Sarmento respira de alívio. Crescimento da economia mais próximo da meta anual de 2%

Os dados da primeira metade do ano permitem garantir, pelo menos, um crescimento anual de cerca de 1,8%, superando as projeções das instituições económicas.

O ministro das Finanças já tinha sinalizado que as perspetivas para o comportamento da economia no segundo trimestre eram positivas, mas os dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) vieram trazer um novo fôlego a Joaquim Miranda Sarmento. Numa altura em que no Terreiro do Paço se fazem contas para o Orçamento do Estado do próximo ano, a resiliência da economia portuguesa volta a surpreender e permite garantir pelo menos um crescimento anual de 1,8% em 2026, reforçando a probabilidade de que não ficará longe da meta do Governo.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Depois de ter registado praticamente uma estagnação em cadeia no arranque do ano (0,1%), na sequência do ‘comboio’ de tempestades, o crescimento da economia acelerou significativamente, situando-se em 0,8% no segundo trimestre, apesar do contexto internacional marcado pela guerra no Médio Oriente. Um valor que se aproxima daqueles que foram registados ao longo dos três últimos trimestres do ano passado e que significam o dobro do registado na Zona Euro (0,4%).

Fonte: INE

Os dados do organismo nacional de estatística ainda são preliminares pelo que não detalham os contributos de cada componente para a evolução do PIB. Contudo, de acordo com o INE, o comportamento resulta, por um lado, do contributo da procura interna, que se manteve positivo, embora inferior ao trimestre anterior, devido a um crescimento mais intenso do consumo privado, que compensou a redução do investimento. Por outro lado, do facto do contributo da procura externa líquida ter passado a positivo, com as importações de bens e serviços a registarem um abrandamento mais significativo que as exportações.

Porém, a aceleração do crescimento da economia não se verificou apenas na comparação em cadeia, mas também na homóloga. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,5%, após ter subido 2,4% nos primeiros três meses do ano. Números entre os países da Zona Euro para os quais há dados disponíveis que colocam Portugal com a terceira maior taxa homóloga (2,5%), apenas ultrapassado pela Lituânia (3,8%) e por Espanha (2,7%).

A explicar esta evolução está, mais uma vez, a aceleração no consumo privado, ainda que insuficiente para contrabalançar a desaceleração do investimento e que levou a uma redução do contributo positivo da procura interna. Mas também o contributo menos negativo da procura externa, na sequência de uma aceleração “mais pronunciada” nas exportações do que nas importações.

A primeira estimativa do INE aponta para um crescimento homólogo das exportações de bens de 10% no segundo trimestre, invertendo a tendência de queda registada desde o terceiro trimestre do ano passado, e um aumento de 8,2% das importações.

Deste modo, apesar de apenas em setembro, quando os resultados detalhados forem divulgados, ser possível fazer uma estimativa mais fina, os cálculos permitem já inferir que a expansão do PIB não ficará muito distante da meta anual do Governo de 2%, inscrita no plano orçamental de médio prazo enviado, em abril, a Bruxelas.

Isto porque, mesmo num cenário totalmente pessimista e hipotético, em que a economia não crescesse no segundo semestre, uma subida anual de 1,8% está garantida. Uma taxa que fica a apenas 0,1 pontos percentuais (pp.) da verificada no ano passado e que corresponde também à projeção do Banco de Portugal e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a mais otimista entre as principais instituições económicas nacionais e internacionais. Deste modo, supera também os 1,6% previstos pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP) e os 1,7% pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Num cenário totalmente pessimista, em que a economia não crescesse no segundo trimestre, uma expansão anual do PIB de 1,8% está garantida.

Caso as previsões trimestrais do Banco de Portugal e da Comissão Europeia, que andam num intervalo entre 0,4% e 0,5%, se concretizarem no terceiro e quarto trimestre, o objetivo de 2% será mesmo superado, já que permitem ao PIB avançar cerca de 2,1% ou 2,2%, respetivamente, não muito longe dos 2,3% projetados inicialmente no Orçamento do Estado para 2026 (OE2026).

Dados que não são de somenos numa altura de preparação do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), onde as previsões do Executivo para o cenário macroeconómico e orçamental podem ser revistas, mas também numa altura em que o Governo avalia se avança ou não com o ‘bónus’ extraordinário aos pensionistas, que, a par da atualização intercalar das tabelas de retenção na fonte, tem ajudado a impulsionar o consumo no segundo semestre do ano.

A medida que ocorreu pela primeira vez em 2024 foi anunciada pela primeira vez durante a rentrée do PSD, na tradicional Festa do Pontal, em Quarteira. No ano passado, o anúncio foi antecipado para o debate do Estado da Nação, em julho, mas este ano a decisão continua em aberto, com o ministro das Finanças a explicar que a decisão depende da “margem orçamental” disponível.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Sarmento respira de alívio. Crescimento da economia mais próximo da meta anual de 2%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião