Banco da CGD em Moçambique sofre quebra de quase 10% no lucro semestral
Grupo BCI, do maior banco moçambicano e liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), registou lucros consolidados equivalentes a 45 milhões de euros no primeiro semestre, menos 9,7% do que em 2025.
O Grupo BCI, do maior banco moçambicano e liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), registou lucros consolidados de 3.344 milhões de meticais (45 milhões de euros) no primeiro semestre, menos 9,7% face ao mesmo período de 2025.
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Nas demonstrações financeiras semestrais, a que a Lusa teve acesso, o Grupo Banco Comercial e de Investimentos (BCI) reporta um resultado líquido consolidado de 3.704 milhões de meticais (49,9 milhões de euros) no mesmo período de 2025.
Já nas contas individuais, o banco registou no primeiro semestre deste ano lucros de 3.328 milhões de meticais (44,7 milhões de euros), abaixo dos 3.707 milhões de meticais (49,9 milhões de euros) nos primeiros seis meses do ano passado.
O desempenho consolidado reflete igualmente a reorganização societária concluída em 2025, já que segundo o documento “o processo de fusão da subsidiária BPI Moçambique e do BCI foi concluído em 2025, tendo a BPI Moçambique sido consequentemente extinta por fusão”, sendo o conjunto do banco e das subsidiárias “doravante designado por Grupo”.
Apesar da redução dos lucros, o banco continuou a aumentar a atividade, com o ativo total a crescer 2,8% desde dezembro, para 247.258 milhões de meticais (3.328 milhões de euros), contra 240.527 milhões de meticais (3.238 milhões de euros) no final de 2025.
Os depósitos de clientes aumentaram 0,8% no semestre, para 193.179 milhões de meticais (2.607 milhões de euros), reforçando a posição da instituição como líder do sistema bancário moçambicano naquele segmento e o crédito a clientes recuou 5,5% desde dezembro, para 61.155 milhões de meticais (824 milhões de euros) em junho.
Os lucros do BCI já tinham recuado 40,3% em todo o ano de 2025, para 3.604 milhões de meticais (48,6 milhões de euros), devido à exposição à dívida pública da instituição. No relatório e contas divulgado em maio, a administração afirmava que “manteve a sua posição de liderança no sistema bancário nacional, servindo cerca de 2,5 milhões de clientes” em 2025. Acrescentava que o resultado líquido “foi impactado por fatores não recorrentes, nomeadamente o reforço das imparidades para as exposições à dívida pública, em resposta ao agravamento do risco soberano, e pelos custos extraordinários associados aos processos de devolução de comissões, mantendo-se ainda assim num nível sólido”.
Os lucros do BCI já tinham recuado 26,18% em 2024, para 6.039 milhões de meticais (81,5 milhões de euros, ao câmbio atual), contra o recorde de 8.181 milhões de meticais (110,4 milhões de euros) de resultados líquidos registado em 2023.
Em termos de quotas de mercado, o BCI liderava no final de 2025 nos depósitos (24,32% do total dos bancos), no crédito (24,64%) e nos ativos (21,96%), tendo fechado 2025 com 211 agências e 2.702 trabalhadores.
O BCI tem um capital social de 10 mil milhões de meticais (135 milhões de euros), numa estrutura acionista liderada (51%) pela Caixa Participações, do grupo CGD, contando com o banco português BPI (35,67%) e ainda diretamente pela CGD (10,51%), entre outros.
O presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, afirmou a 5 de maio, em Maputo, que a continuidade em Moçambique depende dos entendimentos com as autoridades nacionais e enquanto o grupo português for “bem-vindo”. A posição foi transmitida após ter sido recebido pelo chefe de Estado, Daniel Chapo: “Reafirmar o nosso interesse e o nosso compromisso em continuar a apoiar o BCI e ter a nossa presença aqui através do BCI, que é um banco moçambicano, mas que nós continuamos a pretender ser acionistas. E dissemos ao senhor Presidente da República que essa nossa intenção será enquanto as autoridades o acharem conveniente e enquanto formos bem-vindos”.
O interesse na continuidade da CGD na estrutura acionista do BCI já tinha sido manifestado antes, em finais de fevereiro, a propósito da intenção do português BPI de vender a sua posição no banco moçambicano.
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