BCP aprova aumento de capital de 1.300 milhões

O BCP reuniu hoje em conselho de administração extraordinário para decidir a cooptação de dois novos administradores e o aumento de capital do banco até 1,3 mil milhões de euros.

Hoje é um dia importante para Nuno Amado neste segundo mandato que termina no final de 2017, uma espécie de primeiro dia do resto da vida do BCP: o conselho de administração do banco reuniu de forma extraordinária para aprovar a nomeação de dois administradores e, também, a decisão sobre um aumento de capital até 1,3 mil milhões de euros, apurou o ECO junto de diversas fontes conhecedoras do processo. Mas, até ao momento, não foi possível obter qualquer resposta do BCP.

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Quando, no dia 19 de dezembro, os acionistas do Millennium bcp aprovaram a revisão dos limites de voto de 20% para 30%, estavam a responder à última das exigências da Fosun, o investidor chinês dono da Fidelidade que já é o maior acionista com 16,7% do capital. A Fosun anunciou estar disponível para chegar até aos 30%, mas precisava daquela decisão. E o presidente do BCP, Nuno Amado, naquela data, afirmou que “estão criadas as condições para o banco ter uma base de acionistas algo mais forte e de acompanharem a evolução do banco”. E mais: A tomada de medidas necessárias seria feita “rapidamente e bem, no sentido da defesa dos interesses do banco, dos seus acionistas e clientes”. Mais rápido era difícil.

Na sequência do acordo com a Fosun, a comissão executiva seria revista e aumentada com dois novos administradores, mas agora a Fosun só indica um, João Nuno Palma, antigo administrador financeiro da CGD na equipa de José de Matos. E será também cooptado um não-executivo, em princípio de nacionalidade chinesa. A seguir, vem o aumento de capital, cuja deliberação tem de ser aprovada em conselho. A operação, refira-se, será tomada firme por um sindicato bancário liderado por dois americanos, a J.P. Morgan e o Goldman Sachs.

Se, como tudo indica, o aumento de capital vier a confirmar-se – o que poderá ser feito nas próximas horas -, Nuno Amado vai resolver dois problemas de uma cajadada só:

  1. Pode reembolsar o empréstimo do Estado no valor de 750 milhões de euros que ainda não foi pago e que evita a possibilidade de arriscar ter o Estado como acionista.
  2. O BCP aumentará os rácios de capital, nomeadamente o mais relevante, para valores acima dos 11%, claramente acima do exigido pelo BCE.

É certo que a Fosun quer aumentar a sua participação até 30% e, por isso, vai acompanhar o aumento de capital na proporção da sua participação e vai também comprar no mercado direitos de voto que lhes permita chegar àquela participação. A Sonangol, por seu turno, é a segunda maior acionista com cerca de 14% e já tem a devida autorização do BCE para ultrapassar os 20%. A petrolífera liderada por Isabel dos Santos quer manter uma relação de forças equilibrada com a Fosun e, por isso, deverá reforçar a sua posição, e pode ultrapassar a fasquia dos 20%. O outro acionista de referência, recorde-se, era o banco espanhol Sabadell, com cerca de 4% do capital, mas decidiu sair e vendeu toda a participação ainda em 2016. Por outro lado, há dias, a EDP adquiriu à sua participada EDP Imobiliária e Participações perto de 14,5 milhões de ações do banco, correspondentes a 1,53% da instituição, e transferiu-as para o seu fundo de pensões. O Fundo de Pensões, por seu lado, já detinha 0,58% do capital, pelo que agora passa a ser titular de quase 20 milhões de ações do BCP, representativas de 2,11% do respetivo capital social e direitos de voto.

Há outra boa razão para o BCP acelerar o aumento de capital. Com a incerteza na banca internacional, e na italiana em particular, os investidores estão a penalizar os títulos financeiros e, no caso português, o BCP é o mais afetado, sobretudo porque há a convicção de que este aumento de capital é inevitável. Neste momento, o BCP já está a tocar novos mínimos e está praticamente colado a um euro por ação.

A Fosun, recorde-se, comprou 16,7% do capital do banco liderado por Nuno Amado a 20 de novembro. Uma compra feita através de uma colocação privada de ações que exigiu um investimento de cerca de 175 milhões de euros, isto é, a 1,1089 euros por ação, o que correspondeu a um desconto de cerca de 11% face à cotação naquele dia. Mas esse desconto já foi ultrapassado, porque no fecho de sexta-feira, o BCP valia 1,055 euros por ação.

(em atualização)

Evolução das ações do BCP

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