BCP afunda 10%. Vêm aí 14 mil milhões de novas ações

Ações do BCP corrigem após valorizações acentuadas nas últimas sessões, a dias de o banco lançar 14 mil milhões de novas ações na bolsa. A aversão ao risco atinge bolsa nacional e banca europeia.

As ações do BCP estão a afundar esta terça-feira mais de 10%, num dia de forte aversão ao risco no mercado acionista nacional. A bolsa portuguesa é a única a registar perdas entre os principais índices europeus. Também a banca do Velho Continente segue hoje sob pressão.

No caso do maior banco privado português, as ações cedem 11,07% para os 0,1542 euros, a dois dias de a instituição liderada por Nuno Amado lançar na bolsa mais 14 mil milhões de novos títulos na sequência do aumento de capital no valor de 1.300 milhões de euros. É já na quinta-feira que se inicia a transação das novas ações do BCP.

O BCP concluiu com sucesso a operação de reforço de capital que vai permitir o reembolso antecipado da ajuda do Estado e ainda cimentar os rácios de força financeira. Os acionistas de referência marcaram presença, caso dos recém-chegados chineses da Fosun, do grupo EDP e do fundo BlackRock, o que permitiu ao banco dispensar a tomada firme do sindicato bancário que preparou o aumento de capital.

A confiança depositada pelos acionistas levou o BCP a valorizar esta segunda-feira para perto de máximos deste ano, estando o banco a apresentar esta terça-feira uma correção acentuada numa sessão que apresenta um volume de negociação bastante expressivo: já trocaram de mãos mais de 30 milhões de papéis em cerca de quatro horas de negociação, acima da média diária de 26 milhões observada nos últimos 12 meses.

“O BCP está a corrigir os ganhos das últimas sessões”, refere Eduardo Silva, gestor de ativos da XTB Portugal. “O sentimento de risk off na Europa com incidência sobre o setor da banca é evidente, depois de dois dias de fortes subidas, o BCP está a ceder parte dos ganhos e acompanha o setor com uma desvalorização acentuada. A volatilidade é ainda mais forte em Itália onde o risco político e a pressão sobre o setor da banca têm estado em foco”, acrescentou.

Neste momento, a aversão ao risco é geral na bolsa portuguesa. E também na banca europeia. O PSI-20, o principal índice português, cai 0,95% 4.550,72 pontos, pressionado ainda pela Galp (-0,43%) e pelos CTT (-1,3%). No panorama europeu, o BNP Paribas perdia mais 3,5% e o Société Générale e o Bankinter perdiam ambos mais de 2%.

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