Correios europeus esperam adiamento da taxa das pequenas encomendas para os EUA
PostEurop, que representa os operadores postais na Europa, diz ao ECO que ainda é preciso “clarificar os requisitos" da ordem executiva de Donald Trump e está em contacto com cada país.
Os correios da Europa ainda têm esperança na prorrogação da entrada em vigor da tarifa sobre as pequenas encomendas nos Estados Unidos. A associação que representa os operadores postais europeus está em contacto com os 51 membros, as autoridades de cada país e os parceiros internacionais para perceber os trâmites da taxa norte-americana.
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“Esperamos um adiamento para além de 29 de agosto para que possamos encontrar as melhores soluções para o futuro”, disse ao ECO fonte oficial da PostEurop, acrescentando que ainda é preciso “clarificar os requisitos e ajudar a estabelecer soluções compatíveis”.
O fim do regime de minimis (isenção taxas alfandegárias para mercadorias importadas) levou dezenas de empresas de correios a restringir o transporte de remessas para os Estados Unidos. Em causa está o facto de, a partir de sexta-feira, a maior economia do mundo passar a cobrar entre 80 a 200 dólares (68,65 a 171,62 euros) por cada artigo considerado de baixo valor (até 800 dólares ou 686,50 euros).
“É difícil estimar tempo da suspensão”
Questionada sobre a duração destes limites, a PostEurop explicou que o tempo da suspensão “dependerá da rapidez com que as soluções de conformidade forem implementadas”. Admitindo é “difícil” precisar datas neste momento, “porque qualquer solução precisa de ser testada e implementada”, a associação com sede em Bruxelas garante que está empenhada em evitar que a suspensões se arrastem no calendário e em retomar os serviços “o mais rapidamente possível”.
Em relação aos efeitos no negócio dos operadores postais, a PostEurop disse que os clientes, incluindo particulares e empresas, que enviam mercadorias para os Estados Unidos “podem incorrer em custos adicionais” relacionados com taxas alfandegárias e processamento das encomendas, mas os valores vão depender da aplicação das novas regras da alfândega norte-americana e da forma como cada empresa gere, a nível nacional, estas alterações.
A avalanche de suspensões começou há precisamente uma semana, dia 19 de agosto, com a Omniva da Estónia a decidir limitar o transporte de remessas para o outro lado do Atlântico menos de um mês após o anúncio de Donald Trump. Seguiram-se dezenas de concorrentes do setor, sendo que um dos mais recentes foram os CTT – Correios de Portugal.
Mais de 20 empresas travam envio de encomendas
Atualmente, contam-se interrupções temporárias de 25 empresas na Europa, além dos portugueses CTT. A saber: Cyprus Post (Chipre), Posta Moldovei (Moldávia), Post of Serbia (Sérvia), Bulgarian Post (Bulgária), Slovenská Pošta (Eslováquia), Poczta Polska (Polónia), BH Posta Sarajevo (Bósnia e Herzegovina), Poste Srpske Banja Luka (Bósnia e Herzegovina), Hellenic Post Elta (Grécia), Correos (Espanha), DHL Group (Alemanha), Malta Post (Malta), Lietuvos Paštas (Lituânia), Liechtensteinische Post (Liechtenstein), La Poste Groupe (França), Poste Italiane (Itália), Pošta Slovenije (Eslovénia), Česká Pošta (República Checa), Österreichische Post (Áustria), Posten Bring (Noruega), PostNord (Suécia), Bpostgroup (Bélgica), Posti (Finlândia), Latvia Pasts (Letónia) e Omniva (Estónia).
A ordem executiva de Donald Trump que revogou a isenção de impostos alfandegários para pequenas encomendas que entrem nos Estados Unidos foi publicada a 30 de julho com a justificação de que é necessário para combate ao narcotráfico. “Os riscos de evasão, fraude e importação ilícita de drogas são particularmente altos para artigos de baixo valor que se qualificam para o tratamento de minimis com isenção de impostos”, lê-se no documento presidencial.
“O objetivo dos nossos membros é garantir a continuidade do serviço tanto para empresas como para clientes particulares, salvaguardando a fiabilidade do serviço postal universal”, conclui a PostEurop.
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