Milhares de pessoas entram em Ceuta a pé desde Marrocos
Ceuta declarou-se em "absoluta emergência humanitária e social" depois de "milhares de pessoas" cruzarem sem controlo a fronteira do exclave espanhol no Norte de África.
Milhares de pessoas entraram esta quinta-feira a meio do dia a pé na cidade espanhola de Ceuta, desde Marrocos, depois de nos últimos dez dias mais de 1.500 terem alcançado o território a nado, relatam meios de comunicação no local. “Milhares de migrantes entram em Ceuta a pé pelo espigão fronteiriço” e “milhares de pessoas cruzam sem controlo a fronteira de Ceuta“, lê-se em títulos de meios de comunicação social espanhóis como a agência EFE e o jornal El Pais, que têm jornalistas no local.
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Os agentes da Guarda Civil de Espanha “limitam-se a observar e deixar passar a multidão que cruza a fronteira, surpreendidos pelo grande número de pessoas que a atravessam”, acrescenta o El País. A passagem está a ocorrer junto ao designado “espigão”, um muro largo de pedra que entra nas águas que separam Ceuta de Marrocos e que tem também uma vedação.
Segundo a EFE e o El País, centenas de jovens saltaram a vedação, que não estava vigiada, e outros contornaram a pé “o espigão”, passando assim para o lado de Ceuta.
Elementos das forças de segurança questionados pela EFE garantiram desconhecer o motivo da massiva concentração de jovens para cruzar a vedação de Ceuta, que coincide com a celebração da Festa do Trono em Marrocos, um feriado nacional que celebra, em 30 de julho, a ascensão ao trono do Rei Mohammed VI em 1999.
Ceuta declarou-se em “absoluta emergência humanitária e social” por mais de 1.500 pessoas que se atiraram ao mar em Marrocos terem entrado nos últimos dez dias neste enclave no norte de África.

O presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu mesmo ao Governo de Espanha para ser declarada no território a situação de “emergência nacional”, com envio de meios do Estado central para gerir a “crise migratória”.
“Estamos numa situação de absoluta emergência humanitária e social que exige uma atuação consequente através de um comando único que garanta uma resposta enérgica, decidida e imediata”, disse Juan Jesús Vivas, em declarações a vários meios de comunicação social espanhóis.
Pedro Sánchez já se veio manifestar, esta quinta-feira, através de uma publicação na rede social X, onde sublinhou que o Governo espanhol está “empenhado” em dar uma “resposta imediata à situação em Ceuta”.
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Entre 1.500 e 2.000 pessoas nos últimos dez dias conseguiram entrar em Ceuta depois de se terem atirado ao mar em Marrocos e nadado até águas espanholas, segundo os dados das autoridades da cidade. “Para que o resto de Espanha possa ter uma ideia, é o equivalente a 2% de toda a população de Ceuta. É como se tivessem entrado por via marítima e de maneira irregular um milhão de pessoas em Espanha nos últimos dez dias”, afirmou Juan Jesús Vivas à rádio Cadena Ser.
A pressão migratória é permanente em Ceuta, sobretudo no verão, pelas condições do mar e da meteorologia, mas o presidente da cidade sublinha que estão a ser registados nos últimos dez dias “picos de especial intensidade” que se transformaram numa “emergência nacional”.
No início da manhã, ainda antes da entrada massiva de pessoas a pé em Ceuta, Juan Jesús Vivas tinha pedido a ajuda e intervenção do Estado central, incluindo o envio de militares.
Horas mais tarde, por volta das 12:30 (11:30 em Lisboa), milhares de pessoas dirigiram-se em simultâneo à fronteira de Ceuta desde Marrocos e cruzaram a pé para o lado espanhol, algumas saltando vedações e outras contornando o pontão sobre o mar que existe num dos limites do enclave.
A situação repetiu-se horas depois, por volta das 15:30, segundo vários meios de comunicação espanhóis que estão em Ceuta e Fnideq, que contam como as polícias dos dois lados não conseguiram impedir a avalanche de pessoas. O centro de acolhimento temporário de imigrantes de Ceuta já estava sobrelotado esta manhã e há agora mais de mil pessoas nas imediações à espera de serem atendidas, segundo os jornalistas no local e fontes policiais.
Por outro lado, os meios de comunicação relataram como a atividade comercial em Ceuta está quase parada, com o fecho à tarde de bares, restaurantes e lojas. Tanto Espanha como Marrocos atribuíram esta crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.
Os dois governos anunciaram também um acordo para o repatriamento, “o antes possível”, das pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular nos últimos dias. Espanha garantiu também um reforço de meios para normalizar a situação em Ceuta.
“As redes de tráfico de pessoas estão a instrumentalizar uma sentença judicial para fomentar o fluxo de migrantes sem documentos, maioritariamente jovens”, disse, por seu turno, o Ministério da Administração Interna (MAI), num comunicado sobre a situação em Ceuta.
Relatos de migrantes citados por meios de comunicação social espanhóis falam num “efeito chamada” desencadeado por uma sentença do Supremo Tribunal de Espanha do início deste mês segundo a qual pessoas que chegam ao país por mar, de forma ilegal, não podem ser devolvidas imediatamente às autoridades de outro Estado.
Essa entrega a autoridades de outro país só se pode aplicar a quem entra em Espanha “superando os elementos de contenção fronteiriça estabelecidos, como vedações”, decidiu o tribunal.
(Notícia atualizada às 19h29 com mais informação)
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