Constâncio quer regras iguais para bancos e big tech. “Não pode haver pura experimentação” nas tecnológicas
Vítor Constâncio diz que bancos vão continuar a ter um papel vital no sistema financeiro, apesar da concorrência das grandes tecnológicas e das fintech.
Vítor Constâncio, antigo governador do Banco de Portugal e ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), sugeriu esta terça-feira que bancos e big tech como Facebook, Google ou Apple devem atuar com as mesmas regras no sistema financeiro, considerando que não deve ser dado às tecnológicas tratamento “de pura experimentação”.
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Na Conferência sobre a Estabilidade Financeira, organizada pelo Banco de Portugal, Constâncio sublinhou que a “tecnologia é neutra para a regulação” financeira. “Não é por serem novas tecnológicas a distribuírem produtos financeiros que os problemas das externalidades, do moral hazard, da seleção adversa ou do comportamento do rebanho justificam o desaparecimento da regulação. A tecnologia não faz isto desaparecer e por isso a regulação continuará a ser necessária”, declarou o antigo vice-presidente do BCE.
Depois, prosseguiu Vítor Constâncio, “se qualquer uma destas novas fintechs começar a levantar fundos das pessoas e garantir um resgate ao par, então isso é um depósito”. “Então, se for um depósito então vai requerer a mesma regulação que é aplicada aos bancos”, esclareceu.
Para Constâncio este é “um princípio importante” e que também se aplicará à Libra, a moeda virtual que o Facebook, e a “outras tentativas de criar moeda ao oferece balanços que oferecem balanços com resgate ao par” porque serão vistas como um depósito bancário.
“É por isso que todo o tratamento dado às tecnológicas no sistema financeiro não deve ser deixado à pura experimentação, que é a ideia de ‘vamos ver como isto funciona a uma pequena escala e depois faremos algo’. Isto pode crescer rapidamente e aí será tarde para fazer alguma coisa e volta atrás”, alertou o responsável.
Vítor Constâncio diz que ainda é cedo para avaliar totalmente as consequências das novas tecnológicas “Mas prevejo que os bancos vão continuar a existir e há alguns tipos de instituições têm funções vitais que necessárias no nosso sistema”, frisou.
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