UGT: Nova subida do salário mínimo é decisão que depende da “realidade da economia”
O líder da unidade sindical não dá como certa a subida do salário mínimo para 580 euros em 2018 e 600 euros em 2019, como prevê o acordo entre o PS e o Bloco de Esquerda.
Carlos Silva não garante que a UGT vá concordar com novas subidas do salário mínimo. O acordo entre o PS e o Bloco de Esquerda prevê que o salário mínimo suba para 580 euros em 2018 e 600 euros em 2019, mas o líder da unidade sindical, em entrevista ao Público, destaca os impactos que estas medidas poderão ter para as empresas.
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“É uma pergunta que fica. Vamos aguardar até ao final do ano para ver que condições é que há para avançar com o acordo que o PS sufragou com o Bloco de Esquerda. É naturalmente uma decisão política que terá de responder à realidade da economia”, disse ao jornal.
Mesmo a atualização agora conseguida, para 557 euros, pode causar estragos, acredita Carlos Silva. “Há empresas que aguentam e outras que não aguentam. Agora, a maioria das empresas tem condições de fazer a atualização. Para as que não tiverem tem de haver essa compensação. E é por entendermos que era importante a compensação que não nos opusemos à medida. Em nome da fragilidade, sobretudo das micro e pequenas empresas”, disse ao Público.
Seja como for, o acordo tripartido, subscrito pelo Governo e por cinco parceiros sociais (a CGTP ficou de fora), já prevê que a atualizações do salário mínimo em 2018 e 2019 fiquem dependentes da evolução da economia. “Desenvolver esforços para tornar exequível, verificadas as condições económicas e sociais que o possibilitem, a progressiva evolução do valor real da [Remuneração Mínima Mensal Garantida] até 2019”, pode ler-se num dos pontos do acordo.
Assinatura da adenda depende da CGTP
No início desta semana, a UGT garantia ao ECO que vai assinar a adenda ao acordo tripartido, subscrito por Governo e parceiros sociais, que prevê a redução do Pagamento Especial por Conta (PEC). Agora, um dia antes da data marcada para a assinatura desta adenda, Carlos Silva diz ao Público que só assina se a CGTP ficar de fora.
Em causa está o facto de a CGTP ter sido o único parceiro social que não subscreveu o acordo tripartido. O presidente da UGT entende, por isso, que a intersindical não deve estar presente na assinatura de sexta-feira. “Para assinar a adenda, tem de subscrever primeiro o acordo tripartido. Se assinar a adenda e houver aceitação por parte do Governo que a adenda seja assinada sem se vincular ao acordo tripartido, naturalmente a UGT não estará nessa“, disse Carlos Silva.
O sindicalista frisa que “o acordo tripartido foi subscrito por cinco parceiros sociais e pelo Governo”, pelo que, se houver aditamentos, “os outorgantes é que têm de assinar”. E acrescenta: “Agora, seria de bom tom e até muito bem-vindo, como um reforço da concertação social, que todos os seis parceiros pudessem assinar”.
Na entrevista, Carlos Silva aproveita para lançar duras críticas à atuação da CGTP desde que o Executivo de António Costa tomou posse. “A CGTP, verdade seja dita, nunca enganou ninguém. A CGTP defendeu sempre que um conjunto de matérias deveriam ser discutidas no Parlamento. Porquê? Porque se nunca está disponível para acordos, se não cultiva o espírito do compromisso, porque é que a Concertação Social é que vai discutir um conjunto de situações em que a CGTP sempre defendeu que há um desequilíbrio nos parceiros?”.
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