Trump garante que EUA têm “muita munição” e ameaça “forte ação militar” contra o Irão caso diplomacia falhe
Apesar da suspensão dos ataques no Médio Oriente, Trump avisou que poderá retomar a ofensiva se a via diplomática falhar e garante que os EUA têm "muita munição", negando existir escassez de mísseis.
Após 13 dias de bombardeamentos americanos consecutivos, os Estados Unidos interromperam no fim de semana as operações militares contra o Irão, o que levou Teerão a deixar de atacar os países vizinhos do Golfo, garantindo que a sua estratégia se baseava na “retaliação” dos bombardeamentos norte-americanos.
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Mesmo tendo a vaga de ataques no Médio Oriente cessado, Donald Trump afirmou esta segunda-feira que está disponível para retomar e ampliar as operações militares caso a diplomacia falhe. Na semana passada, o republicano adiantou ponderar lançar uma nova operação militar contra o Irão, admitindo ordenar ofensivas “maiores do que nunca”.
“Estamos em negociações muito profundas com o Irão. Se elas não derem certo, voltaremos a uma forte ação militar“, referiu Trump, em entrevista ao Axios. O inquilino da Casa Branca sublinhou ainda que não dedicará muito tempo ao caminho diplomático, acrescentando que “ou acontece rápido ou não acontece nada”.
Ao contrário do que adianta o líder dos EUA, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, negou o envolvimento de Teerão em quaisquer novas negociações com Washington, recusando que o Irão terá solicitado a abertura de conversações.
Segundo o republicano, a decisão de suspender os ataques foi tomada depois de Omã e outros mediadores envolvidos nas conversações pedirem aos Estados Unidos mais tempo para tentar alcançar um entendimento. “Todas as pessoas que estão a lidar com o Irão pediram-me: ‘Não dispare'”, vincou Trump ao site noticioso.
A pausa coincide com uma crescente preocupação em Washington relativamente ao ritmo de consumo de mísseis no conflito com o Irão. Segundo a CNN, durante uma reunião na Casa Branca na passada sexta-feira, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, alertou Donald Trump para o impacto que uma escalada do conflito teria nas reservas norte-americanas de munições, um dos vários fatores considerados antes de suspender a campanha de bombardeamentos. O vice-presidente JD Vance terá igualmente manifestado reservas quanto ao alargamento da guerra.
Também o The New York Times noticiou no domingo que a decisão de adiar novos ataques foi motivada, em parte, pela redução dos stocks de mísseis intercetores necessários para responder a eventuais ataques iranianos. Segundo o jornal, responsáveis norte-americanos receiam que uma campanha prolongada comprometa a capacidade dos Estados Unidos para responder a outras crises e manter os compromissos de defesa assumidos com aliados.
Contudo, Trump reiterou a bordo do Air Force One nesta segunda-feira que os EUA têm “muita munição, de diferentes tipos”, culpando o governo do seu antecessor pelo envio de armas para a Ucrânia. “Temos uma grande quantidade de armamento de médio alcance. Quero dizer, mais do que alguma vez conseguiríamos utilizar, aconteça o que acontecer. Os mísseis Patriot, em particular, continuam a ser produzidos“, frisou o líder republicano aos jornalistas.
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