“Há bancos a mais em Portugal” num mercado “altamente competitivo”, diz CEO do BPI

Os lucros recorde e as elevadas taxas de rentabilidade da banca vão abrandar com a descida dos juros, avisa o CEO do BPI, que fala num mercado com muita concorrência e muitos players.

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  • João Pedro Oliveira e Costa, CEO do Banco BPI, afirma que existem bancos a mais em Portugal, destacando a elevada concorrência no setor.
  • Os cinco maiores bancos em Portugal controlam 70,5% dos ativos financeiros, um nível de concentração superior à média europeia de 68%.
  • O BPI planeia aumentar o volume de crédito, mantendo rentabilidade acima dos 14%, enquanto antecipa uma normalização das taxas de juro.
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João Pedro Oliveira e Costa, CEO do Banco BPI, considera que “há bancos a mais em Portugal”. A afirmação direta sobre a estrutura do setor bancário nacional foi feita esta sexta-feira durante a apresentação dos resultados semestrais da instituição, quando o gestor foi questionado sobre um eventual interesse na compra do Banco CTT.

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O banqueiro foi categórico ao afastar o interesse no banco dos Correios, revelando não ter procurado conhecer os detalhes da situação nem ter sequer confirmação de que o banco esteja à venda.

A declaração de que há instituições a mais a operar no país ganha relevância quando confrontada com dados recentes sobre a concentração bancária em Portugal.

  • Segundo uma consulta ao mercado lançada pela Autoridade da Concorrência (AdC) no ano passado, os cinco maiores bancos — Caixa Geral de Depósitos (CGD), Millennium BCP, Santander, Novobanco e o próprio BPI — detinham, no final de 2024, 70,5% dos ativos do setor financeiro nacional e quase 75% do total de depósitos. Trata-se de um nível de concentração superior à média europeia, que ronda os 68%.
  • Já os dados do Banco Central Europeu referentes a 2022, citados pela associação de defesa do consumidor Deco, apontavam para um grau de concentração de 72% no mercado português, face a uma média europeia de 68%. Um cenário que a associação já então considerava elevado e motivo de preocupação para os consumidores.

Foi também neste contexto estrutural que o CEO do BPI caracterizou o atual momento do mercado bancário nacional como “altamente competitivo”. Esta pressão concorrencial ajuda a explicar por que motivo o BPI registou crescimentos a dois dígitos no crédito à habitação (11%) e no financiamento às PME (12%) num semestre em que o lucro líquido caiu 13% (ou 8% considerando apenas a operação doméstica).

Para o CEO do BPI, os bancos vão convergir para “níveis de rentabilidade mais médios”, mas que considera “saudáveis para um banco continuar a ter capacidade de investir e de se renovar”.

O líder do BPI explicou que esta fase de forte concorrência no crédito já era esperada, uma vez que os principais bancos a atuar em Portugal resolveram os seus problemas históricos em simultâneo. Segundo João Pedro Oliveira e Costa, a sua equipa já tinha “previsto que isto iria acontecer quando o mercado estivesse todo mais ou menos na mesma posição competitiva, ou seja, tivessem os custos controlados, os proveitos a aparecer e o tema do risco resolvido”.

O banqueiro fez mesmo questão de elogiar o trabalho feito pelas lideranças das instituições rivais, apontando a Caixa Geral de Depósitos, o BCP e o novo acionista do Novobanco como fatores de forte pressão. Segundo o banqueiro, o setor bancário tem hoje “uma geração fantástica de concorrentes”, admitindo gostar “de poder pertencer a um campeonato onde tenho equipas do outro lado que são muito competitivas e que têm uma capacidade de fogo de crescer muito mais significativa”.

João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, apresenta os resultados do banco referentes ao primeiro semestre de 2026Hugo Amaral/ECO

BPI aposta em volume e prevê normalização da rentabilidade

A estratégia do BPI para responder a este ambiente de elevada concorrência passa por crescer em volume de crédito, já que a instituição não vê espaço para competir por via dos preços. “Como não estou a ver capacidade de competirmos em preço, ou seja, aumentar o preço, eu tenho de aumentar os volumes”, explicou o CEO.

O objetivo do Banco BPI passa assim por crescer mantendo uma rentabilidade “acima dos dois dígitos” e “acima dos 14%”, sem comprometer o futuro, porque, como notou o gestor, o BPI está mais exposto à evolução direta das taxas de juro (Euribor) e à pressão nos spreads que muitos dos seus concorrentes. “Não temos, vou-lhe chamar, ‘amortecedores da margem no nosso balanço’. Funcionamos exatamente dentro daquilo que é os depósitos e aquilo que é o crédito”, detalhou.

João Pedro Oliveira e Costa antecipa ainda que o nível recorde de rentabilidade registados pela banca em Portugal nos últimos anos, impulsionados pela subida das taxas de juro, vai inevitavelmente normalizar. “Quando as rentabilidades eram mais altas, eu sempre disse isto era uma situação que iria nivelar e vocês vão ver que nos outros bancos também vai nivelar”, antevê.

Para o CEO do BPI, os bancos vão convergir para “níveis de rentabilidade mais médios”, mas que considera “saudáveis para um banco continuar a ter capacidade de investir e de se renovar”. E como resposta estratégica, a operação do BPI passará agora por reforçar o foco no crédito a empresas, no crédito ao consumo e na otimização da experiência digital dos clientes, revela o banqueiro.

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