Francisco Assis propõe eleições antecipadas para dar legitimidade ao PS

Os acordos são difíceis à esquerda e impossíveis à direita, diz Assis, que alerta que Portugal parecer caminhar para um impasse. Legislativas antecipadas no curto-prazo podem ser a solução, defende.

Que o socialista Francisco Assis é crítico interno do acordo do Governo à esquerda, só isso não é novo: o também eurodeputado já o tinha expresso no congresso do partido no ano passado, sendo um dos principais (e poucos) rostos da oposição interna do Partido Socialista (PS). Agora, numa entrevista à rádio Antena 1 e num artigo de opinião no jornal Público, Assis reconhece haver “questões de fundo em relação às quais não há possibilidade de entendimento à esquerda”, defendendo, por fim, que não vê outra solução que “não passe a curto ou médio prazo pela realização de eleições legislativas antecipadas”.

“Cada vez mais vai ser impossível neste contexto haver possibilidades de entendimento à direita. E, portanto, vamos entrar numa situação de impasse que, julgo, vai pôr em causa a estabilidade política”, disse Assis na rádio pública portuguesa. Depois, volta a tocar no assunto, referindo que “a polémica criada em torno do acordo de concertação social” permite inferir que “o executivo do PS só está em condições de assegurar em toda a plenitude a governação do país se puder contar com o apoio parlamentar de duas maiorias alternativas e contraditórias”.

No Público, o eurodeputado socialista alerta também que “o país parece caminhar para um impasse” e que “na falta das duas maiorias, que seriam simultaneamente complementares e antagónicas, o Governo corre o sério risco de se instalar numa situação de paralisia”. É por isso que, “por muitos custos que possa ter”, avançar para eleições legislativas antecipadas no curto prazo, “provavelmente” iria proporcionar ao PS “a possibilidade de obter a legitimidade que agora não tem para agir, de facto, como partido charneira nesta fase da nossa vida democrática”, escreve.

De referir que, apesar de crítico da atual solução governativa, Assis não deixa de tecer elogios a António Costa: “O Governo dirigido com inegável talento pelo primeiro-ministro empenhou-se na execução de uma política no essencial moderada, de natureza claramente pró-europeia e de tal modo rigorosa no plano orçamental que permitiu mesmo a obtenção de um défice da ordem dos 2,3% do PIB [Produto Interno Bruto].”

Pedro Nuno Santos regista que Assis pede eleições antecipadas antes de PSD e CDS

O dirigente socialista Pedro Nuno Santos acusou hoje o eurodeputado do PS Francisco Assis de antecipar-se ao PSD/CDS-PP a pedir eleições antecipadas e negou qualquer crise à esquerda, manifestando-se confiante que o Governo vai até 2019.

Pedro Nuno Santos, também secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, falava à agência Lusa enquanto dirigente nacional do PS, depois de Francisco Assis, tanto em entrevista à Antena 1, como num artigo no jornal Público, ter classificado como esgotada a atual solução de Governo, colocando inclusivamente o cenário de eleições legislativas antecipadas.

“Gostaria que Francisco Assis viesse à próxima reunião da Comissão Nacional do PS para que, entre camaradas, podermos discutir o atual momento político em Portugal. É minha convicção de que a esmagadora maioria dos militantes do PS está realizada com o papel que o partido desempenha no Governo – e Francisco Assis pode ter a certeza que este Governo vai durar até ao fim da legislatura“, reagiu o líder da Federação de Aveiro do PS e membro do executivo.

Para Pedro Nuno Santos, nas suas mais recentes posições, o eurodeputado e ex-líder parlamentar do PS nos executivos de António Guterres e de José Sócrates “conseguiu a proeza de se antecipar ao PSD e ao CDS no pedido de eleições legislativas antecipadas, o que a acontecer, efetivamente, como é fácil perceber, provocaria instabilidade política”.

“Isto, quando o fator estabilidade política é a mais valia que Portugal apresenta no atual contexto europeu e mundial de elevada instabilidade”, salientou o membro do executivo. Ainda em relação às posições de Francisco Assis, Pedro Nuno Santos aludiu ao facto de o eurodeputado socialista se “queixar que a atual solução de Governo impossibilita fazer reformas”.

“De facto, a atual solução de Governo não permite as reformas que a direita quer, como a privatização da Segurança Social. Se é dessas reformas que Francisco Assis está a falar, essas, na realidade, não são possíveis com este Governo – e não são possíveis não por causa do PCP ou do Bloco de Esquerda, mas porque o PS não as quer”, frisou ainda Pedro Nuno Santos.

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