Fórum para a Competitividade: primeiro trimestre de 2017 pode ser o melhor do ano

No ano passado, o crescimento acelerou na segunda metade do ano. Mas em 2017 a história ameaça inverter-se: o primeiro trimestre pode muito bem ser o melhor que haverá este ano.

Recorda-se do que aconteceu em 2016, quando o ano começou com um crescimento fraco mas acabou a acelerar? Prepare-se: em 2017 pode acontecer precisamente o contrário. O Fórum para a Competitividade espera um crescimento entre 1,7% e 2% em 2017, mas avisa que o primeiro trimestre do ano deverá ser o melhor.

“Ao contrário do ano passado, que começou mal, mas acabou melhor à medida que o rendimento disponível ia aumentando suportado por salários e pensões, neste ano poderá dar-se o inverso”, lê-se na nota de conjuntura de março, a que o ECO teve acesso.

"O primeiro trimestre deverá ser o melhor, devendo a atividade desacelerar à medida que o efeito dos estímulos desaparece.”

Fórum para a Competitividade

Nota de conjuntura de março

O Fórum para a Competitividade prevê uma aceleração do crescimento do PIB no primeiro trimestre deste ano para 2,1%, em termos homólogos, e um aumento de 0,4% face aos últimos três meses de 2016. Contudo, nota que “é bastante provável” que os próximos trimestres registem uma desaceleração em cadeia, uma vez que os fatores que sustentaram o crescimento no segundo semestre do ano passado e início de 2017 começam agora a perder efeito. Estes fatores foram os aumentos de salários e de pensões, bem como as reduções de impostos.

Ou seja, “o primeiro trimestre deverá ser o melhor, devendo a atividade desacelerar à medida que o efeito dos estímulos desaparece”, alerta a organização liderada por Pedro Ferraz da Costa. A análise frisa que estas previsões assumem que não ocorrerão choques externos ou internos que justifiquem uma queda abrupta de confiança dos consumidores e das empresas.

O Fórum para a Competitividade mantém ainda os alertas sobre a sustentabilidade da redução do défice conseguida em 2016. Considera que o corte do défice para 2,1% do PIB foi um “sucesso aparente” e lembra os “avisos importantes” de responsáveis europeus — como foi o caso do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que recomendou a Portugal que se certificasse de que não precisa de um novo resgate, ou o caso do relatório do Banco Central Europeu, onde se fazem alertas sobre os desequilíbrios macroeconómicos do país.

Nas contas do Fórum, o défice orçamental de 2016 sem o impacto das medidas extraordinárias ficou em 2,7%, uma melhoria de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior — já a Comissão Europeia estimou o défice sem medidas one-off em 2,6% do PIB, no Winter Economic Forecast, ainda antes do apuramento das contas do ano passado, por parte do Instituto Nacional de Estatística.

A melhoria no défice foi, segundo o Fórum, obtida com uma “redução muito significativa no investimento público”, uma poupança de 200 milhões de euros em juros da dívida pública e um efeito de 0,3 pontos percentuais do PIB obtido através das cativações, explica a nota mensal. “Parte destas poupanças foram gastas em despesas com pessoal, que aumentou 700 milhões de euros”, frisa.

O documento argumenta que a melhoria do saldo orçamental “está longe daquilo que é apresentado oficialmente” e alerta para a dificuldade em melhorar o saldo estrutural — o indicador orçamental que desconta os efeitos de medidas extraordinárias e do ciclo económico. “Não houve qualquer redução do saldo estrutural”, lê-se na nota mensal, que adianta que, de acordo com os cálculos do Fórum para a Competitividade, “até haverá entre 2016 e 2018, a manter-se as previsões, um agravamento total de 0,5 pontos percentuais” deste saldo.

"Não houve qualquer redução do saldo estrutural. Até haverá entre 2016 e 2018, a manter-se as previsões, um agravamento total de 0,5 pontos percentuais.”

Fórum para a Competitividade

Nota de conjuntura de março

Ainda assim, o Fórum considera que é provável que Portugal consiga sair do Procedimento por Défices Excessivos, frisando que o Programa de Estabilidade, que será entregue pelo Governo a 19 de abril, será determinante para a Comissão Europeia tomar uma decisão.

Contexto externo: incerteza diminui mas não desaparece

A nível internacional, o Fórum para a Competitividade destaca as dificuldades da Administração Trump em implementar alterações orçamentais, o que poderá reduzir a expectativa de estímulos ao crescimento económico por esta via. Por outro lado, apesar da promessa da Reserva Federal de subir os juros, os mercados não descontam totalmente o movimento uma vez que no passado a Fed “não foi tão dura como prometeu”, nota a análise de março.

A incerteza provocada pelo Brexit mantém-se, mas a derrota da extrema-direita nas eleições holandesas e as sondagens em França — que antecipam a derrota de Marine Le Pen — deram alguma confiança aos mercados: “daqui resultou uma redução significativa dos diferenciais de taxa de juro entre os periféricos e a Alemanha”, lê-se no documento. Já Portugal, “beneficiou de uma redução adicional deste diferencial entre 30 e 40 pontos base, devido à normalização da banca (BCP, CGD, Novo Banco), que gerou mais confiança na estabilidade financeira do país.”

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