Privatização da TAP. Air France-KLM acena com centro de serviços globais em Portugal

O grupo planeia estabelecer em Portugal um centro de serviços partilhados para servir a operação a nível global. CEO avisa que remédios que ponham em causa sinergias podem comprometer compra da TAP.

O grupo Air France-KLM pretende criar um centro de serviços partilhados global em Portugal, somando ao que já existe em Budapeste. O CEO, Ben Smith, alerta, no entanto, que se os remédios impostos pela Comissão Europeia para aprovar a aquisição da TAP forem muito severos, a compra da companhia portuguesa ficará em risco.

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Iremos investir numa instalação de manutenção de motores e iremos também continuar a trabalhar, por exemplo, no Global Business Services (GBS), para garantir que melhoramos ainda mais neste tipo de atividades, porque penso que Portugal é um local muito bom para ter um centro de GBS. Já temos um centro em Budapeste, mas penso que, com a mão-de-obra qualificada de que dispõem em Portugal, podemos ir ainda mais longe”, afirmou Steven Zaat, administrador financeiro da Air France-KLM, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados.

O grupo franco-neerlandês enviou na quarta-feira à Parpública a oferta vinculativa para adquirir até 49,9% da TAP e tem como concorrente o grupo Lufthansa, que também submeteu uma proposta.

Steven Zaat adiantou ainda que em relação à manutenção, não está ainda decidido onde poderão ser as novas instalações para expandir a atividade — até porque só se a Air France-KLM ganhar é que terá essa conversa com a TAP –, mas apontou Lisboa como a localização mais provável. “Já existem oficinas em Lisboa, pelo que seria mais lógico ficarmos localizados em Lisboa, que é onde estão as pessoas”.

Remédios de Bruxelas podem pôr em causa privatização

O CEO do Grupo, Ben Smith, deixou um alerta sobre os possíveis remédios que poderão ser aplicados pela Comissão Europeia para aprovar a aquisição de até 49,9% da TAP ou aumentar a participação na SAS. Se puserem em causa as sinergias, estes negócios não terão viabilidade.

“É um desafio para nós conseguirmos convencer a Comissão Europeia de que o conjunto de medidas corretivas que propomos é o mais adequado. E temos esperança de conseguir encontrar o equilíbrio certo com a Comissão Europeia para satisfazer as suas necessidades e colocar tanto a SAS e, caso sejamos bem-sucedidos, a TAP numa posição que lhes permita ter sucesso a nível global“, começou por afirmar o CEO.

No entanto, se o grupo ficar numa situação “em que a Comissão Europeia exija medidas corretivas que destruam todas as sinergias ou a maioria das sinergias com as quais contamos para que a transação seja bem-sucedida, acho que dá para imaginar o impacto que isso terá no nosso interesse por qualquer uma dessas companhias aéreas“, acrescentou.

Se nos encontrarmos numa situação em que a Comissão Europeia exija medidas corretivas que destruam todas as sinergias ou a maioria das sinergias com as quais contamos para que a transação seja bem-sucedida, acho que dá para imaginar o impacto que isso terá no nosso interesse por qualquer uma dessas companhias aéreas.

Ben Smith

CEO da Air France-KLM

O gestor salientou a experiência que o grupo tem em trabalhar com Governos — tanto o Estado francês como o dinamarquês estão no capital — o que se estenderia também à TAP. Deixou ainda elogios à atual administração da companhia portuguesa. “No que diz respeito à equipa de gestão atualmente em funções na TAP, estamos muito impressionados com o que conseguiram fazer ao longo do processo de falência e com os resultados que conseguiram alcançar no último período. E temos esperança de que aqueles que querem ficar e que fizeram parte desse sucesso optem por integrar o grupo, se formos nós ganhar”.

Um novo nome para o grupo?

Ben Smith puxou também dos galões em relação à paz social no grupo, contrastando com a situação na Lufthansa. Conseguimos alinhar os nossos colaboradores, nomeadamente os que trabalham na linha da frente, com a estratégia corporativa da empresa. E temos vivido uma paz relativa na frente laboral há mais de oito anos. Como sabem, a leste das nossas bases aqui, não é esse o caso“.

Há muito valor em garantir que todos se sintam incluídos e que todas as companhias aéreas se sintam parte do grupo, parte da família. Por isso, estamos a ponderar se existem nomes adequados, mas não é algo que tenhamos de fazer de imediato.

Ben Smith

CEO da Air France-KLM

O CEO foi também questionado sobre se com o aumento da participação da SAS para chegar aos 60,5% e uma eventual vitória na privatização da TAP se o grupo teria de mudar de nome. Ben Smith admitiu que esse deverá ser o caminho, mas que ainda é prematura fazê-lo. “Há muito valor em garantir que todos se sintam incluídos e que todas as companhias aéreas se sintam parte do grupo, parte da família. Por isso, estamos a ponderar se existem nomes adequados, mas não é algo que tenhamos de fazer de imediato”.

A Air France-KLM registou um lucro no segundo trimestre superior ao esperado, atribuindo-o ao aumento das receitas provenientes das viagens de classe premium e de longo curso, apesar de ter revisto em baixa as previsões de capacidade para o ano inteiro devido à procura moderada.

O grupo franco-neerlandês anunciou um lucro operacional ajustado no segundo trimestre de 484 milhões de euros, abaixo dos 736 milhões de euros do mesmo período do ano passado, mas superior aos 327 milhões de euros previstos, em média, pelos analistas. As receitas do grupo subiram 9,9%, em termos homólogos, para 9,3 mil milhões de euros, com o grupo a transportar mais 3,9% de passageiros.

A guerra no Médio Oriente e o aumento do preço do jet fuel continuam a pesar na oferta de voos e nos custos. A Air France-KLM anunciou que reduziu as suas previsões de capacidade anual, apontando agora para uma queda de 1% nos voos de curta e média distância, mas no conjunto do grupo espera um aumento entre 2% a 3% este ano face a 2025. “Tal como esperado, o aumento acentuado dos preços dos combustíveis teve um impacto significativo nos nossos resultados durante o segundo trimestre“, sublinhou Smith, com uma fatura acrescida de 804 milhões face ao ano anterior.

(notícia com última atualização às 12h40)

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