Bondalti conclui projeto de descarbonização de 76 milhões em Estarreja

Projeto RePower Chemicals teve um apoio do PRR de 32 milhões de euros o que vai permitir reduzir mais de 36 mil toneladas de CO2 por ano à operação do complexo industrial de Estarreja.

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A Bondalti deu mais um passo na descarbonização da operação na unidade de Estarreja. A química do universo José de Mello, que este ano completou a aquisição da gigante espanhola Ercros, concluiu o projeto REPower, num investimento de 76 milhões de euros, que contou com um apoio de 32 milhões do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR).

O projeto agora concluído vai permitir à empresa acelerar a descarbonização na unidade industrial da Bondalti em Estarreja, permitindo reduzir a emissão de cerca de 36 mil toneladas de CO₂ por ano, segundo foi anunciado na apresentação da conclusão do REPower Chemicals, num evento que decorreu esta quinta-feira em Estarreja e contou com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado.

Segundo a empresa, o REPower mobilizou um investimento global de 76 milhões de euros, incluindo o maior apoio da componente C11 destinada à descarbonização da indústria do Programa de Recuperação e Resiliência no valor de 32 milhões de euros.

João de Mello, presidente do conselho de administração da Bondalti, destaca a transformação industrial alcançada com projeto de descarbonização

“O REPower Chemicals demonstra que a transformação industrial é possível. Mas é urgente acelerar este caminho, criando as condições para que a indústria continue a investir, a descarbonizar e a competir. Porque precisamos de uma política ambiental que reduza as emissões, mas não a indústria”, comentou João de Mello, CEO da Bondalti, citado em comunicado.

O programa, que contou com o apoio do PRR e de empresas como a EDP, a Greenvolt e a Voltalia, “procedeu à profunda transformação da infraestrutura que suporta a sua operação, assente em tecnologias mais eficientes e alinhada com o seu compromisso de redução de emissões”.

Localizado no Complexo Químico de Estarreja, o projeto inclui parques solares para autoconsumo, a instalação pioneira de sistemas de armazenamento de energia à escala industrial e a eletrificação da produção de vapor com caldeiras elétricas e novos eletrolisadores com tecnologia de ponta.

Uma das maiores apostas do projeto foi a reconversão da eletrólise de salmoura, com a companhia a investir em nove novos eletrolisadores de última geração, num investimento de 41 milhões de euros.

A Bondalti avançou ainda com a implementação de parques solares para produção de energia renovável para autoconsumo, tendo em operação dois parques solares fotovoltaicos com uma potência instalada de cerca de 30 MWp, compostos por mais de cinco mil painéis numa área de aproximadamente 30 hectares, instalados pela Greenvolt e pela Voltalia, que asseguram 17% do consumo anual de energia elétrica da unidade de cloro-álcali da Bondalti. Atualmente, a incorporação de fontes renováveis nas instalações da empresa no complexo industrial de Estarreja já ascende a 44% do total da energia consumida.

Outra das vertentes do REPower foi a instalação de baterias para armazenamento de energia, pela EDP. “Num projeto pioneiro em Portugal à escala industrial, foi instalado um sistema modular de armazenamento de energia elétrica de 12 MW de potência e 12 MWh de capacidade de armazenamento”, detalha a química portuguesa, acrescentando que este sistema permite armazenar os excedentes de eletricidade produzidos pelos parques fotovoltaicos, aumentando o autoconsumo de energia renovável e reforçando a flexibilidade das operações e a resiliência energética da unidade industrial.

O investimento incluiu ainda uma subestação e reforço da infraestrutura elétrica, num investimento global de cerca de oito milhões de euros. Em paralelo, a EDP executou a ampliação e modernização da subestação elétrica da fábrica de cloro-álcali, permitindo reforçar a capacidade de alimentação e a fiabilidade da infraestrutura elétrica existente assim como a ligação dos parques fotovoltaicos e do sistema de armazenamento de energia.

Por fim, a química procedeu à instalação de caldeiras elétricas, que permitem, em regime normal de operação, substituir integralmente o gás natural utilizado na produção de vapor por cerca de 35 GWh/ano de eletricidade renovável.

David Lopes, COO da Bondalti, considera que “o projeto REPower Chemicals transformou profundamente a infraestrutura da Bondalti, com novos eletrolisadores de última geração, parques solares em autoconsumo e o primeiro sistema de armazenamento de energia desta dimensão integrado numa operação industrial em Portugal”.

“O resultado é uma operação mais eficiente, mais fiável e mais autónoma, e uma prova concreta do compromisso da Bondalti com a sustentabilidade e com a transição para uma indústria química de baixo carbono, permitindo a redução anual de 36 mil toneladas de CO₂”, acrescenta.

Olhando para o futuro, a companhia liderada por João de Mello “compromete-se a reduzir as emissões de GEE dos âmbitos 1 e 2 em 63% até 2035, tendo como ano de referência 2023”, um objetivo que, diz a empresa, “espelha o rigor e o compromisso efetivo da empresa com a neutralidade carbónica”.

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