“Não inventem mais medidas, por favor”. Líder do BPI pede mais casas contra crise na habitação

Com a garantia pública ao crédito jovem já utilizada em 52,9%, o BPI antevê que as novas regras macroprudenciais possam reduzir a contratação do crédito à habitação em cerca de 10%.

Numa altura em que o Banco de Portugal prepara novas regras para travar o crescimento do crédito à habitação, e em que o acesso a casa própria continua a ser um dos temas mais sensíveis para as famílias portuguesas, o CEO do BPI aproveitou a apresentação dos resultados do primeiro semestre para deixar a sua visão sobre o problema.

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Confrontado com perguntas sobre habitação, crédito à habitação, medidas macroprudenciais e garantia pública, João Pedro Oliveira e Costa afirmou não acreditar em nenhuma medida na habitação que não seja promover a construção de mais casas. “Não inventem mais medidas, por favor. Não vale a pena. A única medida possível é conseguirmos encontrar um mecanismo de conseguirmos construir muito mais habitação”, respondeu.

Sobre o impacto das novas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal, que entre outras reduz a taxa DSTI máxima de 50% para 45% na concessão de crédito à habitação, João Pedro Oliveira e Costa referiu que o efeito no BPI deverá ser superior ao estimado por outros bancos, devido ao peso do crédito à habitação jovem na carteira do banco.

Não há casas para as pessoas comprarem. E por que é que os volumes de contratação são tão elevados? Porque são casas a passar de mão.

João Pedro Oliveira e Costa

CEO do Banco BPI

“Eu vi as declarações do presidente do BCP que falou em 5% de impacto. No caso do BPI será maior. Temos estado muito no crédito jovem e, por isso, acredito que ultrapassará o impacto de 10% na contratação. Poderá ser ligeiramente superior”, referiu o banqueiro, sem querer fazer qualquer observação à decisão do regulador.

Quanto ao risco associado ao crédito à habitação em Portugal, o CEO do BPI declarou que não encontra “nenhum problema, nenhum tema”, nem antevê “no curto prazo e no médio prazo que haja algum tema com o crédito de habitação.”

Sobre os elevados volumes de contratação de crédito à habitação no mercado nacional, João Pedro Oliveira e Costa associou o fenómeno à escassez de imóveis disponíveis para venda.

“Não há casas para as pessoas comprarem. E por que é que os volumes de contratação são tão elevados? Porque são casas a passar de mão. Se olharmos os últimos 10 anos, se calhar há casas que já fizeram duas e três vezes transação. Mas não há mais casas”, afirmou, citando dados do setor que apontam para uma construção anual de cerca de 30 mil novos fogos. “Precisaríamos de dinheiro disponíveis de construção anual entre os 80 a 100 mil nos próximos cinco ou seis anos para tentarmos minimamente equilibrar o mercado”, acrescentou.

É tão estratégico ter habitação como ter defesa, ou ter hospitais, saúde, fundamental este assunto e é completamente estratégico.

João Pedro Oliveira e Costa

CEO do Banco BPI

Sobre o crédito à habitação jovem com garantia pública do Estado, que totaliza 1,6 mil milhões de euros concedidos pelo BPI a cerca de 8 mil famílias, o gestor indicou que a taxa de utilização do plafond é atualmente de 52,9% e que não está prevista, para já, uma necessidade de reforço. “Se for caso disso, sempre, mas, neste momento, não antevejo que venha a acontecer. Temos um montante ainda muito significativo para utilizar, caso seja necessário, e por isso não mantivemos essa necessidade”, explicou.

João Pedro Oliveira e Costa relacionou ainda o tema da habitação com a retenção de jovens em Portugal. “É tão estratégico ter habitação como ter defesa ou ter hospitais, saúde. Este assunto é fundamental e completamente estratégico”, disse, acrescentando que “a maior razão de emigração é o preço da habitação, e não a falta de emprego”.

O CEO do BPI referiu ainda que a construção de mais habitação depende da ativação da fileira de construção nacional e do financiamento disponível através da banca comercial e do Banco de Fomento, concluindo: “Fazer mais, falar menos. Eu digo isto desde que sou presidente do banco”.

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