Juros portugueses avançam à espera da Fitch

Commerzbank vê Fitch a manter o outlook estável da dívida portuguesa, mas deverá deixar avisos a Portugal por causa da recapitalização da Caixa. Juros portugueses também são motivo de preocupação.

Os juros da dívida portuguesa voltam a subir esta terça-feira, com a taxa a 10 anos a manter-se bem acima dos 4%, no dia em que a Fitch deverá manter tudo igual em relação ao perfil de crédito de Portugal. Ainda assim, a agência deverá deixar avisos sérios à navegação, sobretudo no que diz respeito à situação na banca. Diz o Commerzbank que um dos pontos que a Fitch deverá sinalizar como preocupante será a Caixa Geral Depósitos (CGD). A parte mais fácil do plano de recapitalização do banco público já foi feita. Falta a mais difícil.

A yield associada às obrigações a 10 anos sobe cinco pontos base para 4,172%, mantendo-se no nível mais elevado desde março de 2014, há quase três anos. Os juros subiam em todas as linhas com maturidade mais longas. O comportamento dos juros tem sido evidenciado pelas altas instâncias europeias como sinal de que os mercados estão nervosos com o país.

“Portugal já cobriu cerca de 20% das suas necessidades de financiamento de entre 14 e 16 mil milhões de euros, o que é respeitável. Além disso, os números do crescimento e do défice surpreenderam pela positiva. Ainda assim, vemos espaço para a agência Fitch construir uma retórica conservadora em relação a Portugal”, refere o analista David Schnautz, do Commerzbank.

“No geral, esperamos que o outlook estável seja confirmado mas que seja sinalizado que os riscos estão firmemente inclinados para baixo — provavelmente ainda mais agora do que há duas semanas. O facto de as yields estarem claramente acima de 4% e de terem superado o pico de fevereiro de 2016 fundamenta a nossa visão. Reiteramos a nossa posição cautelosa em relação às obrigações portuguesas”, acrescentou.

Juros em máximos de três anos

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Fonte: Bloomberg (valores em %)

Esta sexta-feira, a Fitch prepara-se para avaliar a economia portuguesa e o rating BB+, com perspetiva estável, isto depois de, na semana passada, ter reconhecido progressos, mas frisado insuficiências. E destacou a banca portuguesa como fator importante pelo impacto que pode ter nas finanças públicas.

"Portugal já cobriu cerca de 20% das suas necessidades de financiamento de entre 14 e 16 mil milhões de euros, o que é respeitável. Além disso, os números do crescimento e do défice surpreenderam pela positiva. Ainda assim, vemos espaço para a agência Fitch construir uma retórica conservadora em relação a Portugal.”

David Schnautz

Estratego do Commerzbank

Para o Commerzbank, “será interessante ver como a Fitch vai abordar o facto de a recapitalização da CGD não ter ocorrido no final de 2016”. Schnautz diz que “houve progressos nos elementos “mais fáceis” da recapitalização (…), mas nenhum progresso na parte mais apertada do plano: a colocação de duas tranches de 500 milhões de euros de dívida subordinada junto de investidores privados”.

A primeira fase da recapitalização ficou concluída no início do ano com um aumento do capital social do banco público em 1.445 milhões de euros, através da conversão em capital de 945 milhões de euros (e respetivos juros) dos instrumentos de capital contingentes (CoCos) subscritos pelo Estado em 2012 e de 500 milhões de euros respeitante à passagem para a CGD das ações da sociedade Parcaixa.

O Commerzbank adianta ainda que Portugal deverá em breve deixar a porta aberta a uma nova emissão sindicada. A concretizar-se, será a segunda operação do género este ano depois da emissão realizada a 11 de janeiro, em que levantou 3.000 milhões de euros em obrigações do Tesouro a 10 anos, tendo pago um juro de 4,3%, o mais elevado desde a saída da troika.

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