Lucro operacional da Air France-KLM cai 34% no segundo trimestre. Grupo corta meta de capacidade

Resultado superou estimativas, mas grupo que concorre à privatização da TAP vê procura mais moderada devido à guerra no Médio Oriente. É o segundo corte nas previsões de capacidade.

ECO Fast
  • A Air France-KLM apresentou uma oferta vinculativa para adquirir até 49,9% da TAP, destacando a importância estratégica de Lisboa como hub no sul da Europa.
  • O grupo registou um lucro operacional ajustado de 484 milhões de euros no segundo trimestre, superando as expectativas dos analistas, apesar de uma queda em relação ao ano anterior.
  • A redução nas previsões de capacidade e o aumento dos custos com combustível podem impactar a rentabilidade futura do grupo, exigindo uma gestão cuidadosa.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Air France-KLM, que esta quarta-feira confirmou a apresentação de uma oferta vinculativa para uma participação de até 49,9% na TAP, registou um lucro no segundo trimestre superior ao esperado, atribuindo-o ao aumento das receitas provenientes das viagens de classe premium e de longo curso, apesar de ter revisto em baixa as previsões de capacidade para o ano inteiro devido à procura moderada.

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O grupo franco-neerlandês anunciou um lucro operacional ajustado no segundo trimestre de 484 milhões de euros, abaixo dos 736 milhões de euros do mesmo período do ano passado, mas superior aos 327 milhões de euros previstos, em média, pelos analistas.

As receitas do grupo subiram 9,9%, em termos homólogos, para 9,3 mil milhões de euros, com subidas em todos os negócios.

“Alcançámos um forte desempenho comercial, apoiado por uma procura constante de viagens premium, nomeadamente nos mercados asiático e norte-americano», afirmou o CEO do grupo, Benjamin Smith, em comunicado.

Guerra obriga a segundo corte na projeção de capacidade

As transportadoras globais, pressionadas por meses de custos elevados do combustível de aviação e pela redução da capacidade devido às repercussões mais amplas da guerra no Irão, estão a correr para capitalizar a época de verão, mais lucrativa, a fim de evitar dificuldades financeiras no final do ano.

A Air France-KLM anunciou que reduziu as suas previsões de capacidade anual, apontando agora para uma queda de 1% nos voos de curta e média distância e um aumento do grupo entre 2% e 3%. Trata-se de um segundo corte em relação à previsão pré-guerra, que apontava para um aumento de 3% a 5%.

O grupo prevê que a despesa com combustível ascenda a 8,9 mil milhões de dólares no exercício de 2026 (cerca de 7,8 mil milhões de euros, em comparação com a estimativa do trimestre anterior de 9,3 mil milhões de dólares (perto de 8,15 mil milhões de euros).

A despesa com combustível atualmente prevista reflete um aumento de 2,0 mil milhões de dólares em comparação com o exercício de 2025.

“Tal como esperado, o aumento acentuado dos preços dos combustíveis teve um impacto significativo nos nossos resultados durante o segundo trimestre“, sublinhou Smith. “Graças a uma política de preços ágil e à disciplina de custos, conseguimos, em grande medida, mitigar este forte obstáculo, comprovando mais uma vez a resiliência do nosso modelo de negócio.”

Lisboa “único hub no sul da Europa”

Em relação à oferta por 49,9% da TAP, corrida na qual vai concorrer com a alemã Lufthansa, a Air France-KLM reiterou a mensagem emitida na véspera, sublinhando que caso seja selecionada, posicionaria Lisboa como o seu único hub no sul da Europa, reforçando a rede global do Grupo e expandindo a conectividade com mercados-chave, nomeadamente nas Américas e em África.

“A posição de liderança da TAP em rotas estratégicas para o Brasil constituiria um forte complemento ao portfólio de rotas existente da Air France-KLM, que já está ligado a uma densa rede doméstica no Brasil no âmbito de uma parceria de longa data com a transportadora brasileira GOL”, adiantou.

“No âmbito da oferta vinculativa apresentada hoje [quarta-feira, 29 de julho], a Air France-KLM expôs o seu plano para desenvolver novas atividades de Manutenção, Reparação e Revisão (MRO) em Portugal, complementares ao desenvolvimento contínuo das atividades próprias do Grupo em França e nos Países Baixos”, acrescentou o grupo.

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