ANA defende flexibilidade nos voos noturnos em Lisboa dependendo das companhias
O presidente da comissão executiva da ANA defendeu "alguma flexibilidade" nos voos noturnos no aeroporto de Lisboa tendo em conta as especificações das companhias aéreas.
O presidente da comissão executiva da ANA – Aeroportos de Portugal, Thierry Ligonnière, considerou esta quarta-feira que deve haver cumprimento da lei no que toca aos voos noturnos, mas defendeu “alguma flexibilidade” tendo em conta as especificações das companhias aéreas.
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Ligonnière falava numa reunião da comissão permanente de Ambiente e Qualidade de Vida da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), no âmbito da petição “Aeroporto da Portela: queremos ser informados e ouvidos sobre os seus impactos”, que deu entrada nos serviços em 2019. O responsável explicou que a ANA não tem uma posição de proibição dos voos noturnos no Aeroporto de Lisboa, justificando que essa é uma decisão política.
“A ANA diz que é preciso fiscalizar. É preciso cumprir a regulamentação porque a ANA é legalista”, afirmou, ressalvando, porém, que é necessário ter “em conta as especificações de algumas companhias aéreas em relação aos seus mercados, à sua organização operacional”.
Segundo Thierry Ligonnière, “há companhias aéreas baseadas que precisam de alguma flexibilidade em termos de voos noturnos”, uma vez que muitos voos ficam condicionados por “fenómenos meteorológicos”. E outras “que precisam de outra flexibilidade também […] porque alimentam os primeiros hubs de Amesterdão, Paris, etc.”, acrescentou, reforçando que para os passageiros apanharem as ligações da manhã a partir desses aeroportos têm de partir de Lisboa “às cinco ou às seis”. Já para as companhias low-cost, a flexibilização dos voos noturnos é “menos relevante”, indicou.
Atualmente, o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, tem capacidade para cerca de 38 movimentos por hora, valor que poderá aumentar até aos 48, recordou o CEO da ANA. Thierry Ligonnière sublinhou, contudo, que isso só acontecerá se houver licenciamento ambiental e o Governo autorizar.
O presidente da comissão executiva da ANA defendeu ainda a importância de avançar com a construção do aeroporto do Montijo para aliviar a pressão da infraestrutura aeroportuária da capital. Estima-se uma “retoma do tráfego em 2024/2025 para o nível de 2019”, recordou, salientando que, nessa altura, se não houver novo aeroporto, a cidade vai voltar a sofrer com a pressão provocada pela atividade aeroportuária.
Sobre a quantidade de voos em cada aeroporto, o presidente da ANA notou que “há uma possibilidade técnica de desenvolver mais um ou outro em função daquilo que vai ser a decisão política”. Thierry Ligonniére referiu também que a ANA quer avançar com um programa de insonorização já este ano nos prédios mais afetados pelo ruído provocado pelo aeroporto, mas que a fonte de financiamento ainda está em discussão. Para a ANA, disse, tendo em conta a regra do “poluidor pagador”, devia ser criado um “fundo de mitigação dos impactos ambientais”.
Há um mês, na mesma comissão, o presidente da associação Zero insistiu que a existência de voos noturnos no Aeroporto de Lisboa “é completamente inadmissível” e salientou que “o ruído mata”. Francisco Ferreira realçou que as medições feitas pela Zero indicam que o ruído ultrapassa os limites estabelecidos, sendo que só nas medições feitas em março de 2020, já durante a pandemia, é que se registou um cumprimento dos valores.
Em fevereiro do ano passado, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou que não ia tolerar o regresso dos voos noturnos após as obras de expansão do Aeroporto da Portela. O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, considerou, depois, que esta é “uma exigência justa” de Fernando Medina.
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