Casino da Póvoa “vai mudar muito” depois da Estoril-Sol. Francesa Barrière renova edifício e prepara hotel em Lisboa

Nova concessionária do casino da Póvoa de Varzim comprou mais 17 'slot machines', abriu um restaurante, vai recrutar artistas para espetáculos e está "a estudar" o lançamento de oferta de jogo online.

O casino da Póvoa de Varzim parle français desde o início de maio e o grupo internacional que ganhou a concessão tem planos “de longo prazo” para Portugal. A francesa Barrière, que venceu o contrato para explorar o casino da Póvoa, está a elaborar o plano de modernização do centenário edifício neoclássico – curiosamente, influenciado pela Escola Francesa de Garnier – e também pretende investir em Lisboa.

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Enquanto renova o interior do casino nortenho, após décadas nas mãos da Estoril-Sol, o grupo Barrière vai também começar a construir um hotel de luxo em pleno coração da capital, conta o diretor-geral adjunto do Casino da Póvoa, em entrevista ao ECO. Questionado sobre um eventual interesse no jogo online, Hector Freitas revela que a empresa tem “uma equipa a estudar” a entrada nesse mercado em Portugal.

O grupo Barrière iniciou uma nova no casino da Póvoa, após décadas de exploração por parte da Varzim Sol. Quais são os vossos planos para esta zona de jogo?

Chegámos à Póvoa ainda nem há três meses, a transição foi bastante rápida e, por isso, o nosso primeiro objetivo foi fazer essa transição com sucesso, sermos capazes de abrir o casino dia 1 de maio com as equipas já presentes aqui [cerca de 220 pessoas], que têm muita experiência e qualidade. Foi também graças a elas que conseguimos superar esse desafio. Além da parte do casino, mesmo o produto, queremos trazer a nossa arte, a nossa maneira de fazer. Já abrimos um novo restaurante, há duas semanas, onde pode entrar toda a gente – fica antes da identificação para entrar no casino, portanto podem vir todas as famílias sem terem de passar pela área de jogo. É o “Nino”, uma trattoria italiana com muita qualidade. Esta semana estamos a trazer novas máquinas para elevar o nosso produto de jogo e também já alterámos o layout da sala de [jogos] bancados.

Quantas máquinas novas vão instalar?

As máquinas estão compradas, foram entregues na [passada] segunda-feira aqui no casino e agora é só o tempo de fazer as mudanças, instalá-las e pô-las de serviço. Também há aqueles pratos legais de inspeção para cumprir, mas até ao final deste mês [de julho] deve estar tudo pronto. É uma nova roleta eletrónica com 20 postos de jogo e 17 máquinas (slot machines clássicas) que vão ser instaladas. É importante, seja ao nível da restauração, seja ao nível dos jogos, bancados ou máquinas, marcar a nossa chegada e iniciar uma nova dinâmica aqui no casino para as equipas e para os clientes, para verem que já estão as coisas a mudar. Mas o projeto é a longo prazo, com formação e mudanças mais estruturais que vão ser feitas ao longo destes próximos dois ou três anos.

O contrato de concessão prevê oito meses para apresentarem ao Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos os projetos finais, nomeadamente de arquitetura e um calendário de obras no máximo de três anos. Quando preveem entregar esses documentos ao regulador? O que vai mudar?

Há de mudar bastante a oferta de jogo. O edifício vai mudar muito. Estamos agora a estudar as oportunidades todas com os arquitetos e os engenheiros, porque há sempre o que queremos fazer e depois o que é possível em termos de estrutura. No final do ano, princípio de 2027, já devemos apresentar um plano mais preciso, mas agora isso está tudo a ser pensado. Acho que este edifício neoclássico dos anos 30 é um dos ativos mais importantes do casino e é muito parecido com vários casinos que já temos em França. Temos que capitalizar nisso. Esta tradição é muito importante, mas na decoração interior tudo vai mudar, com um ambiente mais moderno, caloroso, com materiais como madeira e cores completamente diferentes. O edifício não mudou muito nestes últimos anos e queremos modernizá-lo. Portanto, fazer do casino da Póvoa um casino Barrière, que ainda não o é, mas pouco a pouco a nossa ambição é transformá-lo na organização, nos processos e na oferta de entretenimento para os nossos clientes.

Na decoração interior tudo vai mudar, com um ambiente mais moderno, caloroso, com materiais como madeira e cores completamente diferentes. O edifício não mudou muito nestes últimos anos e queremos modernizá-lo. Fazer do casino da Póvoa um casino Barrière, que ainda não é.

O que é que caracteriza um casino Barrière?

É um espaço moderno com uma oferta de jogos (a nossa atividade core) e também a oferta de restaurantes e música ao vivo. Temos aqui uma sala de espetáculos, o Salão D’Ouro, que é grande e dá a possibilidade de fazer shows de qualidade. Em junho, na inauguração oficial, trouxemos logo um show que se chama The Great Party e foi um sucesso entre parceiros, mas também no dia seguinte com os clientes. A nossa missão é trazer estes resultados e produzir aqui em Portugal. Estamos agora a organizar, acho que será em setembro ou outubro, um casting em Portugal para produzir esse tipo de espetáculos cá, de forma mais local.

