As starts estão up porque há I&D, universidades e talento

  • Filipe S. Fernandes
  • 19 Setembro 2017

Inovação passa por Lisboa que tem 32% das escolas superiores existentes em Portugal, 38,3% dos alunos matriculados e dos professores do ensino superior e despende cerca de 47% da despesa total em I&D.

No segundo andar do edifício da Startup Lisboa, vinte e cinco pessoas acotovelam-se no reduzido espaço de quatro divisões para dar vida aos algoritmos com a que a James faz o seu produto de software — o James — de análise de crédito e que recebeu o prémio de melhor startup fintech (tecnológica financeira) da Europa de 2016 na conferência internacional Money20/20.

Este software tem sido usado por 25 instituições financeiras em três continentes diferentes. A empresa fundada por Pedro Fonseca, João Menano, João Jerónimo e Sam Hopkins recebeu recentemente um investimento de 2,7 milhões de dólares de Gaël de Boissard, ex-administrador do Credit Suisse, Henry Ritchotte, ex-responsável pelas operações do Deutsche Bank, e da capital de risco BiG Start Ventures, especializada em fintech, e da Rising da família Joaquim Oliveira.

Este é um dos exemplos do ecossistema empreendedor em Lisboa, que tem entre 200 e 300 startups avaliadas em 1,2 mil milhões de euros, segundo um estudo da Startup Genome. Há quatro anos, havia seis incubadoras na cidade. Hoje, há 18, entre incubadoras e aceleradoras, e mais de 40 espaços de coworking. Em 2016, 475 startups estavam incubadas, gerando 3.164 postos de trabalho. Entre 2014 e 2016, foram criadas 700 empresas nos setores high-tech em Lisboa.

Segundo esta publicação, Lisboa destaca-se pela ligação aos ecossistemas mais maduros e pela quantidade de startups que chega a clientes estrangeiros. As startups da capital têm mais de um terço de clientes estrangeiros (34%), 10 pontos percentuais a mais do que as de Barcelona, por exemplo, e 9 pontos percentuais a mais do que a média global. No indicador da conectividade, Lisboa está perto dos 20 primeiros da tabela no que respeita ao acesso a mercados internacionais, e tem ainda a taxa mais elevada de mulheres fundadoras (17%) na Europa, apontando para “um crescimento inclusivo, o que poderá ser uma vantagem competitiva no futuro”, refere o estudo. Relativamente à formação académica dos fundadores das startups, 82% têm mestrado ou doutoramento. O salário dos engenheiros de software que trabalham em empresas portuguesas ronda os 27 mil euros, por ano. A média global é de 45 mil euros.

Este buzz em volta de Lisboa como viveiro de startup está, de alguma forma, relacionada com o Web Summit, a maior conferência europeia de tecnologia, empreendedorismo e inovação da Europa, que reuniu na capital portuguesa mais de 50 mil pessoas da comunidade tecnológica, em novembro do ano passado (número que, este ano, entre 6 e 9 de novembro, deverá aumentar para 60.000).

Toda esta febre fez com que a revista Wired tenha colocado Lisboa no ranking das 100 Hottest Startup Cities da Europa. Entre as startups portuguesas destacadas pela Wired estão a Uniplaces, Codacy, Talkdesk, Chic by Choice, Unbabel, James, Prodsmart, Hole19, Tradiio e Aptoide. “As startups também são responsáveis pela criação líquida de emprego e empresas em Portugal. Nos últimos anos foram investidos centenas de milhões em projetos que criaram muitos empregos qualificados. Acredito que está na altura de mostrar de que não se trata tudo de uma coincidência, e que o ecossistema de startups de Lisboa é realmente dinâmico, fértil, e começa dar notas de que está a amadurecer”, referiu Pedro Rocha Vieira, da Beta-i, ao site Observador.

Born global nos anos 1990

Esta não é a primeira vaga de empresas portuguesas que nasceram para ser globais. “O hype é diferente, há mais dinheiro, os projetos estão na radar das ventures internacionais mas o espírito”, refere um empreendedor de tecnologias que começou em 2000 com uma dotcom. O livro Uma Metrópole para o Atlântico, coordenado por J.M Félix Ribeiro e publicado em 2016 pela Fundação Gulbenkian, faria o inventário de alguns dos casos mais relevantes de empresas portuguesas que desenvolveram soluções e produtos para funções específicas.

