Conselho das Finanças Públicas estima regresso ao défice em 2026 se IRS Jovem avançar
Entrada em vigor do IRS Jovem irá reduzir excedente projetado para o próximo ano em três décimas e conduzirá o país ao défice em 2026, segundo estimativas do Conselho das Finanças Públicas.
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) está mais otimista sobre o excedente orçamental previsto para este ano, esperando agora 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e embora para os anos seguintes projete saldos positivos, estima que se o IRS Jovem entrar em vigor as contas públicas sofrerão um grande impacto, levando ao regresso ao défice em 2026.
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As previsões, num cenário de políticas invariantes, ou seja, só tem em conta as políticas em vigor, constam da atualização ao cenário económico e orçamental para o período 2024 a 2028, divulgado esta quinta-feira pela instituição liderada por Nazaré da Costa Cabral.
O CFP prevê um excedente orçamental de 0,7% em 2024, de 0,4% em 2025 e de 0,1% em 2026, o que compara com as anteriores projeções de 0,5% este ano e de 0,6% no próximo. A melhoria para este ano — que coloca o rácio acima dos 0,3% esperados pelo Governo — “resulta do melhor desempenho da receita fiscal e contributiva e dividendos que mais do que compensa o impacto das novas medidas de política e a atualização das medidas de resposta à inflação e ao choque geopolítico“.
Aproximadamente 80% desse contributo da receita de impostos e contribuições sociais é devido aos impostos diretos, “concretamente à receita proveniente do imposto sobre o rendimento de pessoas coletivas (IRC), devendo-se o restante (0,2 pontos percentuais do PIB) às contribuições sociais”.
No entanto, face ao saldo ajustado de efeitos não recorrentes (one-off) de 2023 estima-se uma redução em um ponto percentual (pp.) do PIB, refletindo o impacto das medidas de política económica aprovadas tanto no OE2024 como já em 2024.
Para 2025, o CFP revê em baixa o excedente orçamental para 0,4% do PIB. “O impacto das novas medidas de política associadas à redução de receita e de aumento da despesa, assim como o impacto da atualização das pensões, dos salários e das progressões e o maior volume da despesa financiada por empréstimos do PRR serão determinantes para esta redução do excedente projetado não obstante a revisão em alta do crescimento económico”, justifica.
As projeções, num cenário de políticas invariantes, não incluem o impacto da alteração do regime de IRS Jovem anunciada pelo Governo para o Orçamento do Estado para 2025 (OE2025). O CFP estima ainda assim que a concretizar-se iria ocorrer “uma revisão em baixa do saldo de 0,3 pp. do PIB de 2025 a 2028, implicando o regresso a uma situação de défice em 2026 (-0,2% do PIB)“.

Questionada sobre o tema, durante a conferência de imprensa de apresentação do relatório, Nazaré da Costa Cabral assinalou que embora exista o efeito “multiplicador do imposto”, “há impactos negativos dessa medida em termos de perda receita”. No entanto, considera que o avanço da medida “é uma decisão política”, cuja “avaliação” de benefício “cabe ao Governo fazer”.
O IRS Jovem é uma das medidas linhas vermelhas do PS para viabilizar o Orçamento do Estado para 2025, a par da redução do IRC. As medidas entraram como diplomas autónomos no Parlamento, numa estratégia do Governo para que os socialistas deixassem passar o Orçamento, contudo, o partido liderado por Pedro Nuno Santos tem-se mostrado indisponível para viabilizar um documento orçamental que inscreve os efeitos das duas medidas. O Executivo já se mostrou disponível para modelar a proposta, mas as negociações estão agora em pausa devido aos incêndios.
A instituição liderada por Nazaré da Costa Cabral destaca que, em políticas invariantes, “a evolução da trajetória do saldo orçamental é determinada principalmente pela crescente utilização de empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) até 2026 e posterior dissipação dos mesmos, num período em que a conjuntura económica deverá beneficiar menos o saldo orçamental e os encargos com juros continuarão a elevar a despesa pública“.
Já o saldo primário, que exclui os encargos com juros, permanecerá excedentário ao longo do horizonte de projeção, superior em média a 2,5% do PIB.
O CFP prevê ainda que o rácio da dívida pública caia de 99,1% do PIB em 2023 para 92,4% em 2024, reduzindo-se para 88% em 2025 e para 78,3% em 2028. “Esta trajetória será determinada pelos excedentes primários e, em menor escala, por um efeito dinâmico favorável decrescente em resultado do menor contributo do efeito preço”, considera. Com o impacto do novo regime do IRS Jovem, o rácio da dívida pública situar-se ia em 88,3% em 2025, 85% em 2026 e 79,4% em 2028.
Ministério das Finanças não respondeu ao pedido do CFP
O CFP solicitou ao Ministério das Finanças a quantificação e confirmação do impacto plurianual de um conjunto de medidas previstas pelo Governo, mas informa que “até à data de fecho do relatório não foi possível obter uma resposta”.
“A ausência dessa informação é uma condicionante deste exercício de projeção“, indica.
A análise do CFP incorpora as novas medidas de política económica aprovadas ou consideradas suficientemente especificadas após a promulgação do OE2024, assim como os impactos esperados este ano e nos seguintes de medidas implementadas em anos anteriores.
(Notícia atualizada às 12h09)
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