Lagarde rejeita críticas. Aumento dos juros não foi “subida de segurança”, defende
Presidente do Banco Central Europeu justifica que manter as taxas de juro inalteradas teria deixado a inflação acima da meta de 2% tanto em 2027 como em 2028.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, rejeitou esta segunda-feira que a subida das taxas de juro em 25 pontos base na última reunião da instituição tenha servido como “segurança”, justificando que manter as taxas constantes teria deixado a inflação acima de 2% no próximo ano e em 2028.
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“Houve quem caracterizasse a subida das taxas de juro que efetuámos em inícios deste mês como uma “subida de segurança”. Esta descrição não é correta“, afirmou a líder do BCE durante o discurso proferido no jantar de boas-vindas do Fórum BCE, que arranca esta segunda-feira em Sintra e se estende até quarta-feira.
Na reunião de 11 de junho, e na sequência da guerra no Médio Oriente, o banco central decidiu subir as três taxas de juro em 25 pontos base com o objetivo de assegurar que a inflação estabiliza no objetivo de 2% a médio prazo.
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"Houve quem caracterizasse a subida das taxas de juro que efetuámos em inícios deste mês como uma “subida de segurança”. Esta descrição não é correta.”
Segundo Lagarde, a decisão resultou de uma avaliação concreta das perspetivas para a inflação e não de uma tentativa de criar uma margem de segurança para riscos futuros. A líder do BCE detalhou que as projeções do Eurosistema apontavam para uma subida da inflação global e da inflação subjacente, prevendo um regresso ao objetivo de 2% apenas no último trimestre de 2027, sendo que mesmo esse cenário pressupunha um novo ajustamento da política monetária.
A análise indicava ainda que manter as taxas de juro inalteradas teria deixado a inflação acima da meta tanto em 2027 como em 2028.
“Esta decisão baseou-se naquilo que vimos diante de nós. A nossa capacidade de a tomar com confiança, num contexto marcado por considerável incerteza, é o produto de anos de investimento nos nossos dados, indicadores e projeções“, argumentou.
A defesa da decisão surge numa altura em que o BCE procura reforçar a credibilidade da sua estratégia de atuação num contexto de elevada volatilidade geopolítica. Ao longo do discurso, Lagarde argumentou que o banco central dispõe atualmente de instrumentos analíticos mais eficazes do que aqueles que tinha durante o surto inflacionista de 2022.
Como exemplo, apontou, o BCE desenvolveu novos indicadores de inflação subjacente, “melhorou” os modelos de previsão para os preços do petróleo, do gás e da eletricidade e passou a recorrer de forma sistemática à análise de cenários para testar diferentes evoluções possíveis da economia. Segundo a presidente do banco, estas melhorias permitiram reduzir os erros de previsão observados durante a recente crise energética.
Lagarde realçou ainda a importância da ferramenta de análise por cenários utilizada na reunião de junho. Além dos cenários adversos já considerados em março, o BCE introduziu um cenário alternativo que admitia uma descida mais rápida dos preços da energia, refletindo a possibilidade de uma resolução acelerada das tensões no Médio Oriente e da reabertura do estreito de Ormuz. Ainda assim, explicou, em todos os cenários analisados a subida das taxas continuava a revelar-se a resposta adequada.
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