lagarde defendeu o que denomina de “orientação de enquadramento”, defendendo que atualmente o banco central também informa os mercados e os especialistas financeiros sobre a forma como se desencadeou a orientação de política monetária.
“Chamei-lhe não forward guidance, mas orientação de enquadramento, para que aqueles que estão interessados em perceber como chegámos a uma determinada decisão compreendam o que temos em conta, o processo intelectual que seguimos e os indicadores a que estamos particularmente atentos, para que tenham também de fazer um pouco mais de trabalho por si próprios“, explicou.

(Notícia atualizada às 15h21)
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