Investigação a Luís Neves ganha novos contornos com dúvidas sobre atrelado apreendido e património

  • ECO
  • 24 Julho 2026

A investigação a Luís Neves soma novos desenvolvimentos: há dúvidas sobre um atrelado apreendido e foram revelados mais terrenos no Alentejo e também falhas nas declarações de património.

A investigação em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, continua a revelar novos elementos. O Ministério Público abriu um inquérito para apurar a deslocação de um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga para as instalações de um empreiteiro amigo do governante, ao mesmo tempo que novidades sobre o património e as declarações de rendimentos do ex-diretor da Polícia Judiciária levantam novas questões.

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Segundo avançou o Expresso esta sexta-feira, a Polícia Judiciária não encontrou qualquer documento, ordem ou despacho que comprove a retirada do atrelado de um parque da Autoridade Marítima e a sua entrega à empresa Construbarcelos, de João Carvalho. De acordo com o semanário, também não existe registo dessa movimentação no processo da Operação Pacoba, que desmantelou uma fábrica de droga sintética em 2024. Perante esta informação, o procurador-geral da República ordenou a abertura de um inquérito por suspeitas dos crimes de abuso de poder e descaminho, tendo Luís Neves como suspeito.

Entretanto, uma investigação conjunta da CNN Portugal, TVI e Nascer do Sol revela que, afinal, Luís Neves e a mulher detêm quatro terrenos em São Teotónio, Odemira, com cerca de 50 hectares no total, e não apenas duas propriedades, como era conhecido até agora. As quatro propriedades foram adquiridas entre 2011 e 2025 por um total de 417 mil euros: a primeira custou 100 mil euros; duas compradas em 2024 ascenderam a 190 mil euros; e a mais recente foi adquirida por 127 mil euros. Parte destes terrenos está atualmente em obras, incluindo a propriedade onde se encontra a piscina que o ministro classificou anteriormente como um tanque.

A mesma investigação concluiu ainda que Luís Neves não entregou ao Tribunal Constitucional as declarações de património, rendimentos e interesses durante o período em que exerceu funções como diretor nacional da Polícia Judiciária, isto apesar de a legislação então em vigor obrigar os titulares de altos cargos públicos a fazê-lo.

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