Banco Mundial: a Zona Euro tem 99 problemas e a incerteza é um deles

Como diria Jay-Z, a Zona Euro tem 99 problemas. O cenário traçado pelo Banco Mundial no seu último relatório é de incerteza: problemas, problemas e mais problemas.

No futuro só há uma certeza: a incerteza. No seu último relatório, o Banco Mundial recorda os problemas da banca, o Brexit e a inflação inferior à meta do Banco Central Europeu para sustentar que os países da moeda única não vão voltar a crescer mais de 2% até ao virar da década. A incerteza reina na Europa, relata o Banco Mundial.

A procura interna e as exportações perderam o gás e fez com que a Zona Euro abrandasse o ritmo de crescimento de 2% em 2015 para 1,6% em 2016. Em 2017 as perspetivas do Banco Central não são melhores: espera-se que o Reino Unido acione o procedimento para sair da União Europeia, que Trump comece a política de protecionismo nos EUA e que o aumento do preço do petróleo prejudique o rendimento disponível para o consumo privado.

As notícias vindas da banca de Itália e mesmo de Portugal, com a resolução do Novo Banco em causa, também estão a causar problemas no descolar da economia do euro. O Banco Mundial refere as preocupações com a rentabilidade do setor bancário e o elevado nível de crédito malparado, outro problema comum à banca italiana e portuguesa. Estes efeitos “podem continuar a restringir [o acesso ao] o crédito da Zona Euro e contribuir para a volatilidade dos mercados”.

“Apesar da atual política monetária expansiva, a inflação mantém-se significativamente abaixo da meta”, afirma o relatório do Banco Mundial sobre a Zona Euro. É outro dos problemas que Mario Draghi terá de enfrentar num futuro próximo caso os números da inflação não acelerem, tal como aconteceu em dezembro e a surpresa da inflação alemã. Mas há um perigo: o Banco Mundial avisa que se a meta da inflação ficar aquém durante muito mais tempo, a eficácia da política monetária fica em causa.

Além disso, o Banco Mundial ilustra o relatório com um gráfico onde traça o perfil da taxa de investimento em certos países, incluindo Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda e Itália na mesma linha. Em comparação com os restantes países da Zona Euro, é possível verificar uma queda significativa no investimento desses cinco países, onde se inclui o caso português, após a crise financeira.

Fonte: Banco Mundial.
Fonte: Banco Mundial.

Já a política orçamental foi “levemente expansionista em 2016 em parte como resultado das despesas relacionadas com os refugiados”, indica o relatório, ressalvando que estima-se que em 2017 o efeito seja neutro. Além disso, a sustentabilidade orçamental continua a ser uma preocupação em vários países, “apesar de os encargos com a dívida [pública] terem diminuído na maior parte dos países da Zona Euro, graças à excecionalmente baixa taxa de juro em todo o espetro de maturidades”.

A economia da Zona Euro continua em maus lençóis. “O crescimento na Zona Euro em 2017 está projetado para desacelerar marginalmente para 1,5%”. Porquê? Eis os fatores: o retrocesso do rendimento disponível dada a recuperação dos preços do petróleo, o aumento da incerteza política e ainda as preocupações do setor bancário vão atrasar o benefício de condições financeiras mais favoráveis.

Em 2018 e 2019, o caso vai ser pior: 1,4% de crescimento económico, “conduzindo a um estreitamento gradual do hiato do produto”, ou seja, da diferença entre o PIB real e o PIB potencial.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa (mariana.barbosa@eco.pt)

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