Conflito entre Estados Unidos e Irão ameaça alastrar no Médio Oriente
Os EUA envolveram a Arábia Saudita em ataques contra milícias pró-iranianas no Iraque. Teerão respondeu com mísseis e o conflito ameaça transformar-se numa guerra regional.
O conflito entre os Estados Unidos e o Irão entrou numa nova fase. Depois de semanas de ataques limitados, Washington passou a envolver diretamente aliados regionais nas operações militares, enquanto Teerão responde em várias frentes, alimentando os receios de uma guerra regional com impacto nas principais rotas energéticas mundiais.
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Foi neste contexto que os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram, na noite de terça-feira, ataques aéreos contra milícias pró-iranianas no Iraque. A operação teve como alvo posições de grupos armados apoiados pelo Irão que Washington acusa de terem sido instruídos pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) para atacar forças norte-americanas e infraestruturas energéticas sauditas.
“O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) e as Forças Armadas da Arábia Saudita realizaram ataques de precisão no Iraque, a 28 de julho, contra posições de grupos terroristas alinhados com o Irão que, segundo os EUA, foram instruídos pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) a atacar forças norte-americanas e infraestruturas energéticas sauditas”, informou o Comando Central norte-americano na rede social X.
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A Arábia Saudita confirmou ter participado na operação, classificando-a como um conjunto de “ataques limitados e direcionados” contra milícias apoiadas pelo Irão no Iraque. Dias antes, Riade tinha anunciado a interceção de vários drones lançados a partir do Iraque contra instalações petrolíferas no leste do país, responsabilizando grupos armados apoiados por Teerão.
“Estas milícias terroristas apoiadas pelo Irão escolheram o caminho de uma escalada irresponsável, violando o direito internacional”, afirmou o ministério em comunicado, citado pela CBS News. Riade acrescentou que operação militar foi conduzida em resposta aos ataques anteriores contra território saudita, marcando a primeira vez desde fevereiro que Riade reconheceu publicamente a participação numa operação militar conjunta com os Estados Unidos.
A resposta de Bagdade foi imediata. O primeiro-ministro iraquiano, Ali Al-Zaidi, adiou uma visita oficial prevista para quinta-feira à Arábia Saudita e ordenou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que avance com uma ação judicial contra Washington e Riade, depois de os bombardeamentos terem causado dezenas de mortos e feridos, segundo o exército iraquiano.
Também o Conselho de Segurança Nacional do Iraque reuniu de emergência para avaliar os ataques e condenou a operação. “A reunião reafirmou a posição firme e de rejeição do governo em relação a todos os atos hostis, independentemente da parte executora ou das justificações invocadas, sublinhando que lidar com e confrontar tal agressão é uma responsabilidade exclusiva do governo iraquiano”, afirmou o conselho em comunicado.
Paralelamente, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) anunciou ter lançado mísseis balísticos contra forças norte-americanas na Jordânia na quarta-feira. O CENTCOM garantiu que intercetou com sucesso o “ataque surpresa” contra as suas tropas no Médio Oriente.
Este ataque levou o presidente dos EUA a prometer atacar o Irão com força, depois de os militares norte-americanos terem intercetado mísseis balísticos lançados por Terrão em direção às forças presentes no Médio Oriente.
“Vamos atacá-los com força. Vão levar uma tareia”, reiterou Trump numa entrevista telefónica à Fox News. Trump revelou ainda que Washington coordenou previamente a operação com o Governo iraquiano e reiterou que não exclui novas ações militares contra grupos armados apoiados pelo Irão, que classificou como “um cancro no mundo”.
Os confrontos começaram também a atingir novas infraestruturas da região. Explosões atingiram esta quarta-feira um terminal de carregamento de gás natural em Damietta, no Egito, depois de um drone ter atingido um navio de armazenamento flutuante de propriedade norte-americana, avançou a Reuters.
O impacto provocou um incêndio que alastrou a uma segunda embarcação, obrigando à evacuação das tripulações. Até ao momento, não foi reivindicada a autoria do ataque.
A deterioração da situação militar refletiu-se imediatamente nos mercados energéticos. O petróleo Brent, referência para a Europa, chegou a negociar acima dos 90 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também registou fortes ganhos, à medida que os investidores receiam novas perturbações nas exportações provenientes do Golfo.
Segundo a Bloomberg, que cita vários atuais e antigos responsáveis dos Estados Unidos, do Irão e da Europa, o conflito poderá prolongar-se durante meses, uma vez que Washington e Teerão continuam incapazes de ultrapassar o impasse em torno do Estreito de Ormuz e de alcançar um acordo de cessar-fogo duradouro.
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