Tanzânia confirma obra milionária da Mota-Engil, ações disparam mais de 5%

Ações da construtora dispararam mais de 5% depois de o Governo da Tanzânia ter confirmado uma obra de 1,1 mil milhões que foi entregue à Mota. Bolsa nacional avançou com ajuste dos direitos do BCP.

A Mota-Engil acelerou esta sexta-feira na bolsa nacional, depois de o Governo da Tanzânia e a empresa terem confirmado a notícia de que a construtora portuguesa e turca Yapi Merkesi ganharam o concurso para a construção de uma linha-de-ferro no país, um contrato avaliado em mil milhões de euros. Lisboa disparou quase 3%, um desempenho que refletiu não apenas o comportamento das cotadas, mas também um ajustamento técnico ao valor do índice por causa da saída dos direitos de subscrição do BCP.

As ações da construtora nacional subiram 5,23% para 1,65 euros e estiveram em destaque no PSI-20. Um ministro da Tanzânia confirmou esta sexta-feira que um consórcio composto pela Mota-Engil e outra construtora turca venceu um contrato para a construção de um percurso de caminho-de-ferro com cerca de 400 quilómetros para ligar o leste africano a regiões interiores e mais remotas do Burundi e do Ruanda.

“Estamos muito interessados e é algo que iremos começar a discutir com o governo”, adiantou António Mota, CEO da Mota-Engil África, à Bloomberg. “Existem propostas em curso”, comentou ainda o responsável. Entretanto, a construtora portuguesa também enviou um comunicado ao regulador do mercado, confirmando as notícias. “Com este reforço assinalável da carteira de encomendas da região de África, a Mota-Engil reitera o objetivo de retomar o ritmo de crescimento dos seus negócios naquela região e no grupo“, explica a empresa no comunicado.

A obra na Tanzânia é “potencialmente positiva”, diz Nuno Estácio, analista do Haitong. “Na nossa conferência ibérica, a mensagem oficial da Mota-Engil foi de que eles tinham alguns potenciais projetos em vista em África, especialmente nos caminhos-de-ferro, mas que ainda estavam dependentes de financiamento. Se as condições financeiras forem garantidas, esperamos que este contrato seja relevante para a carteira da Mota-Engil em África, que representa cerca de 30% do total”, frisou ainda.

Mota acelera com obra milionária em África

O desempenho da Mota-Engil deu força à bolsa nacional. O PSI-20 avançou 2,77% para 4.622,82 pontos, impulsionada ainda pela alta de 1,76% dos títulos da Galp, que cotaram nos 13,84 euros. Mas houve mais um fator de ordem puramente técnica que contribuiu decisivamente para esta variação.

A cotação do índice foi ajustada em alta esta sexta-feira em função da exclusão dos direitos do aumento de capital do BCP. Em causa está o facto de a Euronext ter removido o direito que estava a ser utilizado para o cálculo do PSI-20. Este direito negociou pela última vez nos 58 cêntimos, o que colocou o valor das novas ações do BCP nos 13,27 cêntimos, abaixo da cotação de 16 cêntimos com que negoceiam as ações existentes. Retirado este fator, houve necessidade de efetuar um ajustamento ao índice.

Com a inclusão das novas ações do BCP no âmbito do aumento de capital — mais de 14 mil milhões de novas ações — e removido o valor referente a esses direitos, o ajustamento extraordinário efetuado pelo Euronext levou a impacto positivo na cotação do índice entre 1% e 2%.

“Assim, o valor do PSI-20 está hoje a refletir o ajuste da diferença resultante do valor que estava incorporado referente aos direitos e o valor efetivo das ações“, diz a Euronext. O que, “considerando o peso que o BCP tem atualmente no PSI-20, o impacto terá, certamente, sido notado”, acrescentou a gestora da bolsa nacional.

(Notícia atualizada às 18h42 com declarações de António Mota e comunicado da Mota-Engil, assim como a atualização das cotações)

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