Exclusivo Trump excluiu António Costa da reunião para as negociações de paz na Ucrânia
O presidente dos EUA só convidou a presidente da Comissão Europeia, mas "os tratados" ditam que também o presidente do Conselho deveria ter estado presente, revelam fontes europeias ao ECO.

Donald Trump não convidou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para o encontro que decorreu na Casa Branca, em Washington, com vista às negociações de paz na Ucrânia. O presidente dos EUA apenas quis um representante da União Europeia (UE) e decidiu dar o lugar à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apesar do protocolo ditar que, neste tipo de situações, os dois – presidente da Comissão Europeia e presidente do Conselho Europeu – deveriam ter estado presentes, revelam fontes europeias ao ECO.
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De salientar que, nesse encontro, que se realizou a 18 de agosto, participaram, além de von der Leyen, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o chanceler alemão, Friedrich Merz, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, o presidente de França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o chefe do governo britânico, Keir Starmer, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
“Se analisarmos os tratados, este tipo de reuniões exigiria uma dupla representação, como acontece em tantos outros casos, porque o presidente do Conselho Europeu e a presidente da Comissão Europeia têm competências e funções diferentes. Neste caso, à luz dos tratados, o presidente do Conselho Europeu deveria ter sido convidado pelos EUA”, de acordo com os esclarecimentos prestados por fonte oficial da União Europeia (UE) ao ECO.
“Uma dupla representação teria feito sentido, porque o Conselho Europeu tem um papel importante nas sanções e na assistência financeira à Ucrânia, e trata das negociações de alargamento”, sublinha.
No entanto, revela a mesma fonte, “Trump queria apenas um representante da UE”. “E a escolha foi a presidente da Comissão Europeia, uma vez que há meses que negoceiam” o dossiê das tarifas nas trocas comerciais. “Os EUA estão numa situação sui generis por causa disso”, assinala.
"Se analisarmos os tratados, este tipo de reuniões exigiria uma dupla representação, como acontece em tantos outros casos, porque o presidente do Conselho Europeu e a presidente da Comissão Europeia têm competências e funções diferentes.”
António Costa, antigo primeiro-ministro de Portugal, não quis, contudo, ficar fora do palco das negociações para a paz na Ucrânia e organizou, logo no dia seguinte, a 19 de agosto, uma reunião do Conselho Europeu por videoconferência. No final, realizou uma conferência de imprensa a partir da representação da Comissão Europeia em Lisboa para anunciar a preparação de um novo pacote de sanções contra a Rússia.
“O que a UE pode fazer para credibilizar e apoiar os esforços de paz de Trump? Primeiro, reforçar a pressão sobre a Rússia avançando na preparação do 19.º pacote de sanções por forma a garantir que mantemos a pressão para a Rússia parar a guerra”, afirmou, na altura, António Costa.
“Em segundo lugar”, elencou, a UE deve “desbloquear a facilidade europeia para a paz de forma a reforçar as capacidades militares da Ucrânia”. António Costa salientou que “a base das garantias de segurança será sempre as forças armadas da Ucrânia”. No entanto, cabe à Europa “reforçar a sua capacidade”.
E, “finalmente”, a UE deve “avançar com o processo de alargamento, visto que o futuro da Ucrânia não são só medidas de segurança; É também a perspetiva de estabilidade, de desenvolvimento e de prosperidade que o acesso à UE assegurará”, frisou.
"Trump queria apenas um representante da UE. E a escolha foi a presidente da Comissão Europeia.”
Fontes europeias salientam que “o presidente do Conselho Europeu é orientado para os resultados, é pragmático e responsável” e, por isso, “nunca exportaria questões internas como a representação externa da UE para uma situação como esta, sobre um tema tão crucial como o futuro da Ucrânia e as relações com os EUA”.
“Não faz parte do seu caráter”, frisam. “A questão da paz na Ucrânia é essencial para a União Europeia. Exige que todas as instituições europeias trabalhem, juntamente com os Estados-membros, como uma equipa, com o mesmo objetivo: garantir uma paz justa e duradoura para a Ucrânia”, defende a mesma fonte.
Assim, “a principal prioridade é obter resultados positivos neste sentido e isso exige muito pragmatismo e flexibilidade de todos“, assinala.
E afastou um caso semelhante ao do insólito sofagate: numa visita à Turquia, em abril de 2021, só havia uma cadeira para o então presidente do Conselho Europeu e para a presidente da Comissão Europeia. Charles Michel tomou o lugar e Ursula von der Leyen teve de se sentar num sofá, tendo ficado magoada com a descortesia do seu par.
Será que António Costa não terá ido a Washington para não fazer sombra a von der Leyen? O mistério está desfeito: Trump simplesmente não o convidou. Fontes europeias reiteram que a relação entre Costa e Ursula “é excelente”.
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