Portugal “mantém a vontade política” de apresentar candidatura ibérica à Gigafábrica de IA

Governo português reagiu ao lançamento do concurso europeu para instalar sete Gigafábricas de IA dizendo que "mantém a vontade política" de ir a jogo em união com Espanha.

O Governo português “mantém a vontade política” de apresentar uma candidatura com Espanha à captação de uma das sete Gigafábricas de IA que a Comissão Europeia vai financiar. O objetivo é criar “um grande projeto ibérico com dimensão europeia”, informa o Ministério da Reforma do Estado, numa nota que assinala o lançamento oficial do concurso esta quinta-feira.

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“Portugal mantém a vontade política de desenvolver uma candidatura conjunta e paritária com Espanha, criando um grande projeto ibérico com dimensão europeia. A preparação da participação portuguesa é liderada pelo Banco Português de Fomento, em articulação com os parceiros públicos e privados do projeto”, refere o gabinete do ministro Gonçalo Matias.

“A ambição é clara: construir em Portugal um grande polo europeu de inteligência artificial. Uma infraestrutura que permitirá atrair investimento e talento, criar oportunidades para reter competências em Portugal, acelerar a inovação e afirmar o país como um dos centros europeus da próxima geração de IA”, sublinha em comunicado.

Ainda de acordo com o Governo, “a Gigafábrica é também um investimento em soberania e resiliência tecnológica”. “Ter capacidade crítica de computação em território nacional reduz dependências externas e garante a empresas, startups, investigadores e Administração Pública acesso à infraestrutura necessária para desenvolver e utilizar IA avançada”, acrescenta.

Como noticiou o ECO, a Comissão Europeia abriu formalmente esta quinta-feira o concurso para apoiar a construção de até sete Gigafábricas de IA na região, mais duas do que a ambição inicial. Com dez mil milhões de euros de fundos europeus e nacionais, Bruxelas espera desbloquear pelo menos 20 mil milhões de euros de capital privado que cofinanciará estas grandes infraestruturas.

O concurso divide-se em dois lotes. O segundo lote — a que Portugal irá concorrer, confirmou fonte governamental ao ECO — é o mais ambicioso, correspondendo a Gigafábricas de IA de “larga escala”, até um máximo de três projetos. Os projetos vencedores terão, numa primeira fase, de assegurar um mínimo de 40 mil processadores de IA avançados — no mínimo, Nvidia H100 ou equivalentes. Deverão ainda assumir um compromisso vinculativo para alcançar os 100 mil processadores na segunda fase. A primeira fase corresponde a um apoio da UE de até 200 milhões de euros por projeto, acrescidos de 800 milhões de euros na segunda.

Já o primeiro lote corresponde a Gigafábricas de IA de “média escala”, até um máximo de quatro projetos. Neste caso, os projetos vencedores terão de assumir a instalação de 25 mil processadores avançados da mesma gama numa primeira fase, assumindo um compromisso para atingir os 75 mil na segunda fase. O apoio europeu, neste caso, corresponde a até 100 milhões de euros por projeto na primeira fase e 400 milhões na segunda.

“Portugal está na linha da frente desta iniciativa europeia, integrando o grupo restrito de países que se propõem acolher uma Gigafábrica de IA de larga escala, com um compromisso inicial de até 200 milhões de euros do Estado português para aquisição de capacidade computacional associada a infraestrutura instalada em território nacional”, aponta o Governo.

Do outro lado da fronteira, o Governo espanhol aprovou a 16 de junho um investimento de 719 milhões de euros no consórcio público-privado que participará no concurso da Comissão Europeia para tentar captar o apoio europeu.

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