Lucros da Caixa sobem para 913 milhões apesar de quebra na margem financeira
Lucros da Caixa crescem 2,2% na primeira metade do ano, com aumento das receitas das comissões e com a reversão de provisões e imparidades para crédito.
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) lucrou 913 milhões na primeira metade deste ano, uma subida de 2,2% face aos 893 milhões registados no período homólogo.
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Para Paulo Macedo, CEO do banco público, estes números refletem “crescimento financeiro sim, mas sobretudo transformação para os próximos anos”. O responsável salientou ainda “aspetos como o ESG e um balanço robusto para o futuro, que é algo que apresentamos com satisfação, neste semestre”, acrescentou.
A margem financeira reduziu-se em 3%, para 1,24 mil milhões de euros, enquanto o produto bancário recuou 4%, para 1,59 mil milhões. A pressionar o resultado líquido estiveram fatores como o contributo de área internacional, que caiu ligeiramente sobretudo por efeito cambial e por “algum efeito das taxas de juro”, segundo António Valente, administrador do banco.
Este responsável fez ainda questão de salientar “o grande aumento dos custos de equipamentos e serviços de tecnologia”, num período em que a Caixa está a levar a cabo um plano de investimentos nesta área, tanto em inteligência artificial como em cibersegurança.
As provisões e imparidades voltaram a dar um bom contributo, uma vez que a Caixa reverteu algumas delas, no valor de 173 milhões de euros, face à reversão de 116 milhões de há um ano. Estas reversões, respeitantes a crédito, têm a ver com a recuperação ou liquidação de empréstimos antigos e também à afinação do modelo e de análise individual, tendo em atenção o momento económico do país, que continua a ser positivo.
Houve também uma ajuda na fatura de impostos, devido ao impacto da descida do IRC e ainda um acerto, positivo, relativo a impostos da filial moçambicana. De um ano para o outro, os impostos baixaram 8%, ou 32 milhões de euros.
No crédito, houve um crescimento de 10%, para mais de 55 mil milhões de euros. António Valente, administrador da Caixa, falando na apresentação de resultados do banco, salientou ainda que o segundo trimestre do ano trouxe um novo recorde histórico na concessão de crédito, com mais 1,82 mil milhões de euros em apenas três meses.
“O crédito à habitação é um dos campeões dos números da Caixa no primeiro semestre”, afirmou o responsável, afirmando que a quota do banco voltou a crescer neste segmento. E desvalorizou uma possível bolsa ou riscos sistémicos: “Ultrapassámos o valor simbólico dos 30 mil milhões de euros, mas esse valor já a Caixa tinha em 2007, é inferior ao que havia em 2010”, quando este segmento representava uma fatia bem maior do PIB.

Houve crescimentos tanto no crédito como nos depósitos, mas levando o rácio de transformação a subir para 68%, fruto de uma concessão de crédito acima dos recursos captados.
Há vários trimestres que dizemos que não estamos satisfeitos com o nosso rácio de transformação. Temos capital, temos liquidez, temos pessoas, temos vontade, queremos dar mais crédito. O rácio subiu 2 pontos, esperamos que suba mais até final do ano mas não ficaremos satisfeitos. Queremos mais, mas não o faremos de qualquer maneira. Podemos dar mais crédito e vamos dar mais crédito
Paulo Macedo quer, ainda assim, dar mais crédito, mas “não a todo o custo”. “Há vários trimestres que dizemos que não estamos satisfeitos com o nosso rácio de transformação. Temos capital, temos liquidez, temos pessoas, temos vontade, queremos dar mais crédito. O rácio subiu 2 pontos, esperamos que suba mais até final do ano mas não ficaremos satisfeitos. Queremos mais, mas não o faremos de qualquer maneira”, afirmou, lembrando que também cabe às empresas acreditarem que os seus projetos de investimento possam render mais do que ter o dinheiro em depósitos.
Mas uma coisa parece clara: “Podemos dar mais crédito e vamos dar mais crédito”, com particular foco nas empresas, também as de menor dimensão, enquanto a habitação espera-se que continue forte. Nos recursos de clientes, houve um crescimento de cerca de 5%.
António Valente deixou ainda a mensagem de que esta terá sido a última apresentação de resultados da Caixa nas atuais instalações, uma vez que as equipas centrais do banco deverão mudar-se para a nova sede, no Parque das Nações, em breve.
“Teria sido mais cómodo continuarmos neste edifício, apertávamo-nos um bocadinho, mas um banco que se quer líder de mercado e transformar-se permanentemente, tem de saber viver com o desconforto que a mudança comporta“. E acrescentou que “esta nova sede está construída para ter uma nova forma de trabalho, mais colaborativa, mais inovadora, sempre tendo como referência os valores da Caixa, o valor do rigor, da solidez, da inovação, da excelência, sempre tendo como mote servir o país”.
Banco brasileiro quase vendido
Foi hoje conhecido que o Estado deu luz verde à proposta da administração da CGD para vender a sua operação no Brasil à MD Capital, mas Paulo Macedo não dá o tema já como fechado totalmente. “Foi dado mais um passo muito importante, serão necessários outros passos” para a venda estar concluída, nomeadamente os processos de autorização no Brasil.
Paulo Macedo referiu-se ao relançamento da venda como um sinal de perseverança do banco público. “Nunca estamos disponíveis para vender um ativo a qualquer preço”, afirmou, dizendo que, se assim não fosse, a CGD já o poderia ter feito no passado.
“Temos uma estratégia e somos perseverantes. Portanto, pode demorar um ano, dois anos, três anos. Se acharmos que a conjuntura não se altera, que os fatores estruturais também não se alteram, seguimos [com um processo]”, afirmou.
O banqueiro adiantou ainda que, com esta venda, deverá haver lugar a uma libertação de provisões que a CGD tinha feito relativamente a esta unidade de negócio.
(Notícia atualizada às 18:37 com mais informações da conferência de imprensa)
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