A Siscog é empresa que desenvolve software para otimizar a gestão de empresas de transporte ferroviário e metropolitano: terá sido a primeira empresa portuguesa exportar a software e hoje representa 97% dos seus oito milhões de euros em vendas. O primeiro cliente foram os caminhos-de-ferro holandeses, seguidos dos noruegueses, dinamarqueses e finlandeses. Mais tarde, os suburbanos de Copenhaga e o metro de Londres e, recentemente, a Via Rail do Canadá. A Siscog quer alargar a oferta a outros tipos de transporte, nomeadamente ao transporte ferroviário de mercadorias e ao transporte público em autocarros. A tecnologia desenvolvida é aplicável a diferentes domínios na área de transportes.

A Altitude Software foi uma empresa tecnológica estrela até à crise das dotcom em 2000 e foi pioneira no conceito de gestão unificada dos canais de interação (base da designação uCI) no final da década de 90, tendo sido em 2011 adquirida por capitais espanhóis.

Em novembro de 2003, a Fortune selecionou a Outsystems como uma das seis startups mais promissoras a nível mundial pela tecnologia que permitia fazer o desenvolvimento rápido de aplicações de software. Contava então com 20 colaboradores. Em fevereiro de 2017, a Forbes classificava a Outsystems em 6º lugar no ranking das Melhores Tecnológicas da Nuvem para Trabalhar, ao lado de nomes como Google, Microsoft, Amazon ou Salesforce. Em 2016, ultrapassou os 100 milhões de dólares de faturação e, em 2017, deve atingir os 600 colaboradores e está em 42 países através de uma rede mundial de escritórios (Portugal, Estados Unidos, Dubai, Singapura, Austrália, Holanda, Reino Unido) e parceiros no Japão, Brasil, África do Sul e Finlândia.

Mas existem outros exemplos. A TIM We, que opera nas áreas do entretenimento digital, do marketing interativo e móvel e das vendas interativas que tem escritórios em 30 países, presta serviços a cerca de 300 operadores e parceiros em mais de 80 países, conta com mais de 500 colaboradores — cerca de 300 em Portugal — e fatura cerca de 400 milhões de euros. A Vision-Box é líder mundial em soluções digitais e biométricas para o controlo fronteiriço e processamento de passageiros. Criada em 2001 por Miguel Leitmann e Bento Correia, está presente em mais de 80 aeroportos, tendo feito em julho um acordo de três anos para equipar todos os aeroportos da Austrália com a sua tecnologia de reconhecimento facial.

A Feedzai foi fundada por Nuno Sebastião, Paulo Marques e Pedro Bizarro em 2009 e é uma empresa especializada no desenvolvimento de software para gestão de risco e de fraudes, permitindo mobilizar as potencialidades de Big Data e de machine learning. A empresa está já implantada nos EUA e tem, entre os seus clientes, empresas como a Coca-Cola, Logica, Celfocus, Vodafone, Ericsson, SIBS Payment Solutions, Horizon Wind Energy e Servebase credit card solutions.

Concentração e atração de talento

Miguel Santo Amaro estudou Finanças, Contabilidade e Gestão na Universidade Nottingham, em Inglaterra, onde conhecer Ben Grech, com quem criou o clube de empreendedorismo da universidade e, mais tarde, um clube de empreendedorismo a nível nacional nacional (o NACUE – The National Consortium of University Entrepreneurs). Ao mesmo tempo que fazia o mestrado em Empreendedorismo no Babson College (Massachusetts) — lecionado entre os EUA, a França e a China –, conheceu Mariano Kostelec, argentino/esloveno e amigo de Ben Grech. No início de 2012, três recém-licenciados decidiram juntar-se em Lisboa para criar uma empresa digital de alojamento universitário. Em 2015, a Uniplaces obteve a maior ronda de investimento Série A numa startup portuguesa, com 22 milhões de euros angariados e, no ano passado, na inauguração das novas instalações na estação do Rossio, em Lisboa, contou com a presença do primeiro-ministro António Costa. Explorou novos mercados. Cresceu 400% em 2016 e os fundadores querem o mesmo para 2017. Entre janeiro e agosto de 2017 fez dois milhões de reservas. A startup portuguesa está, neste momento, presente em seis países e 36 cidades: Portugal (Lisboa, Porto e Coimbra), Reino Unido (Londres) e Espanha (Madrid, Barcelona, Valência, Granada, Sevilha, Salamanca, Málaga, Alicante, Múrcia), Itália (Bolonha, Roma, Milão, Florença, Pádua e Turim), Alemanha (Berlim, Hamburgo e Munique), França (Paris).

Este é um exemplo da circulação de talento pelas universidades e os países. Por isso, hoje as empresas criadas são globais na sua matriz.

