Mais-valia com venda da Secil cimenta lucros de 570 milhões da Semapa no primeiro semestre
O resultado líquido da 'holding' da família Queiroz Pereira foi seis vezes superior ao dos primeiros seis meses de 2025, mas as vendas caíram 8,7% devido à "performance inferior" da Navigator.
A Semapa teve lucros de 570,1 milhões de euros no primeiro semestre, o que significa que o resultado líquido foi seis vezes superior ao registado nos primeiros seis meses de 2025, quando lucrou 89,5 milhões de euros.
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A holding da família Queiroz Pereira, que beneficiou da mais-valia provisória com a venda da cimenteira Secil, registou um volume de negócios de 979,1 milhões de euros, menos 8,7% em termos homólogos, de acordo com o relatório financeiro publicado esta sexta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Sem o impacto da mais-valia do negócio que fez com a espanhola Cementos Molins, o resultado líquido seria de 53,9 milhões de euros, abaixo dos 89,5 milhões de euros no período homólogo.
A motivar a queda da faturação da Semapa esteve a papeleira Navigator, que contraiu 14,8%, para 868,6 milhões de euros, empurrada pela redução dos preços e das quantidades vendidas. Por outro lado, a área de outros negócios – onde se inclui a ETSA (transformação de subprodutos animais), a Triangle’s (componentes para bicicletas) e a Imedexa (estruturas para redes elétricas) – duplicou as receitas (+108%) para 110,6 milhões de euros.
A subida nas vendas dos outros negócios da Semapa “reflete a incorporação da Imedexa, compensou parcialmente a diminuição registada na Navigator, decorrente da queda dos preços e das quantidades vendidas, apesar do bom desempenho do packaging, que, em conjunto com o tissue, representam atualmente mais de 30% do volume de negócios da Navigator”, explicou o grupo liderado por Ricardo Pires, no documento publicado pela CMVM.
Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado da Semapa totalizou 156,8 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, menos 29,4% em comparação com o mesmo semestre de 2025, devido à “performance inferior” da Navigator”.
No que diz ao respeito ao capex, o grupo Semapa manteve uma política de investimento, concretizando um volume total de 208,4 milhões de euros, incluindo 34,4 milhões para o braço de capital de risco Semapa Next, que reafirmou a aposta na participada Gropyus (construção modular) e investiu em startups como a CarbonRe (otimização de processos industriais) e a Jupus (tecnologia para setor jurídico).
Neste envelope estiveram também cerca de 165 milhões em ativos fixos, de onde se destaca a Navigator com 127,3 milhões de euros para investimentos em matérias ambientais ou de cariz sustentável.
Pasta, papel e tissue desanimam, mas embalagens crescem 40%
Dentro do universo Navigator, cujo peso no negócio da holding é de 89%, foram os segmentos de papel (-11%) e de pasta (-31%) que penalizaram a faturação. Em causa esteve “a menor disponibilidade nos primeiros meses do ano (perturbações na produção, constituição de stock e impacto das paragens programadas)”.
A área de tissue, onde se inserem rolos de cozinha, papel higiénico, lenços e guardanapos, também sofreu com o aumento da competitividade no Reino Unido (-16%).
Em sentido contrário, o segmento de embalagens (packaging) cresceu 40,8% em vendas, para 52,8 milhões de euros, e ainda mais (+50%) em toneladas vendidas entre janeiro e junho, relativamente aos mesmos meses de 2025, fruto da maior penetração em segmentos de baixas gramagens.
No final de junho de 2026, a dívida líquida era de 27,0 milhões de euros, abaixo dos 979,1 milhões de euros a 31 de de dezembro de 2025, essencialmente, por causa do encaixe da alienação da Secil, bem como uma diminuição da dívida da Navigator (-10,4 milhões de euros).
Notícia atualizada às 20h23 com mais informação
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