Ter uma equipa própria de artistas?

Sim, ter aqui artistas portugueses para produzirem esse tipo de show, num projeto com a direção artística francesa e com a nossa direção de marketing aqui na Póvoa.

Que investimento envolve este plano de remodelação de infraestruturas e promoção de eventos culturais?

Não costumamos falar nisso. Vários milhões são com certeza, mas não posso ser mais preciso. Este é um projeto grande para o grupo Barrière, porque temos muita ambição para o casino da Póvoa: colocá-lo no Top10 (ou se calhar melhor) entre os destinos Barrière no mundo. Vemos muito potencial do casino no mercado português. Vai ser um investimento grande para o grupo, mas não posso dizer números, até porque ainda é cedo.

Hector Freitas, diretor-geral adjunto do Casino da Póvoa, durante a cerimónia de inauguração oficial, na Póvoa de VarzimJulien Hay

A performance do jogo de base territorial, onde se inserem os casinos, está a perder cada vez mais tração para o online. Os últimos dados disponíveis mostram que houve uma queda de 13% na receita total dos casinos em Portugal face aos níveis pré-pandemia. Ainda há margem para recuperar da Covid-19?

Sim. A nossa ambição é crescer. O mercado português tem estado a crescer muito por causa da graça online, é uma verdade à qual ninguém pode fugir, mas também mostra que o mercado português é dinâmico. Nós temos uma coisa para oferecer que o online nunca poderá: momentos de convívio, de emoção, de partilha, que se vão encontrar nos restaurantes e nos shows. Essa parte tem um lugar muito importante no projeto futuro. Como é óbvio, tem que ser com uma oferta de jogo moderna, porque o online é moderno e nós temos de acompanhar.

Em 2025, as receitas de jogo do casino da Póvoa foram de 36,3 milhões de euros, o que corresponde a uma descida de 2%. Segundo o relatório financeiro da Estoril-Sol, beneficiou de contrapartidas anuais variáveis reduzidas face ao inicialmente previsto no antigo contrato de concessão.

Preveem criar alguma oferta de jogo online?

Por enquanto, aqui em Portugal, não está nos nossos planos, mas temos uma equipa que está a estudar o assunto. O mercado online também já abriu há 10 anos aqui em Portugal, portanto [os operadores] estão planos bem estabelecidos, é preciso estudar a questão com cuidado.

Casino da Póvoa de VarzimJulien Hay

Em relação ao concurso para a concessão, o que vos levou a apresentar uma proposta?

A nível global, Portugal é um país com uma dinâmica económica e turística muito positiva e tem crescido ao longo dos anos. Portugal foi uma escolha natural para nós. Depois, quando abriu o concurso, a Póvoa destacou-se de imediato, porque reflete o que já somos e valorizamos e a arquitetura do edifício é parecida com o que temos em França. É um casino histórico e conhecido de todos, com boa localização e uma forte identidade regional. Todo este conjunto fez com que parecesse bastante óbvia a candidatura. A minha família é aqui do Norte, nasci em Amarante, tenho vários familiares em diferentes zonas, seja em Trás-os-Montes, em Fafe… Toda a gente conhece o casino da Póvoa. É uma instituição aqui no norte e, pouco a pouco, a ideia é criar parcerias também com empresas locais. Não é de um dia para o outro, mas podemos fazer parte da lista de destinos de quem vem passar alguns dias ou uma semana a Lisboa ou ao Porto. A Póvoa fica perto do Porto e ainda mais perto do aeroporto, o que foi uma surpresa boa para nós. Nas primeiras vezes que cá viemos percebemos que, do aeroporto do Porto, demorávamos 20 minutos a chegar.

O grupo Barrière foi o único player estrangeiro a ganhar esta competição das três zonas de jogo que o Estado pôs no mercado. Alguma vez se sentiram em desvantagem perante outros concorrentes?

Não vou poder responder, porque só estive no projeto depois do concurso ter acabado. Foi a nossa equipa de desenvolvimento que esteve envolvida no processo de concurso.

A vossa sociedade (PDV) acabou por pagar um preço mais elevado. O que levou a esta subida na contrapartida? Pensaram que a Estoril-Sol avançaria com uma proposta?

Também é difícil de responder pelos mesmos motivos. Mas nós insistimos com muita motivação. Nada foi feito assim de repente. Pagámos porque pensámos que íamos conseguir e valeria a pena.

Ficaram surpreendidos pelo facto de o antigo dono não entrar no concurso?

Nunca se sabe ao certo. Nós estávamos preparados para ir ao concurso, portanto não fez muita diferença.

Numa entrevista que deu ao jornal local Voz da Póvoa, fez referência a um “projeto em Lisboa” do grupo. É o hotel anunciado em dezembro? Quando é que abre?

Sim. São projetos completamente diferentes. Em Lisboa, é um projeto de um hotel e de uma residência. A residência [apartamentos turísticos] deve abrir já no final do ano, mais ou menos. O hotel só daqui a um ou dois anos, porque envolve muitas obras. Fica tudo no mesmo local, porque é um conjunto [que completa a futura Maison Barrière, no Príncipe Real].

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