Na Área Metropolitana de Lisboa, no ano letivo 2014-2015, estudavam no ensino superior mais de 15.000 alunos estrangeiros. Escolas de gestão em Lisboa como a Nova Business, a Católica Business, o ISEG ou o ISCTE ombreiam com as melhores internacionais em MBA e mestrados e, por isso, há uma maior concentração de talento. Por exemplo, os MBA da Católica Lisbon School of Business and Economics e da Nova SBE têm a Triple Crown Accreditation da Agência Americana AACSB International (Association to Advance Collegiate Schools of Business), a EQUIS e AMBA. E são as próprias universidades a dinamizar esta área da inovação e empreendedorismo.

O Patient Innovation é hoje uma plataforma digital e rede social criada com o objetivo de promover a partilha de conhecimento, estratégias e soluções inovadoras desenvolvidas por doentes ou cuidadores, para ultrapassar problemas impostos por uma doença ou condição de saúde. Nasceu como um projeto de investigação de Pedro Oliveira Católica-Lisbon, em colaboração com o MIT e Carnegie Mellon, a partir do qual se criou uma plataforma de partilha de ideias e soluções. A plataforma online já recolheu mais de 650 inovações, oriundas de uma comunidade global superior a 40.000 pessoas.

O colosso da educação, investigação e inovação

A área metropolitana de Lisboa concentra 32% das escolas superiores existentes em Portugal, 38,3% dos alunos matriculados e dos professores do ensino superior e despende cerca de 47% da despesa total em I&D do país, sendo que o setor empresarial é responsável por 50%, tanto do financiamento como da execução.

Localizam-se nesta macrorregião algumas das maiores Universidades do país, com destaque para a Universidade de Lisboa e a Universidade Nova de Lisboa, com investigação reconhecida internacionalmente e um ensino orientado progressivamente para os segundo e terceiro ciclos. Destaque também para a presença do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, da Universidade Católica Portuguesa, além dos Institutos Politécnicos de Lisboa e Setúbal, a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique, ISPA, Universidade Atlântica, Universidade Autónoma de Lisboa, Universidade Europeia, Universidade Lusíada, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, entre outras.

No livro Uma Metrópole para o Atlântico refere-se que, nesta região, organizam-se as atividades de investigação que têm “claramente uma posição de maior destaque a nível nacional pela concentração de instituições e pela qualidade da investigação nelas realizadas: Ciências da Terra, Mar e Ar, Física, Engenharia Física, Instrumentação e Ciências da Computação, Biologia, Biotecnologias, Ciências Agronómica e Veterinária e Engenharia Agroalimentar, Física, Química e Ciências e Tecnologias dos Materiais, Ciências Sociais, Humanas e Artes, com destaque para Economia e Gestão, História, Sociologia, Antropologia, Geografia, Linguística e Literaturas, Artes e Tecnologias Artísticas”. A estas acrescentam-se outras atividades que mais se desenvolveram a nível nacional nas últimas décadas e em que a região ombreou com outras: Biologia Molecular, Ciências da Saúde, Ciências Farmacêuticas, Biotecnologias para Saúde e Engenharia Biomédica; Matemáticas, Ciências da Computação, Engenharia Informática/Tecnologias da Informação e Engenharia das Telecomunicações, Engenharia Mecânica, Engenharia Eletrotécnica/Eletrónica de Potência, Automação e Robótica, Engenharia Civil e Arquitetura, Ciências do Ambiente, Engenharia Ambiental, Química e Engenharia Química Verde.

Além das atividades de investigação, estas instituições de ensino superior destacam-se no apoio ao empreendedorismo e inovação, na cooperação com o tecido empresarial e nas atividades de internacionalização, seja através do desenvolvimento de programas académicos em parceria com universidades estrangeiras, de programas de intercâmbio e mobilidade académica ou através da participação em redes de investigação internacionais.

Sistema de inovação

Com o centro constituído pelas Universidades com uma coroa envolvente que integra os Institutos Politécnicos e os Laboratórios de Estado, a região dispõe de um ecossistema de inovação. Mas este ecossistema de inovação da macrorregião integra, apesar das dificuldades da ligação entre as investigação das universidades e a das empresas, as multinacionais e as grandes empresas como a EDP, Galp Energia, REN, Brisa, José de Mello Saúde, entre tantas outras, que contribuem decisivamente para a inovação estrutural para novas atividades ou funções com orientação exportadora. Mas os clusters industriais e tecnológicos, — que são constituídos por muitas PME — e as incubadoras e os parques tecnológicos — criados pelas Universidades ou pelas Autarquias que apoiam spin offs e startups — também fazem parte e dinamizam deste ecossistema.

