Hedge funds fazem a festa com novo mínimo do BCP

O aumento de capital vai ser feito através da emissão de novas ações com um desconto avultado que ditou uma queda acentuada dos títulos do BCP. Mas nem todos os investidores perderam.

Se é acionista do Banco Comercial Português (BCP), esta não foi uma sessão para recordar. Os títulos do banco afundaram, tocando novos mínimos históricos em resultado do desconto a aplicar nos novos títulos que vão ser emitidos no âmbito do aumento de capital. Uma queda acentuada que foi aproveitada por alguns investidores. Os fundos que apostam na queda dos títulos saíram a ganhar… para já.

O BCP vai aumentar o capital em 1.300 milhões de euros. Vai emitir milhares de milhões de novos títulos a 9,4 cêntimos cada um, um desconto de 38,6% face ao novo valor das ações do banco no final da última sessão, ajustado à operação. O BCP encerrou a sessão de segunda-feira a 1,0412 euros, mas com a pressão vendedora perante o aumento de capital, os títulos cederam mais de 11%.

As ações encerraram a sessão a cotar nos 92,31 cêntimos, tendo chegado a tocar nos 90 cêntimos, um novo mínimo histórico. Uma descida expressiva que permitiu só nestas 8h30 de negociação na bolsa nacional uma mais-valia potencial de quatro milhões de euros aos vários fundos que têm posições curtas — que procuram ganhar com a queda das ações — no BCP.

BCP fixa mínimos históricos

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O Lansdowne foi o que mais beneficiou, registando um ganho potencial de 1,66 milhões de euros com a descida dos títulos do banco liderado por Nuno Amado fruto da posição curta de 1,79% que mantém no banco, de acordo com os dados da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, faturou 1,3 milhões de euros (tem o equivalente a 1,4% do capital em posições curtas).

Além destes dois, há ainda mais dois hedge funds que apostam na queda do banco — posições que já têm algum tempo, de acordo com os dados da CMVM. De um lado está a Oceanwood, já do outro está a TT International, que há vários anos têm apostado na descida das ações do banco. No total, estes quatro fundos têm 34 milhões de títulos a descoberto, o equivalente a 4,34% do capital.

Esta forte queda do BCP, que atirou as ações para um novo mínimo histórico, segue-se a um ano negro para o banco que em 2016 liderou as descidas entre as cotadas do PSI-20. Perdeu mais de 70% do seu valor em bolsa, ditando perdas para os seus acionistas, mas ganhos para estes fundos.

Saída trava pressão

Apesar de estarem a ganhar com a queda do BCP, estes hedge funds podem vir a servir de algum suporte para os títulos. É que no aumento de capital haverá, para já, uma força compradora, a Fosun, sendo que falta saber o que irá fazer a Sonangol.

“No curto prazo, o foco de atenção dos investidores deverá ser o de tentar perceber o que irá fazer a Sonangol, nomeadamente se vai aproveitar para chegar a 30%”, o que garantiria já uma parte substancial do aumento de capital, diz o Haitong. Se ambos quiserem reforçar, a pressão compradora aumenta, puxando pelas cotações.

Neste contexto, o banco de investimento salienta que “a necessidade de alguns fundos de cobertura (hedge funds) de fecharem as suas posições poderá dar algum apoio aos títulos”. Acredita que poderá compensar “a forte diluição resultante deste aumento de capital”, travando quedas mais acentuadas do BCP.

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