Luís Neves reage à comissão de inquérito. “No meu tempo irei esclarecer todas as questões”
Ministério Público abriu um inquérito para apurar a deslocação de um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga para as instalações de um empreiteiro amigo do governante.
O ministro da Administração Interna disse esta sexta-feira em Pedrógão Grande que está “totalmente disponível para prestar esclarecimentos”. “O meu respeito pelo escrutínio e pelo vosso trabalho é total, mas também já disse que, no meu tempo, irei esclarecer, ponto por ponto, todas as questões que têm vindo a ser noticiadas, com toda a transparência. Em todos os locais em que seja necessário falarei convosco, no momento próprio, onde colocarão todas as questões”.
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“Se eu sentisse que não tinha condições para estar aqui, não estava a fazer o meu trabalho”, acrescentou, poucos minutos depois de o Chega anunciar uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. “O meu trabalho, neste momento, o foco é na esfera da segurança interna, sobretudo no apoio e suporte a todas as estruturas que combatem os incêndios, que tenho acompanhado diariamente com os autarcas. Por isso peço o vosso respeito pelo meu trabalho, pela ação governativa na administração interna, estou muito focado em que possamos fazer este trabalho”, acrescenta. “É uma boa altura para se conhecer o meu legado à frente da PJ. É com a maior tranquilidade que aquilo que fiz enquanto servidor público possa ser escrutinado”, concluiu.
É uma boa altura para se conhecer o meu legado à frente da PJ. É com a maior tranquilidade que aquilo que fiz enquanto servidor público possa ser escrutinado.
A investigação em torno do ministro da Administração Interna continua a revelar novos elementos. O Ministério Público abriu um inquérito para apurar a deslocação de um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga para as instalações de um empreiteiro amigo do governante, ao mesmo tempo que novidades sobre o património e as declarações de rendimentos do ex-diretor da Polícia Judiciária levantam novas questões.
Segundo avançou o Expresso esta sexta-feira, a Polícia Judiciária não encontrou qualquer documento, ordem ou despacho que comprove a retirada do atrelado de um parque da Autoridade Marítima e a sua entrega à empresa Construbarcelos, de João Carvalho.
De acordo com o semanário, também não existe registo dessa movimentação no processo da Operação Pacoba, que desmantelou uma fábrica de droga sintética em 2024. Perante esta informação, o procurador-geral da República ordenou a abertura de um inquérito por suspeitas dos crimes de abuso de poder e descaminho, tendo Luís Neves como suspeito.
Entretanto, uma investigação conjunta da CNN Portugal, TVI e Nascer do Sol revela que, afinal, Luís Neves e a mulher detêm quatro terrenos em São Teotónio, Odemira, com cerca de 50 hectares no total, e não apenas duas propriedades, como era conhecido até agora.
As quatro propriedades foram adquiridas entre 2011 e 2025 por um total de 417 mil euros: a primeira custou 100 mil euros; duas compradas em 2024 ascenderam a 190 mil euros; e a mais recente foi adquirida por 127 mil euros. Parte destes terrenos está atualmente em obras, incluindo a propriedade onde se encontra a piscina que o ministro classificou anteriormente como um tanque.
A mesma investigação concluiu ainda que Luís Neves não entregou ao Tribunal Constitucional as declarações de património, rendimentos e interesses durante o período em que exerceu funções como diretor nacional da Polícia Judiciária, isto apesar de a legislação então em vigor obrigar os titulares de altos cargos públicos a fazê-lo.
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