Mariana Mortágua confirma candidatura à liderança do Bloco de Esquerda

  • Joana Abrantes Gomes
  • 27 Fevereiro 2023

Na conferência de imprensa em que confirmou a sua candidatura, Mortágua atacou o Governo, cuja "maioria não cumpre aquilo que prometeu".

Mariana Mortágua, 36 anos, confirmou esta segunda-feira a candidatura à liderança do Bloco de Esquerda (BE), com a moção “Uma força, muitas lutas”, na sequência da decisão de Catarina Martins de não se recandidatar ao cargo de coordenadora do partido.

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Em conferência de imprensa, transmitida pelas televisões, Mortágua afirmou que o desafio do BE é “enfrentar a maioria absoluta” do PS, reiterando a vontade de “fazer todas as lutas que enchem e dão significado à democracia“, nomeadamente “pelo trabalho, a habitação, a igualdade, o clima, o direito de todas as pessoas a viverem com respeito em democracia plena, o direito de todas viverem uma vida boa”.

A deputada bloquista deixou elogios a Catarina Martins, dizendo que foi “a melhor porta-voz em tempos tumultuosos” e garantindo que o partido continua a contar com ela no futuro “para todas as funções”.

Mas a apresentação da candidatura de Mariana Mortágua foi marcada, sobretudo, por críticas à maioria absoluta socialista, que “não cumpre aquilo que prometeu”. “O PS quis poder absoluto para deixar o país condenado ao desrespeito pela educação e a saúde, consumido por quem especula com os preços, corroído pela corrupção e pela facilidade milionária dos favores. A maioria absoluta nunca foi outra coisa que não arrogância, intransigência e instabilidade”, afirmou.

Para Mortágua, a “tranquilidade” do Partido Socialista é “achar que perante um PSD perdido e sem programa” — que apelida de “programa de desigualdades” — pode “usar o medo da extrema-direita para lhe garantir uma maioria absoluta perpétua”.

Por isso, entende que “só uma alternativa à esquerda pode criar respostas para as pessoas que estão exasperadas com a inflação, com a decadência das coisas importantes da democracia, como a educação, a saúde ou a justiça”. “É preciso fazer muito mais e essa é a tarefa do BE, apresentar uma alternativa à escolha péssima entre o mau e o pior“, frisou.

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda esteve reunida no domingo, em Lisboa, para fazer um balanço do seu mandato, que termina com a realização da XIII Convenção Nacional do partido, agendada para os dias 27 e 28 de maio sob o mote “Levar o país a sério”. O prazo de entrega das moções de orientação à Comissão Organizadora da Convenção termina às 17 horas desta segunda-feira.

Mariana Mortágua é deputada no Parlamento desde 2013, após substituir Ana Drago. Desde então, tem sido uma presença constante nas comissões parlamentares de inquérito à banca e nas discussões do Orçamento do Estado.

Vai provar ao país “o que eu já conheço tão bem”, diz Catarina Martins

Catarina Martins já reagiu à apresentação da candidatura de Mortágua à liderança do Bloco, apontando que “não há quem duvide da preparação, capacidade de trabalho e competência da Mariana”.

“Sei que agora provará ao país o que eu já conheço tão bem: a generosidade e entrega em cada um dos combates por um país mais justo”, afirmou, numa publicação na rede social Twitter.

Na mesma rede social, o líder parlamentar do BE disse que a moção apresentada por Mariana Mortágua “junta ativismos, convicções e ideias fortes”, da qual tem a “honra” de ser um dos promotores. “A Mariana Mortágua será candidata a coordenadora, conhecendo nós a sua combatividade, sabendo ela que caminhamos juntos. Mais força ao Bloco”, declarou Pedro Filipe Soares.

 

(Notícia atualizada pela última vez às 11h47)

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