Governo compromete-se com menos 700 milhões de dívida em 2017
O Executivo de António Costa também melhorou as previsões para o PIB em valores absolutos, que deverá ficar cerca de 680 milhões acima do que tinha sido previsto em março.
O Governo melhorou as previsões macroeconómicas para 2017. No final deste ano, a dívida pública deverá, afinal, ficar mais de 700 milhões de euros abaixo do que o Governo previa em março, enquanto o produto interno bruto (PIB) ficará cerca de 680 milhões acima do que tinha sido previsto há sete meses.
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As novas previsões constam na segunda notificação do Procedimento relativa Défices Excessivos (PDE), publicada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Neste documento, os números relativos a 2016 são da responsabilidade do INE, mas as previsões para 2017 são do Governo. E os valores agora previstos pelo Executivo de António Costa são melhores do que os que tinham sido divulgados em março, na primeira notificação do INE.
O Governo antecipa agora que o défice se fixe em 2,84 mil milhões de euros, enquanto a dívida bruta das administrações públicas será de 244,075 mil milhões de euros. Há, assim, uma melhoria de 174,5 milhões de euros no défice, face às previsões de março, e uma redução de 735 milhões de euros na estimativa para a dívida pública. O crescimento económico também deverá ser melhor do que o esperado e o Governo aponta agora para que o PIB ascenda a 191,148 mil milhões de euros, uma subida de 684 milhões face às previsões de março.
Feitas as contas, o défice deverá fixar-se em 1,5% este ano e o rácio da dívida em relação ao PIB será de 127,7%, um objetivo que já tinha sido anunciado por António Costa e Mário Centeno.
Apesar da melhoria das previsões, importa ressalvar que, em termos anuais, o valor nominal da dívida não vai baixar. Em 2016, a dívida pública terá sido de 240,9 mil milhões de euros (os dados ainda são provisórios). O que melhora é o rácio da dívida em relação ao PIB, uma vez que a economia está a crescer mais do que o previsto. Assim, este rácio deverá baixar de 130,1% em 2016 para 127,7% este ano.
Reembolsos antecipados ao FMI ajudam a baixar dívida
Esta melhoria das previsões para a redução da dívida pública pode explicar-se com os reembolsos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Portugal tem vindo a reembolsar mais rapidamente do que o previsto os empréstimos obtidos junto do FMI na altura do resgate, com o objetivo de trocar os juros elevados cobrados pelo fundo pelas condições de financiamento mais atrativas que tem encontrado nos mercados financeiros.
No final de agosto, o país já só devia 37% do empréstimo concedido pelo FMI e a estratégia de reembolsos antecipados será para manter. Em entrevista ao ECO, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, disse que a subida do rating por parte da Standard & Poor’s vem facilitar novos pagamentos antecipados. “Estou em crer que será possível antecipar cerca de mil milhões”, previu.
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