Em Uma Metrópole para o Atlântico, faz-se uma análise da rede de inovação económica baseando-se na lista de projetos da Agência Nacional de Inovação (anterior Agência de Inovação – Adi), envolvendo organizações (promotoras e copromotoras) localizadas na macrorregião, aprovados entre 2007 e 2013 ao abrigo do sistema de incentivos para a inovação. Esta rede de projetos de I&D é composta por 546 instituições, que estabelecem 750 relações entre elas (664 relações únicas e 86 duplicadas).

Um guia para os principais clusters*

1. Setores Infraestruturais

Na Grande Lisboa concentram-se as sedes e os serviços das empresas que gerem redes infraestruturais que suportam a atividade do país, bem como das empresas diretamente envolvidas na edificação do território. Destacam-se cinco Megaclusters (ou algumas das suas componentes): Transportes-Infraestruturas e Redes Internas; Ambiente – Ciclo Urbano da Água e Tratamento e Valorização dos Resíduos Sólidos Urbanos; Construção & Engenharia; Energia-Petróleo, Gás e Eletricidade; Telecomunicações.

Multinacionais com centros de engenharia em Portugal para setores infraestruturais com uma forte presença como fornecedoras de sistemas de equipamentos às empresas dos setores infraestruturais em Portugal têm vindo a criar centros de competência/engenharia, que combinam a prestação de serviços ao mercado doméstico com a do exterior, acompanhando projetos das respetivas casas mãe ou filiais. Tais são os casos da Siemens, Thales, Nokia Networks e Alcatel Lucent.

2. MegaCluster Setor Financeiro, Seguros e Imobiliário

Na Grande Lisboa está concentrada a atividade financeira do país através das sedes de bancos — comerciais e de investimento — companhias de seguros, fundos de pensões, fundos de investimento e capital de risco e da Bolsa de Valores de Lisboa integrada na Euronext. Este conjunto de atividades, que serve a totalidade do país — bem como a promoção imobiliária –, tem vindo a centralizar-se na Grande Lisboa. Os grandes bancos como a CGD, BCP, BPI, Santander e grandes seguradoras como a Fidelidade, Seguradoras Unidas, Ageas têm as suas sedes ou os seus centros de gestão na Área Metropolitana de Lisboa.

3. MegaCluster Tecnologias da Informação e Serviços às Empresas

Na Grande Lisboa estão concentrados múltiplos setores de serviços às empresas que, a partir da região, servem o conjunto do país: auditoria, consultoria, serviços jurídicos, marketing e publicidade, software e serviços informáticos, etc., destacando-se em vários destes setores as filiais de empresas multinacionais de serviços que operam em Portugal, a partir de Lisboa.

4. Cluster das TI – Sofatware, Serviços Informáticos e Outsourcing de TI

Este cluster constitui uma das áreas de especialização da Grande Lisboa, onde estão concentradas a maior parte das filiais das multinacionais que operam em Portugal na área do hardware informático, do package software, dos serviços de integração de sistemas e consultadoria e do outsourcing em TI.

5. MegaCluster Indústrias Criativas

Na área metropolitana de Lisboa têm a sede as principais editoras de livros, os principais grupos de media do país, com destaque para as televisões e as produtoras de filme, telenovelas e vídeos, as agências de publicidade e marleting digital, agências de comunicação e as empresas de serviço – gráfico, audiovisual, digital e de fornecimento de meios e empresas prestam serviços de produção, distribuição e realização de eventos.

6. MegaCluster Saúde

Este Megacluster integra a indústria farmacêutica, uma concentração de unidades hospitalares públicas e privadas bem como uma multiplicidade de clínicas privadas incluindo várias prestando serviços de cirurgia; a prestação de cuidados de saúde ambulatórios, assegurados tanto pelo Serviço Nacional de Saúde como pela medicina privada e social com destaque para a Misericórdia de Lisboa, laboratórios privados de análises clínicas e de centros de diagnóstico por imagem; filiais dos fornecedores de equipamentos e consumíveis ao setor da saúde; organismos públicos de licenciamento de medicamentos e de regulação do setor; as Universidades e centros de investigação, bem como as Escolas de Enfermagem. Os três principais operadores com sede na Grande Lisboa são: José de Mello Saúde; Grupo Luz Saúde e Lusíadas Saúde.

7. Cluster Alimentar, Bebidas e Distribuição

A Grande Lisboa, no centro de uma Região Metropolitana com quase quatro milhões de habitantes, constituiu um mercado que justificou a instalação de empresas nacionais ou multinacionais operando nestes setores com unidades industriais.

