Capitalização da CGD avança mesmo sem gestão

António Domingues não quis esperar pela entrada de Paulo Macedo na CGD e deixou o banco em gestão corrente. Mas não é esta condição que impede o avanço da capitalização, que começa já no dia 4.

A capitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai avançar, mesmo com o banco em gestão corrente. António Domingues vai sair do banco público, não tendo aceitado o pedido de Mário Centeno para se manter à frente da Caixa durante os dias que ainda faltam para a equipa de Paulo Macedo tomar posse. Apesar de a gestão do banco ficar agora nas mãos da equipa de Domingues que ainda se mantém, não é isso que vai impedir a CGD de dar início já esta quarta-feira ao processo de capitalização.

O Ministério das Finanças confirmou ao ECO que o processo de capitalização da CGD pode ir para a frente, apesar de o banco público estar em gestão corrente. António Domingues não quis esperar pela entrada da nova administração de Paulo Macedo — que ainda aguarda pela aprovação do Banco Central Europeu. Desta forma, a transição terá de ser feita por outros administradores, nomeadamente os quatro que não renunciaram ao mandato e que integravam a equipa de Domingues. Recorde-se que apenas dois – Rui Vilar e João Tudela Martins – continuarão com Paulo Macedo. Mesmo assim, só poderão tomar decisões de gestão corrente.

No entanto, a decisão da capitalização cabe ao acionista. Portanto, ao Estado, conforme explicou uma fonte do setor bancário ao ECO. Assim, este processo vai mesmo começar na quarta-feira, dia 4 de janeiro. Nesta primeira fase será feita a conversão dos CoCo’s — obrigações subordinadas de conversão contingente — em capital (avaliados em 960 milhões de euros), mas também a entrada da totalidade da Parcaixa para o balanço do banco público, o que permitirá um encaixe de ativos no valor de 500 milhões. No total, são 1.460 milhões de euros de novo capital.

Mas, entretanto, o banco vai continuar com um poder de decisão limitado e será a segunda vez que isto acontece no espaço de meses. Já tinha sucedido o mesmo com José de Matos, que acedeu a prolongar o mandato por um mês a pedido de Mário Centeno antes da entrada de António Domingues.

Ainda não se sabe quando é que o Banco Central Europeu dará o aval à nova equipa para liderar a CGD, já que as regras são omissas, referindo apenas que “tudo depende da informação disponível”, da “rapidez com que o supervisor nacional reúne a informação relevante” e da “quantidade de informação adicional que o BCE necessite”.

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