Ebay e ex-dirigentes vão pagar quase 50 milhões de euros por assédio a casal de jornalistas dos EUA

Rafael Correia,

O acordo foi celebrado entre as partes, na sequência do assédio que o casal norte-americano foi vítima em 2019 por parte de vários executivos da Ebay.

A gigante do comércio eletrónico Ebay e três antigos executivos da empresa aceitaram pagar 56 milhões de dólares (cerca de 49,2 milhões de euros) a um casal de jornalistas norte-americanos. Desse valor, a empresa é responsável por 46,15 milhões de dólares (40,8 milhões de euros), mais seis milhões de dólares (cerca de 5,3 milhões de euros) dirigidos a organizações solidárias. O acordo encerra um litígio judicial decorrente de uma campanha de assédio promovida em 2019 contra os autores do website e newsletter especializada EcommerceBytes, explicam a BBC e o The New York Times.

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O casal David e Ina Steiner utilizava o seu site para analisar os resultados financeiros da tecnológica, expor queixas de comerciantes e criticar falhas no motor de busca ou alterações nas políticas da empresa. As notícias geraram um descontentamento crescente no seio da liderança da eBay.

A resposta da empresa traduziu-se numa série de atos de intimidação física e digital. Entre os episódios relatados estão o envio para a residência dos jornalistas de uma máscara de porco coberta de sangue, caixas com baratas e larvas vivas, um livro sobre como superar a morte do cônjuge e uma coroa de flores fúnebre, destaca o El Economista. A estas ações somaram-se mensagens intimidadoras na rede social X (antigoTwitter) e uma tentativa de instalar um dispositivo de rastreio GPS no automóvel do casal.

O então CEO do eBay, Devin Wenig, enviou ao diretor de comunicação da empresa a mensagem “Take her down”, dirigida a Ina Steiner. Segundo o The New York Times, essa mensagem antecedeu a campanha de assédio. No entanto, o antigo CEO, que deixou a empresa nesse mesmo ano, sempre sustentou que a expressão se referia a uma estratégia de relações públicas para responder ao que considerava serem erros nos artigos.

Na esfera criminal, sete antigos funcionários da empresa declararam-se culpados entre 2022 e 2024, no seguimento de uma investigação realizada pelo FBI. Um agente do FBI envolvido na investigação afirmou em 2024 que as ações constituíram uma “campanha de assédio sem precedentes, implacável e desmedida”. A própria eBay foi acusada criminalmente e celebrou um acordo de suspensão provisória do processo penal, aceitando pagar uma coima de três milhões de dólares.

Em reação ao desfecho atual, Christopher Murphy, advogado que representou os Steiner, sublinhou que a resolução do caso deixa claro que executivos e empresas “não podem adotar este tipo de má conduta sem sofrerem consequências significativas”.

Por sua vez, a eBay declarou que “a conduta de 2019 não é representativa da cultura da eBay nem dos milhares de funcionários em todo o mundo hoje em dia”, afirmando que o assédio “foi errado, repreensível e nunca deveria ter acontecido”.

Este acordo é coerente com o nosso compromisso de indemnizar justamente os Steiner e concretiza os nossos esforços para reparar os erros cometidos”, acrescenta a tecnológica.

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