Outros Serviços: Cluster dos Serviços Financeiros; e Megaclusters dos Serviços Gerais às Empresas/Serviços em Tecnologias da Informação; das Indústrias Criativas e Entretenimento; do Turismo e Hospitalidade; e da Saúde. Localizam-se sobretudo na Grande Lisboa.

Distinguem-se ainda os seguintes Protoclusters nas várias sub-regiões do Arco Metropolitano de Lisboa: Grande Lisboa – Bio farmacêutica e Engenharia biomédica; Mobile, Web & Cloud; Vídeo Jogos/Entretenimento Digital;

8. Cluster Automóvel

O cluster automóvel tem sido um forte indutor de investimento na economia da Península de Setúbal, em particular no concelho de Palmela, seja com origem em empresas estrangeiras, ou motivado pelo crescimento das empresas de base nacional. O investimento da VW Autoeuropa e a instalação do parque industrial anexo, bem como os investimentos da Visteon, foram decisivos para a Península de Setúbal.

9. Polo Siderúrgico

As plataformas de produção de bens intermédios das indústrias pesadas químicas e metalúrgicas que existiam na região – Seixal, em torno da Siderurgia Nacional (SN) e Barreiro/Lavradio, em torno do grupo CUF – foram profundamente transformadas durante a década de 90, nomeadamente após o processo de privatizações. No domínio da siderurgia, destacam-se duas entidades que resultaram do processo de privatização da SN como a Siderurgia Nacional – Empresa de Produtos Longos, a Lusosider – Aços Planos e Gonvarri – Produtos Siderúrgicos, especializada em serviços na área siderúrgica

10. Polo de Engenharia Naval

Arsenal do Alfeite SA (AA SA): É uma sociedade de capitais integralmente públicos, a quem recentemente foram concessionadas pelo Estado as instalações industriais existentes na Base Naval de Lisboa, no Alfeite, e a atividade de sustentação técnica dos navios da Armada.

Lisnave – Estaleiros Navais, SA: Atualmente instalada na Mitrena, no estuário do Sado, está vocacionada para qualquer tipo de reparação naval ou de conversão de navios; conta com 6 docas secas com uma capacidade até 700 mil toneladas de arqueação bruta, das quais três para navios Panamax (até 300 mil toneladas de arqueação bruta) que foram construídas depois de 2000 no quadro de uma inovação – o sistema de hydrolift, que permite melhorar a produtividade das operações de reparação naval – e de nove cais de reparação.

Hempel Portugal: Esta empresa química dinamarquesa é líder mundial no fornecimento de revestimentos e pinturas especiais para o mercado da construção civil, proteção anticorrosiva para navios, embarcações de recreio, contentores, torres eólicas, etc., contribuindo assim para o prolongamento da vida útil de estruturas.

11. Polo Celulose Papel

A produção de pasta de papel e papel é uma tradição da sub-região, estando nela implantadas unidades fabris da The Navigator Company.

12. Cluster Agricultura e Agroalimentar

A sub-região Península de Setúbal partilha com a Lezíria do Tejo atividades de agricultura de regadio, que suportam a transformação de produtos hortícolas e, com o Oeste, atividades de transformação de carnes, nomeadamente de suíno (apesar da diminuição registada nos últimos anos).

Chegaram a existir na Península de Setúbal, sobretudo no concelho do Montijo, cerca de três dezenas de empresas de transformação de carnes, nomeadamente de suínos. Atualmente destaca-se o grupo Montalva, Raporal, carnes STEC e Carmonti.

A sub-região tem ainda uma forte tradição nos vinhos de qualidade, sendo exemplos – José Maria da Fonseca, Bacalhoa Vinhos ou Ermelinda Freitas.

Na Península de Setúbal, a floricultura surgiu no Montijo no início dos anos 70. As condições ecológicas e climatéricas favoráveis e a proximidade do Mercado da Ribeira em Lisboa estiveram na origem e desenvolvimento desta atividade que assentava essencialmente na produção do cravo, da cravina, da rosa e do gladíolo. Existem no concelho cerca de 20 explorações que ocupam cerca de 200 hectares, sendo entre 70 a 75% da produção nacional de flor de corte feita no Montijo (as espécies mais produzidas são a gerbera, o crisântemo, a rosa, o cravo e o gladíolo).

*Com base em Uma Metrópole para o Atlântico, coordenado por J.M Félix Ribeiro e publicado em 2016 pela Fundação Gulbenkian

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