Júri dos prémios ECO/CIMPOR defende a valorização de carreiras diversas
Talento jovem, futuro do ensino de gestão, e os critérios de seleção dos galardoados foram tema no debate com os três membros do júri, moderado pelo subdiretor do ECO, Tiago Freire.
“Falamos muito dos governos, dos ministros, das decisões, do Estado. E, às vezes, falamos pouco sobre o que se faz bem, sobre quem faz, quem gere, quem lidera”, reconheceu António Costa, diretor do ECO, na abertura da cerimónia dos Prémios ECO/CIMPOR. O evento, fruto de uma parceria com a CIMPOR, nasceu com o propósito de distinguir anualmente boas práticas de gestão e líderes jovens que já são exemplos a seguir.
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Para garantir a independência, o ECO convidou três diretores de escolas de gestão para compor o júri: Filipe Santos, dean da Católica Lisbon School of Business and Economics, Óscar Afonso, dean da Faculdade de Economia do Porto, e Pedro Oliveira, dean da Nova SBE. “Queríamos que tivesse uma avaliação independente e um sentido de exigência crítica”, sublinhou António Costa, diretor do ECO. As deliberações, apontou, nem sempre foram fáceis, mas o resultado foi unânime.
Pensei em quem é que me inspira e quem eu gostaria que fossem exemplos para os meus alunos. Se não conseguirem fazer melhor e fizerem assim, já é espetacular
Na mesa-redonda que se seguiu, moderada pelo subdiretor do ECO Tiago Freire, os três professores explicaram o que pesou nas escolhas. Para o ECO/CIMPOR Lifetime Achievement Award, que reconhece trajetórias de referência no setor empresarial, o júri valorizou o impacto duradouro e a capacidade de deixar legado. “O que me preocupa mais é o tema da liderança servidora, que serve não para agradecer ao próprio líder, mas para servir as organizações e a sociedade em geral”, afirmou Filipe Santos. Mas a escolha da vencedora acabou por ser rápida: Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive.
Para o ECO/CIMPOR Rising Stars Award, que celebra gestores com menos de 40 anos que se destacam pela inovação e liderança colaborativa, a deliberação foi mais demorada, mas chegou igualmente a consenso. “Pensei em quem é que me inspira e quem eu gostaria que fossem exemplos para os meus alunos. Se não conseguirem fazer melhor e fizerem assim, já é espetacular”, considerou Pedro Oliveira. O júri foi também unânime na diversidade de perfis. “Achámos importante trazer outro tipo de rising stars, também pessoas dentro das organizações que eventualmente não fundaram, porque não há muitas iniciativas para valorizar este tipo de pessoas”, acrescentou.
As perspetivas de carreira não são muito interessantes. Eles não conseguem perceber o que conseguem fazer se ficarem cá
A conversa abordou igualmente o tema do estado do talento em Portugal, e o diagnóstico dos três júris seguiu uma linha comum. Na opinião dos professores há um desajustamento entre a qualificação dos jovens e o que o tecido empresarial lhes oferece. “Existe um descasamento entre as qualificações de quem acaba a formação e o que encontra no país”, apontou Óscar Afonso, lembrando a carga fiscal e a habitação como fatores que empurram talento para fora. Pedro Oliveira acrescentou que o problema vai além do salário e que “as perspetivas de carreira não são muito interessantes. Eles não conseguem perceber o que conseguem fazer se ficarem cá”.
Só o Reino Unido e a França têm mais escolas nesse ranking de mestrados em finanças. Os Estados Unidos, a Itália, a Alemanha ou a Suíça têm menos do que Portugal
Filipe Santos reconheceu ainda o imobilismo das organizações no que toca à atribuição de mais peso e responsabilidade aos jovens, mas apontou uma mudança em curso motivada pela revolução tecnológica, que vai forçar as empresas a dar mais espaço à geração mais jovem. O professor na Católica Lisbon School of Business and Economics trouxe dados sobre o potencial do país, e recordou que 10% das escolas do top 60 mundial de mestrados em finanças são portuguesas. “Só o Reino Unido e a França têm mais escolas nesse ranking. Os Estados Unidos, a Itália, a Alemanha ou a Suíça têm menos do que Portugal”.
No entanto, há desafios, nomeadamente aqueles trazidos pelo advento da inteligência artificial, que marca cada vez mais o mundo do trabalho e do ensino. “Por um lado, os alunos têm de sair proficientes na sua utilização. Por outro lado, se se habituam a usar demasiada tecnologia, podem parar de aprender a pensar”, admitiu Filipe Santos.
A resposta passa, por isso, pelo reforço do pensamento crítico, da colaboração, da lógica e, sobretudo, da ética. “Voltar ao básico. Isso tem a ver com o que é ser humano e saber pensar”. O conhecimento deixou de ser monopólio das universidades e o que diferenciará os líderes do futuro é saber o que fazer com ele.
Assista à cerimónia através do vídeo abaixo.
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