Estabilidade financeira? Está melhor. Mas há três riscos principais

O FMI afirma que a estabilidade financeira está "a melhorar". Mas os riscos continuam a existir. O fundo liderado por Christine Lagarde diz que são várias as ameaças identificadas no setor.

O Global Financial Stability Report do Fundo Monetário Internacional (FMI) revela que a estabilidade financeira “continua a melhorar”. A tendência positiva mantém-se suportada na recuperação da economia global perante um contexto de políticas monetárias expansionistas, mas os riscos continuam a existir. Desde a incerteza política, à alavancagem das empresas dos países desenvolvidos e emergentes, até aos problemas estruturais da banca europeia, são várias as ameaças identificadas pelo fundo liderado por Christine Lagarde.

“As taxas de juro de longo prazo subiram, ajudando a aumentar os resultados dos bancos e das seguradoras. Os ganhos nos preços de muitos ativos refletem uma perspetiva mais otimista“, diz o FMI, notando que as bolsas norte-americanas atingiram recordes em março com os investidores expectantes quanto às reformas fiscais. E mesmo fora dos EUA, os mercados valorizaram “impulsionados, em parte, pelas melhores perspetivas para o crescimento e a valorização das matérias-primas”. Isto ao mesmo tempo que os prémios de risco e a volatilidade caíram.

As taxas de juro de longo prazo subiram, ajudando a aumentar os resultados dos bancos e das seguradoras. Os ganhos nos preços de muitos ativos refletem uma perspetiva mais otimista.

Fundo Monetário Internacional

É perante este cenário que o FMI diz que a estabilidade financeira “continua a melhorar”, mas diz que para que esta melhoria seja sustentável é preciso fazer mais. “Os responsáveis políticos terão de implementar o mix correto de políticas, incluindo medidas que fomentem a assunção de riscos por parte dos agentes económicos, especialmente nos EUA, através de políticas que puxem pelo crescimento potencial, aumentem o investimento privado e evitem aumentar os riscos à estabilidade financeira”. Mas é preciso também medidas que respondam aos desequilíbrios internos e externos nos emergentes, bem como uma resposta mais proativa aos problemas estruturais no sistema financeiro europeu.

Conheça os três riscos à estabilidade financeira em detalhe:

Incerteza política. O principal risco

O FMI diz que estão “a emergir novos riscos à estabilidade financeira em resultado da incerteza política e de políticas em todo o mundo”. E o principal receio recai sobre os EUA, embora a Europa também mereça destaque por parte do FMI.

“Nos EUA, se a prevista reforma fiscal e desregulação resultar em rumos de crescimento e de dívida menos positivos do que o antecipado, os prémios de risco e a volatilidade poderão aumentar de forma expressiva, ameaçando a estabilidade financeira“, nota o FMI. Uma viragem para o protecionismo nas economias desenvolvidas pode reduzir o crescimento global e arrasar com o sentimento do mercado.

Na Europa, a tensão política combinada com a falta de progresso nos desafios estruturais no sistema financeiro e os elevados níveis de dívida podem reacender receios em torno da estabilidade financeira.

“O risco de uma ampla reversão na regulação financeira — ou a perda de cooperação global — poderá derrotar os ganhos em termos de estabilidade financeira. Até agora os mercados têm tido uma visão relativamente benigna relativamente a estes riscos, sugerindo que o potencial para uma revisão da avaliação dos riscos caso as expectativas sejam goradas”, conclui.

As ameaças às economias emergentes

O FMI diz que as economias emergentes estão mais resilientes, especialmente depois de as empresas terem conseguido reduzir a alavancagem. “O crescimento destas economias deverá continuar, puxado pelos ganhos das empresas exportadoras de matérias-primas e as perspetivas para a evolução das suas economias fruto do crescimento das desenvolvidas”, diz o FMI.

Contudo, os riscos à estabilidade financeira continuam elevados em resultado da incerteza política e de políticas em todo o mundo. “Uma súbita reversão do sentimento do mercado ou uma viragem para o protecionismo a nível global poderão levar à fuga de capitais e penalizar as perspetivas de crescimento, testando a resiliência destas economias”.

Entre os emergentes, a preocupação principal do FMI é a China. “A China enfrenta riscos crescimentos à estabilidade financeira à medida que o crédito continua a crescer a um ritmo elevado. Os ativos dos bancos chineses são já o triplo do PIB da China e outras instituições financeiras não bancárias têm aumentado ainda mais a exposição ao crédito”, nota o FMI, acrescentando que há grandes vulnerabilidades.

Os problemas estruturais na banca europeia

Já muito foi feito para resolver o problema do malparado. Mas não é suficiente. São precisos mais esforços para que os bancos voltem à rentabilidade. Sobretudo nas instituições financeiras que se focam mais na atividade doméstica — foram as mais penalizadas em 2016. Apesar de a Irlanda continuar a apresentar o nível mais elevado de malparado, o FMI destaca Portugal e Itália como os casos mais preocupantes.

O fundo explica que para os bancos regressarem “à rentabilidade e financiarem de forma bem-sucedida o crescimento económico, os bancos devem limpar os balanços através de abordagens abrangentes para reestruturar a dívida“. E isto deve ser suportado por “aumentos de capital, provisões para o malparado e para as imparidades” e através da venda destes empréstimos em incumprimento.

A combinação desta fraca rentabilidade nos bancos domésticos e nas instituições sistémicas, a falta de acesso a capital privado e uma lista extensa de problemas por resolver a nível dos empréstimos “têm o potencial de reacender riscos sistémicos em algumas economias“, defende o fundo. Como já aconteceu durante a crise financeira, quando o facto de os bancos deterem dívida soberana expôs as instituições ao stress dos países em dificuldades.

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