Venda global de elétricos recupera no trimestre e bate recordes em 50 países

A compra de elétricos bateu recordes em 50 países no segundo trimestre, apesar de o ano ter começado com uma tendência negativa.

Depois de um primeiro trimestre de recuo, as vendas de carros elétricos recuperaram e chegaram mesmo a níveis recorde num total de 50 países, indica a Agência Internacional de Energia. A entidade internacional relaciona esta tendência com a pressão que a guerra entre Estados Unidos e Irão está a colocar sobre os preços dos combustíveis fósseis, como o gasóleo e a gasolina.

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O balanço, lançado pela AIE esta quinta-feira, intitula-se “Mercado de carros elétricos em tempos de incerteza”, fazendo as contas à adesão a estes veículos no contexto de guerra no Irão, evento que tem vindo a pressionar os preços dos combustíveis tradicionais. “Os veículos elétricos (VE) estão no centro das atenções no âmbito de potenciais medidas políticas, dada a oportunidade que oferecem para reforçar a segurança energética dos países importadores de petróleo, ao mesmo tempo que protegem os consumidores e as empresas das oscilações de preços”, escreve a agência internacional.

Entre janeiro e junho, a tendência das vendas de elétricos é negativa: estas caíram 5%, apesar de mais de 90 países terem registado subidas. A AIE justifica o recuo com compras reduzidas nos dois maiores mercados, China e Estados Unidos. A afetar os números de vendas nestes países, no primeiro trimestre, esteve a pressão sentida a nível económico, mas também algumas mudanças nas políticas públicas de incentivo.

Já entre abril e junho, estas vendas “recuperaram a pique”, subindo 35% face ao primeiro trimestre e atingindo níveis recorde em 50 países. Nos Estados Unidos, a subida face ao trimestre anterior foi de 20%. Na Austrália, no Brasil, na Índia, na Coreia e no Vietname, mercados relevantes pela sua dimensão, as vendas quase duplicaram no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025.

Para Portugal, em particular, a AIE não apresenta dados. Olhando aos volumes vendidos na Europa, a AIE destaca a Alemanha, onde se venderam 140 mil carros elétricos na primeira metade do ano, seguida do Reino Unido, com 100.000 unidades, e França, nas 95 mil.

Prevê-se agora que as vendas de automóveis elétricos cresçam 10% para os 23 milhões em 2026, e que atinjam 29% do total de vendas de automóveis a nível mundial, mais um ponto percentual do que o projetado no último relatório lançado pela AIE, que data do passado mês de maio. Isto quando, na totalidade do ano, o número de carros vendidos deverá ficar 2% abaixo do registado no ano passado.

A AIE mostra-se ainda otimista em relação à evolução que deverá verificar-se no resto do ano. “As respostas políticas e da indústria à crise energética – especialmente as relacionadas com os veículos elétricos – têm o potencial de acelerar ainda mais as mudanças na indústria automóvel global”, indica.

A ajudar está também o facto de as exportações chinesas, no primeiro semestre de 2026, estarem quase ao mesmo nível do que foi exportado pelo gigante asiático em todo o ano de 2025. Apenas dois terços destes veículos já foram vendidos, deixando um terço disponível.

Portugal com crescimento forte e o mais eletrificado na Europa a seguir à Noruega

A AIE não isolou, neste relatório, os dados relativos a Portugal. Mas a Standvirtual fez um levantamento, divulgado na quarta-feira, em que indica que “Portugal continua a consolidar a sua posição entre os países europeus onde a mobilidade elétrica mais cresce”. Só no primeiro semestre de 2026, a procura por veículos 100% elétricos (BEV) no site desta empresa aumentou 68,7% face ao período homólogo de 2025, atingindo um máximo histórico e representando 17,3% de toda a procura registada no Standvirtual.

A mesma entidade partilha que, só no mês de junho, os veículos 100% elétricos representaram 29% das matrículas registadas no país, tornando-se o tipo de veículo com maior quota de mercado, à frente dos híbridos (24%), da gasolina (21%) e do gasóleo (15%).

“Atualmente, Portugal é o segundo mercado mais eletrificado da Europa, apenas atrás da Noruega, refletindo uma mudança cada vez mais evidente nas preferências dos consumidores portugueses”, escreve o Standvirtual, numa nota enviada à imprensa.

Também o Standvirtual relaciona a preferência dos consumidores com a guerra. Isto porque, no primeiro mês do conflito no Irão – março –, uma em cada quatro pesquisas realizadas no Standvirtual procurava veículos 100% elétricos, quando até então esse rácio era de uma em cada sete pesquisas.

De acordo com os últimos dados da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, relativos a maio, nesse mês a foram registados 6.988 veículos 100% elétricos, mais 56,1% que no mesmo mês do ano anterior. Contando com híbridos plug-in e híbridos elétricos, o crescimento é ainda de 24,3% e, de janeiro a maio, é de 29,9%. Em relação a junho, a associação divulgou apenas que o peso dos elétricos nas vendas nacionais de passageiros foi de 28,7%.

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