Lagarde afasta necessidade de mais respostas do BCE. “Banco central não pode reabrir o Estreito de Ormuz”

"Não se espera atualmente que a inflação elevada seja duradoura. A maioria das expectativas de longo prazo situa-se em torno dos 2%, o que suporta a estabilização da inflação", diz Christine Lagarde.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) considera que o aumento dos preços causado pela guerra do Médio Oriente não se vai prolongar mais no tempo, portanto afasta a necessidade de novas respostas de política monetária para conter a inflação motivada pelo conflito. Christine Lagarde explicou aos eurodeputados os efeitos das medidas na contenção dos impactos, mas alertou-lhes que “o banco central não pode reabrir o Estreito de Ormuz”.

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“A guerra está a impulsionar a inflação, que subiu para 3,2% em maio, face aos 3% de abril. O principal fator de inflação desde fevereiro tem sido o aumento da inflação energética, que se situou acima dos 10% tanto em abril como em maio. Em maio, a inflação excluindo a energia e os alimentos também aumentou para 2,6%, refletindo em parte os efeitos indiretos iniciais dos preços mais elevados da energia”, começou por explicar Christine Lagarde, numa intervenção no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

“Mas não se espera atualmente que a inflação elevada seja duradoura. A maioria das expectativas sobre a inflação a longo prazo situa-se em torno dos 2%, o que suporta a estabilização da inflação em torno do objetivo no médio prazo. Estamos confiantes de que, com uma ação de política monetária apropriada, a inflação regressará ao objetivo”, disse a presidente do BCE, na Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários.

Segundo a presidente do BCE, “a política monetária não pode reduzir os preços da energia diretamente” e “o banco central não pode reabrir o Estreito de Ormuz”. “Sejamos claros: é preciso avaliar em que medida o aumento dos custos da energia se reflete noutros preços — a que chamamos efeitos indiretos — e o risco de desencadear efeitos secundários”, esclareceu Christine Lagarde.

Apesar disso, Christine Lagarde reconhece que o “outlook permanece incerto”. “Um acordo de paz no Médio Oriente é bem-vindo, mas a situação continua frágil, com riscos de retrocesso ou possível escalada do conflito. As implicações totais da guerra para a inflação e o crescimento a médio prazo dependerão da intensidade e duração do choque nos preços da energia, bem como da escala dos seus efeitos indiretos e secundários”, salientou.

Há cerca de duas semanas, o BCE voltou a subir as taxas de juro de referência na Zona Euro, interrompendo uma pausa de um ano. A subida das três taxas de juro em 25 pontos base teve como objetivo “assegurar que a inflação estabiliza no objetivo de 2% a médio prazo”, portanto conter uma nova escalada dos preços nos países da moeda única por causa da guerra no Médio Oriente.

A decisão de aumentar as taxas, totalmente ponderada e discutida, é sólida em todos os cenários preparados pela equipa técnica, desde o mais brando ao mais adverso e ao mais severo, o que significa que, em todos os cenários, se justificava um aumento da taxa”, ressalvou Christine Lagarde, em declarações aos eurodeputados.

No Diálogo Monetário, que envolveu uma avaliação da política monetária do BCE, a presidente do banco central falou ainda sobre o euro digital, assegurando que “as notas vão ficar por cá até que os países as queiram usar”, porque “uma coisa não exclui a outra de maneira nenhuma”.

Notícia atualizada às 17h22 com mais informação

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